Cerca de 66% dos médicos adotam inteligência artificial no paísPor Janderson Luiz
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A empresa de tecnologia MV apurou que 66,1% dos médicos que atuam no Brasil recorrem a instrumentos de inteligência artificial de forma frequente ou pontual durante o atendimento hospitalar e ambulatorial em levantamento finalizado no início de 2026. A rotina hospitalar incorporou essas ferramentas digitais entre equipes assistenciais que antes debatiam apenas segurança técnica e regulamentação.
Ao analisar a ausência de rejeição dos especialistas aos novos programas digitais, o fundador e presidente executivo da empresa, Paulo Magnus, afirmou que “a IA serve como um assistente quase invisível dos profissionais, facilitando e automatizando processos e jamais substituindo o raciocínio médico”.
O diagnóstico lidera esse movimento. Conforme os registros da primeira edição do relatório MV Insights sobre a utilização desses recursos no país, 56,6% dos profissionais adeptos empregam os algoritmos como suporte em decisões da clínica prática. Essas atividades compreendem a análise de laudos médicos, a correlação automatizada de sintomas relatados pelos pacientes e a conferência de códigos da classificação internacional de doenças.
A pesquisa demonstrou que a confiança no meio digital entre os médicos que operam sistemas computacionais de maneira constante supera em 26% o índice registrado pelos colegas de profissão que nunca tiveram contato prático com tais aplicativos.
Os médicos recém-formados não lideram o interesse em financiar esses softwares do próprio bolso, contrariando a tese de maior abertura entre os profissionais mais jovens. O levantamento identificou que a decisão de compra individual decorre diretamente da conjunção entre estabilidade orçamentária e maturidade acumulada no exercício da medicina.
O grupo com período de graduação entre 6 e 20 anos apresentou disposição de 85,7% para pagar por licenças individuais, com investimento médio projetado em R$ 111 por mês, enquanto graduados recentes estimam aplicar R$ 65 mensais e médicos com mais tempo de carreira indicam valor de R$ 62 por mês.
O custo financeiro de implantação ou de manutenção das assinaturas apareceu como o principal obstáculo ao avanço da tecnologia, citado por 30,4% dos entrevistados. A complexidade técnica para integrar as novas aplicações aos sistemas legados de prontuário eletrônico e à administração clínica foi mencionada por 22,3% dos participantes.
Médicos vinculados ao Sistema Único de Saúde priorizam a relação de custo e retorno financeiro nas aquisições, ao passo que os contratados pela rede privada condicionam a adesão à oferta de capacitação profissional e à apresentação de evidências científicas validadas.
Magnus avaliou que a base técnica instalada nos hospitais sustenta uma fase de transição direta nas rotinas de trabalho das instituições. “Se no passado a digitalização esteve focada na informatização e nos prontuários eletrônicos, hoje a inteligência artificial é um elemento ativo na decisão clínica. Nosso compromisso é auxiliar os protagonistas desse ecossistema para garantir que a tecnologia seja uma parceira eficiente, segura e que apoie o lado humano do cuidado”, afirmou o executivo.
O relatório colheu respostas de 196 profissionais da área assistencial, grupo que incluiu 112 médicos formados e residentes distribuídos pelas cinco regiões brasileiras, com coletas executadas entre o segundo semestre de 2025 e o início de 2026.







