São Paulo

Cidades do interior paulista registram estrondos e tremores

Caneta de atividade sísmica, terremoto
Caneta de atividade sísmica, terremoto - Alexander Sanchez/ Istockphoto.com

Moradores da região da Nova Alta Paulista sentiram tremores de terra e ouviram um forte estrondo que sacudiu portas, janelas e esquadrias no início da tarde de 15 de setembro de 2026. As vibrações atingiram imóveis situados em municípios como Rinópolis e Parapuã.

O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo identificou dois desmontes de rocha na região durante o horário das queixas, com abalo sísmico de magnitude 1,4 em Rinópolis e outro perto do Rio Tietê, mas descartou qualquer compatibilidade entre essas detonações e as fortes oscilações reportadas pela população.

A equipe técnica apontou que a passagem de aeronaves em velocidade supersônica provocou as ondas de choque percebidas no solo. A Defesa Civil confirmou essa linha de apuração aos sismólogos a partir de dados fornecidos pela Força Aérea Brasileira.

O comando da Aeronáutica não respondeu aos pedidos formais de posicionamento até o momento da publicação.

O monitoramento contínuo das vibrações segue ativo por meio de estações da Rede Sismográfica Brasileira. Pesquisadores do órgão universitário continuam analisando os gráficos recolhidos pelas bases operacionais.

Rinópolis não registrou vítimas nem desabamentos.

A técnica em enfermagem Vera Lúcia Marques cumpria seu turno de trabalho em Rinópolis no instante em que as paredes tremeram. O relógio marcava exatamente 13h25 quando o abalo repentino atingiu a unidade de saúde local.

Moradores relatam tremor que fez portas e janelas balançarem no Oeste Paulista - Reprodução/Centro de Sismologia da USP
Moradores relatam tremor que fez portas e janelas balançarem no Oeste Paulista – Reprodução/Centro de Sismologia da USP

Uma porta de vidro da unidade de Rinópolis balançou com violência e fez a profissional cogitar uma falha em maquinários hospitalares.

“Uma porta que temos do lado de blindex tremeu muito”, relatou a trabalhadora Vera Lúcia Marques ao descrever a sensação de pavor. A profissional completou: “Foi uma experiência que posso dizer que não quero passar por outra. Foi realmente pavoroso. Fiquei muito assustada, paralisada”.

Na cidade vizinha de Parapuã, a empresária Franciny Almeida presenciou os cômodos de sua residência estremecerem enquanto estava na companhia do marido, do filho e de uma funcionária.

Franciny Almeida detalhou a rapidez da oscilação que movimentou peças metálicas e acessos do imóvel. “Foi realmente muito rápido, mas as portas, as esquadrias de alumínio balançaram bem nítido, bem forte”, declarou a empresária.

A empresária Franciny Almeida divulgou uma gravação na internet para checar a extensão do estrondo e recebeu centenas de confirmações de pessoas espalhadas por cidades do interior paulista.

As mensagens enviadas por internautas vieram de localidades como Presidente Prudente, Tupã, Bastos, Iacri e Rinópolis. Habitantes de Salmourão, Osvaldo Cruz, Sagres e Clementina também notificaram percepções idênticas nos canais virtuais.

Moradores levantaram hipóteses de que as explosões pudessem ter partido das operações de uma pedreira regional, com relatos divergentes entre trabalhadores da mina e munícipes céticos ouvidos por Franciny Almeida.

As dúvidas sobre a origem persistiram por várias horas até a publicação dos registros sismológicos oficiais da Universidade de São Paulo. “Ficou toda essa especulação durante o dia e no final da tarde veio uma confirmação do site de sismologia da USP, falando que havia tido um tremor sísmico de magnitude 1,4 aqui na nossa região”, afirmou Franciny Almeida.

Também residente em Parapuã, a munícipe Rosangela Cimas descansava na sala ao lado do marido no momento em que um barulho violento atingiu o telhado.

O casal procurou vizinhos em Parapuã para saber se outros moradores também tinham notado o impacto sobre a vizinhança. Um dos moradores da rua confirmou que os vidros de suas próprias janelas vibraram no instante do barulho.

“Eu vi que aquele barulho não era normal. Então, a gente ficou muito assustado mesmo, porque isso nunca aconteceu”, afirmou Rosangela Cimas ao lembrar o choque com a intensidade do som.

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