Gargalos em autopeças atrasam conserto de carros no país
O comércio de autopeças no Brasil movimenta anualmente mais de R$ 184 bilhões, mas motoristas enfrentam dificuldades frequentes para conseguir componentes mecânicos e de acabamento nas oficinas. O setor soma gargalos operacionais.
O presidente do Sincopeças Brasil e líder do Sistema Sincopeças Assopeças Assomotos (SSA-CE), Ranieri Palmeira Leitão, afirmou que o descompasso resulta de uma conjunção crítica envolvendo envelhecimento da frota automotiva, ampliação de modelos disponíveis, consumo imprevisível, estoques restritos e expressiva dependência do mercado externo.
O vice-presidente do Grupo Autoglass, Flavio Cezario, declarou que os itens de alta complexidade técnica sofrem impacto direto de oscilações na taxa de câmbio, tensões internacionais e entraves em terminais portuários. Segundo o executivo da empresa, tais variações geram custos mais pesados e demoras repassadas diretamente ao consumidor final.
De acordo com Ranieri, os atrasos mais severos atingem peças de funilaria por causa do tempo de reposição, da retenção em centros de distribuição e da carência de estoque regional.
Componentes destinados a revisões de rotina e desgaste natural, a exemplo de filtros, pastilhas, baterias, correias, palhetas e amortecedores, registram giro rápido nas prateleiras. Por outro lado, itens como chicotes elétricos, sensores, airbags e partes da carroceria apresentam baixa procura e alta complexidade, o que restringe a disponibilidade imediata. Ranieri informou que a China ocupa a liderança nas remessas de autopeças destinadas ao Brasil, em um fluxo de importações que permanece em patamares elevados.
Obstáculos na armazenagem e no transporte regional

Ranieri explicou que as revendas e distribuidoras não dispõem de capital de giro nem de espaço suficiente para manter a totalidade dos milhares de componentes que integram cada automóvel. Cezario complementou que os itens submetidos a desgaste natural concentram cerca de 60% do faturamento do mercado de reposição, o que força os estabelecimentos a priorizar esses produtos.
O envio de um produto específico de uma central logística até estabelecimentos no interior das regiões Norte e Nordeste chega a demorar várias semanas em razão da infraestrutura precária e da falta de integração das cadeias de suprimentos, segundo Cezario.
Diferenças de fornecimento entre modelos novos e usados
Veículos zero-quilômetro dependem das autorizações e dos processos de homologação das próprias montadoras e de sua rede autorizada de concessionárias. Automóveis com mais tempo de uso recorrem a importadores independentes, comércio eletrônico e oficinas mecânicas particulares. Os modelos saídos de fábrica sofrem quando o pós-venda da marca ainda não se estruturou, enquanto os veículos mais velhos perdem cobertura nos catálogos convencionais.
Caminhos alternativos para a localização de componentes
Motoristas que não encontram peças específicas no comércio digital precisam recorrer a concessionárias, importadores oficiais ou fornecedores de componentes remanufaturados e usados com garantia de procedência. O comprador deve checar a compatibilidade técnica do item, a nota fiscal e a procedência legal para não transformar um carro de baixo custo em prejuízo financeiro.
Cezario aconselhou os compradores a avaliar a maturidade da rede de assistência, o prazo médio de entrega de lataria, vidros e módulos, além do número de distribuidores independentes da marca antes de adquirir qualquer veículo.












