Remédio de Parkinson pode reduzir vitamina B6, diz Anvisa

Parkinson

Parkinson - Fabian Montano Hernandez/shutterstock.com

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária emitiu um comunicado formal sobre os riscos associados à deficiência de vitamina B6 em pacientes submetidos a terapias contra a doença de Parkinson. O órgão regulador apontou que o uso contínuo de formulações contendo levodopa combinada a inibidores da descarboxilase pode reduzir a concentração de piridoxina no sangue e provocar danos ao sistema nervoso periférico. A notificação técnica ocorreu em 25 de janeiro de 2024 na sede da agência em Brasília.

O alerta sanitário baseia-se em notificações de farmacovigilância e em análises clínicas que relacionam as alterações na circulação da vitamina com o surgimento de neuropatias em indivíduos idosos. A equipe técnica da Anvisa explicou que a redução grave do nutriente compromete a integridade das fibras nervosas dos membros inferiores e superiores.

O dano atinge os nervos.

Anvisa – Rmcarvalho/ Istockphoto.com

Sintomas de neuropatia periférica exigem observação médica

Os registros analisados pela Gerência-Geral de Medicamentos da Anvisa descrevem que os sinais da carência vitamínica se manifestam principalmente por meio de formigamento contínuo nas mãos e nos pés. Médicos assistentes relataram dormência progressiva, diminuição da sensibilidade ao toque e sensações dolorosas de queimação que costumam ser confundidas com o próprio avanço motor da síndrome parkinsoniana. Caso os sintomas neuropáticos não recebam diagnóstico precoce por meio de investigação laboratorial, as lesões nas extremidades podem evoluir para fraqueza muscular e dificuldades graves de locomoção. A diferenciação clínica evita que os profissionais interpretem a perda sensorial como uma falha terapêutica do esquema antiparkinsoniano principal.

A agência catalogou os reflexos mais frequentes associados ao quadro de neuropatia periférica induzida pela carência vitamínica em indivíduos sob tratamento prolongado. A identificação dessas queixas pelos familiares e cuidadores permite o encaminhamento ágil do paciente aos centros de neurologia.

  • Sensação constante de dormência e queimação nos pés e nas mãos.
  • Perda progressiva da sensibilidade térmica e tátil nos membros.
  • Fraqueza muscular nos membros inferiores que compromete o equilíbrio.
  • Dificuldade para executar movimentos finos com os dedos.

A gravidade dos sintomas varia de acordo com o tempo de exposição aos remédios e com o estado nutricional prévio de cada indivíduo. Profissionais da Anvisa afirmaram que pacientes em uso de infusão contínua intestinal de levodopa apresentam taxas maiores de depleção da vitamina B6 em comparação com aqueles que ingerem comprimidos convencionais. Esse grupo submetido à bomba de infusão demanda monitoramento laboratorial ainda mais rigoroso desde os primeiros meses de terapia.

Mecanismo de interação entre levodopa e piridoxina no organismo

A degradação metabólica acelerada da piridoxina decorre da interação química direta entre os compostos da fórmula e a coenzima celular.

A levodopa atua como precursor imediato da dopamina e necessita de inibidores periféricos, como a carbidopa ou a benserazida, para não sofrer conversão prematura antes de cruzar a barreira hematoencefálica. Durante essa rota metabólica no fígado e nos tecidos periféricos, os inibidores da descarboxilase formam complexos estáveis com o fosfato de piridoxal, provocando a inativação e a eliminação renal acelerada da vitamina B6.

Com a queda acentuada dos níveis de piridoxina disponível, os axônios perdem a capacidade de manter a condução correta dos impulsos elétricos para as extremidades corporais. Diversos estudos toxicológicos vinculados aos arquivos da agência reguladora indicam que o déficit do nutriente também eleva as taxas plasmáticas de homocisteína, substância associada ao aumento de estresse oxidativo vascular e danos axonais. A metabolização inadequada cria um ciclo de degradação estrutural que afeta a bainha de mielina dos nervos periféricos. Especialistas do comitê de segurança sanitária concluíram que a reposição orientada da vitamina restaura a homeostase celular sem neutralizar a eficácia dos medicamentos antiparkinsonianos.

Recomendações da agência para médicos e equipes de saúde

A Anvisa determinou que os médicos especialistas e generalistas realizem a dosagem basal da vitamina B6 antes de prescreverem qualquer formulação com levodopa. O acompanhamento periódico dos níveis sanguíneos de piridoxina deve ocorrer no mínimo uma vez ao ano ou sempre que o paciente relatar queixas sensitivas nos membros inferiores.

A conduta clínica recomendada pelo órgão prevê a suplementação oral de piridoxina quando os testes laboratoriais confirmarem níveis abaixo dos parâmetros de referência. No entanto, os neurologistas devem calcular a dose diária do suplemento com cautela, pois o excesso de vitamina B6 pode reativar a enzima periférica e reduzir a quantidade de levodopa que atinge o cérebro. A equipe da gerência farmacológica informou que a suplementação não autoriza a suspensão repentina do tratamento para o Parkinson.

O equilíbrio farmacológico exige dosagens personalizadas para cada paciente.

Orientações diretas aos pacientes em tratamento contínuo

Pacientes que fazem uso de medicamentos para Parkinson não devem interromper o tratamento diário por conta própria após a divulgação do alerta sanitário. A interrupção abrupta da levodopa provoca o agravamento severo da rigidez muscular, tremores intensos e o risco iminente de síndrome neuroléptica maligna.

Pessoas em uso contínuo das substâncias precisam relatar qualquer alteração na marcha ou sensação incomum nas extremidades durante as consultas médicas de rotina. Familiares e cuidadores devem acompanhar o aparecimento de dificuldades para calçar sapatos, tropeços frequentes e queixas de formigamento noturno. A Anvisa comunicou que os fabricantes dos medicamentos que associam levodopa a benserazida ou carbidopa receberam determinação formal para atualizar as bulas com as novas advertências sobre neuropatia e carência de piridoxina. O órgão federal orientou que qualquer evento adverso suspeito seja notificado diretamente pelos canais do sistema VigiMed.

Notificação de reações adversas nos canais federais de monitoramento

O monitoramento contínuo das suspeitas de neuropatia depende do envio regular de informes clínicos pelos hospitais.

A Anvisa mantém a plataforma eletrônica VigiMed aberta para o acolhimento de dados enviados por profissionais de saúde, pacientes e estabelecimentos farmacêuticos em território nacional. Os dados coletados alimentam o banco nacional de farmacovigilância e subsidiam eventuais decisões sobre restrições adicionais de lote ou rotulagem no país. Técnicos do setor de farmacovigilância analisam a causalidade de cada registro para mapear o perfil demográfico das pessoas mais vulneráveis à depleção de vitamina B6.

A fiscalização sanitária estabeleceu que as farmácias hospitalares e os postos de distribuição pública do Sistema Único de Saúde distribuam orientações impressas aos pacientes atendidos pelos programas governamentais de assistência farmacêutica para assegurar que nenhuma alteração na posologia dos comprimidos ocorra sem a anuência prévia e expressa do médico neurologista responsável pelo protocolo terapêutico de cada cidadão. As empresas farmacêuticas detentoras do registro comercial dessas moléculas no Brasil têm prazo regulamentar para protocolar a revisão dos impressos e das bulas digitais nos sistemas eletrônicos da agência federal em Brasília.