Ciência

Hayabusa2 atinge asteroide com feixe de laser em teste espacial

Representação artística da espaçonave Hayabusa2 passando perto da Terra - Reprodução/ JAXA
Representação artística da espaçonave Hayabusa2 passando perto da Terra - Reprodução/ JAXA

A sonda espacial Hayabusa2 disparou pulsos luminosos contra o asteroide Torifune em 5 de julho de 2026, durante um sobrevoo realizado a cerca de 5 km/s. A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão confirmou que o disparo contra a superfície rochosa permitiu calcular o distanciamento exato do corpo celeste enquanto a sonda mantinha uma rota acelerada pelo espaço sideral sem depender de referências visuais convencionais.

O procedimento aprimora estimativas de órbita e fornece parâmetros para esquemas de defesa planetária voltados a eventuais choques de rochas espaciais contra a Terra.

Emissão óptica supera dificuldade de cálculo visual no espaço

O teste ocorreu quando o equipamento atingiu a vizinhança de Torifune. Os disparos alcançaram o alvo em duas ocasiões antes da aproximação máxima. As medições foram registradas a 20 quilômetros e a 15 quilômetros do corpo rochoso.

A velocidade era alta. A JAXA classificou a operação a 5 km/s como pioneira em passagens rápidas por corpos menores do Sistema Solar.

O equipamento LiDAR projeta o laser contra o relevo rochoso e cronometra o retorno da radiação para estipular o intervalo métrico.

A ausência de atmosfera dificulta diferenciar corpos pequenos próximos de estruturas volumosas distantes nas imagens de navegação. O feixe óptico atingiu uma área reduzida da crosta de Torifune. Técnicos do projeto trabalham agora para identificar o ponto exato do impacto luminoso.

Dados de trajetória aprimoram proteção contra impactos terrestres

Um registro isolado quantifica a distância naquele instante, mas a união de múltiplos pontos ao traçado da nave revela o deslocamento do objeto com maior exatidão.

  • O transmissor direciona a radiação contra a rocha.
  • A estrutura física rebate a luz incidente de volta ao espaço.
  • O sensor computa a duração total do trajeto luminoso.
  • A repetição das leituras estabelece os vetores de velocidade.

A agência espacial japonesa detalhou a mecânica dos cálculos em comunicado oficial. “Se os dados de distância puderem ser obtidos em vários momentos, eles poderão ser combinados com os dados de rastreamento da sonda para determinar a posição e a velocidade do corpo celeste com alta precisão, melhorando assim a precisão das previsões de sua órbita”, informou a JAXA.

A precisão desses cálculos serve ao monitoramento científico e fornece alertas contra potenciais choques de fragmentos na Terra.

Equipe espacial direciona nave para o asteroide 1998 KY26

A Hayabusa2 recolheu fragmentos do asteroide Ryugu e enviou o material para cápsulas de resgate na Terra. Os pesquisadores expandiram os planos de voo após o sucesso daquela etapa. A sonda assumiu tarefas adicionais em espaço aberto.

A JAXA formalizou em 2020 a escolha do asteroide 1998 KY26 como meta subsequente. O cronograma prevê operações até a década de 2030 com novas abordagens diretas ao bloco celeste.

Asteroide
Asteroide -buradaki/shutterstock.com

O perfil físico do destino apresenta dificuldades operacionais superiores às projeções iniciais. Avaliações científicas constataram que a rocha exibe rotação acelerada e diâmetro estimado em 11 metros. A estrutura metálica da própria sonda mede cerca de 6 metros.

Toni Santana-Ros, cientista planetário ligado à Universidade de Alicante e à Universidade de Barcelona, comentou a proporção física entre os corpos: “A coisa engraçada é que o objeto tem cerca de 11 metros de diâmetro, e a própria espaçonave tem 6 metros. Portanto, ela representa mais da metade do objeto que vai visitar”.

A incerteza sobre o diâmetro exato do 1998 KY26 amplia a relevância das medições feitas pela Hayabusa2. Os novos dados devem orientar as manobras finais de aproximação.

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