Telescópios medem fuga de gás quente na Nebulosa da TarântulaPor Maria
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Pesquisadores da Ohio State University liderados pela astrônoma Jennifer A. Rodriguez comprovaram, em estudo publicado em fevereiro de 2026 no Astrophysical Journal, que a Nebulosa da Tarântula retém somente parte do gás aquecido por ventos estelares na Grande Nuvem de Magalhães. A constatação soluciona um descompasso físico histórico entre previsões teóricas e a radiação captada no espaço.
O objeto analisado, catalogado como 30 Doradus, situa-se a cerca de 50 mil parsecs da Terra, distância equivalente a 163 mil anos-luz. O grupo incluiu cientistas da Columbia University e do Goddard Space Flight Center da NASA. As observações aproveitaram o alinhamento frontal da nebulosa e os baixos níveis de poeira intermediária na linha de visada.
Discrepância de cinco décadas na contagem de energia
Cálculos astrofísicos formulados desde 1975 previam uma luminosidade em raios X muito superior aos índices reais registrados entre 10³² e 10³⁶ erg por segundo.
O modelo tradicional de Castor e Weaver supunha que o gás quente permanecia preso em uma casca hermética fria. Em contrapartida, a hipótese de Chevalier e Clegg previa vento totalmente livre e subestimava as emissões.
A equipe combinou 51 apontamentos feitos pelo instrumento ACIS entre 3 de maio de 2014 e 22 de janeiro de 2016 com três blocos de dados de arquivo de janeiro de 2006, somando cerca de dois milhões de segundos de exposição contínua para mapear o gás com sensibilidade sem precedentes. O Chandra identificou cinco superbolhas alimentadas por emissões térmicas na faixa entre 0,5 e 1,2 quiloelétron-volts. As 3.615 fontes pontuais detectadas foram excluídas para evitar distorções espectrais.

Estrutura térmica revelada por múltiplos instrumentos
Imagens da câmera NIRCam do James Webb sobrepostas aos registros do Spitzer revelaram que o plasma aquecido preenche exatamente os vazios deixados pela poeira estelar.
A espectroscopia em 84 setores mapeados indicou temperaturas entre 2,8 e 9,5 milhões de kelvin na área central de 70 por 120 parsecs. A densidade variou entre 0,04 e 0,21 partículas por centímetro cúbico.
O núcleo energético abriga o aglomerado estelar R136, cuja idade estimada é de até dois milhões de anos e que inclui a estrela R136a1, que possui massa inicial 250 vezes superior à do Sol. Populações anteriores também deixaram rastros na vizinhança, como o aglomerado Hodge 301 e o remanescente N157B com seu pulsar PSR J0537-6910. Esses corpos injetam matéria adicional nas cavidades.
Medições apontam os limites de retenção do gás
O confinamento é parcial.
- Cavidade leste: 73% de retenção do gás quente
- Cavidade norte: 55% de confinamento do material aquecido
- Região central de R136: 46% de gás mantido na estrutura
A taxa média verificada entre 46% e 73% confirma as estimativas teóricas propostas em 2009 por Elizabeth Harper-Clark e Norman Murray. Os dados provam que o meio interestelar não atua como uma barreira uniforme, permitindo a liberação contínua de calor por frestas da estrutura.
Três fatores que explicam o esvaziamento da energia
A mistura turbulenta de gases a 10⁵ kelvin dissipa grande parcela da energia estelar por meio de resfriamento radiativo direto.
Comparações com a simulação numérica MWR_N512 executada em 2025 revelaram que modelos hidrodinâmicos sem condução térmica deixam o interior das bolhas excessivamente oco. A calibração de dados utilizou coeficientes atômicos do banco CHIANTI para determinar as taxas de recombinação de hidrogênio ionizado.







