Estudo acha fóssil inédito de Diplodocus no leste da Espanha

fóssil de dinossauro

fóssil de dinossauro - Danny Ye/Shutterstock.com

Paleontólogos confirmaram a presença da primeira evidência óssea do dinossauro Diplodocus fora da América do Norte em estudo publicado em 14 de setembro de 2026 no periódico Journal of Vertebrate Paleontology. O registro amplia a distribuição geográfica conhecida dessa espécie gigante de réptil pré-histórico.

O grupo localizou diferentes vértebras e ossos chevron com idade calculada em cerca de 150 milhões de anos em um sítio geológico situado no leste da Espanha.

Profissionais da Fundação Dinópolis, instituição sediada em Teruel, realizaram o trabalho de campo na jazida de La Tejería, área pertencente ao município de El Castellar. Os técnicos afirmaram que o espécime agora integra uma lista crescente de grandes saurópodes catalogados naquela região.

O animal herbívoro de cauda longa e pescoço avantajado figura entre os dinossauros mais famosos do planeta, mas seus restos fósseis só existiam, até este trabalho, em território norte-americano.

Análise fóssil detalha esqueleto raro identificado na região

O relatório científico oficializado em 14 de setembro de 2026 classificou a estrutura localizada como “um dos esqueletos de diplodocídeos mais completos da Europa”. A constatação marca o avanço dos trabalhos de campo desenvolvidos no território espanhol.

O exame anatômico de 14 vértebras caudais e de peças chevron “revela que o material pode ser atribuído com confiança ao gênero Diplodocus”, agrupamento que pertence à família dos diplodocídeos e à ordem dos dinossauros saurópodes.

“Esta descoberta constitui a primeira evidência de Diplodocus fora da América do Norte (Formação Morrison) e é uma das provas mais fortes que sustentam o intercâmbio de faunas continentais entre a América do Norte e a Europa durante o Jurássico Superior”, afirmaram os responsáveis pela pesquisa. O estudo documentou a conexão direta entre os registros dos dois continentes.

O Diplodocus ganhou fama planetária por meio de réplicas como a ossada apelidada de “Dippy”, exposta no Museu de História Natural em Londres, embora os pesquisadores tenham afirmado que “o registro fóssil europeu de diplodocídeos é escasso e fragmentário”.

Caminhos terrestres explicam a travessia dos animais entre continentes

Os continentes começavam a se separar. As massas de terra ainda mantinham pontos de aproximação durante o período geológico em que os grandes animais habitavam essas áreas.

Cientistas formularam hipóteses nas últimas décadas indicando que o proto-Oceano Atlântico contava com pontes terrestres transitórias, recuos frequentes da água marinha e passagens geológicas passageiras que viabilizavam o deslocamento de grandes dinossauros por extensas distâncias territoriais em um momento no qual os blocos continentais se fragmentavam pelo globo.

Achados recentes de fósseis recolhidos em Portugal e na Espanha, perto da orla marítima atlântica, reforçam a teoria da migração pré-histórica. Esse território integrava uma faixa de terra contínua que unia a Península Ibérica ao espaço geográfico hoje ocupado pelo Canadá.

Os autores sustentaram que a descoberta “constitui uma das evidências mais fortes de eventos episódicos de dispersão e intercâmbio faunístico através do proto-Atlântico Norte durante o intervalo do Kimmeridgiano tardio ao Titoniano inicial”, época situada há aproximadamente 150 milhões de anos.

Um caminho secundário estabelecia a ligação física entre a América do Norte e a Escandinávia durante essa mesma era geológica. Uma passagem no setor meridional integrava as terras que formam o Brasil e o território atual de Camarões.