MP apura lesão grave de visitante em montanha-russa do Hopi Hari
O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito para apurar as causas dos ferimentos graves sofridos pela visitante Júlia Bossoni após andar na montanha-russa Montezum, localizada no parque Hopi Hari, em Vinhedo.
A jovem perdeu a mobilidade do lado esquerdo do corpo e apresenta dificuldades motoras severas desde o incidente ocorrido em abril.
A moradora de Londrina realizou o passeio na atração de madeira que atinge 103 km/h antes de retornar inconsciente à estação de embarque.
Internação e diagnóstico de traumatismo cranioencefálico
Os funcionários encaminharam a paciente para a Santa Casa de Vinhedo após os primeiros socorros prestados pela equipe interna de socorristas.
Os exames clínicos conduzidos logo após a chegada da jovem na unidade hospitalar constataram uma hemorragia intracraniana severa acompanhada por um grande edema cerebral que exigiu intervenção cirúrgica imediata da equipe chefiada pelo neurocirurgião Victor Batistela.
A equipe médica realizou craniectomia.
O laudo médico confirmou que a paciente permaneceu internada durante 57 dias em decorrência de traumatismo cranioencefálico gerado por desaceleração e movimento brusco do crânio.
A mãe da vítima, Danielle Rimolli, confirmou que a jovem foi submetida a sete procedimentos cirúrgicos e mantém rotina de fisioterapia contínua.
Investigação policial e histórico de incidentes no brinquedo
O promotor responsável pelo caso determinou a realização de perícia técnica nos trilhos e nos carrinhos operados na estrutura de 42 metros inaugurada em 1999.
Outros frequentadores registraram queixas semelhantes ligadas ao impacto sofrido durante as curvas da estrutura nos últimos anos.
A professora Nathalia Assenjo Motta colocou 12 pinos e duas hastes cervicais após passar pelo equipamento em 2018.
O motoboy Márcio perdeu os movimentos do corpo em 2014 pelo efeito chicote e faleceu em 2023 por infecção secundária.
Registros de consumidores somam pelo menos 40 relatos de fraturas e dores decorrentes da atração nos últimos dois anos.
O advogado João Erhardt acompanha os desdobramentos jurídicos relacionados às sequelas motoras diagnosticadas nos usuários.
Posicionamento da empresa e protocolos de segurança adotados
A administração do Hopi Hari informou que arcou com os custos médicos hospitalares de Júlia Bossoni e liberou apólice securitária aos familiares da jovem paranaense.
O parque declarou que a atração possui certificação expedida pelo Grupo TÜV Nord e cumpre a norma ABNT NBR 15926-2023.
Avisos sonoros e placas alertam sobre restrições para pessoas com problemas na coluna ou condições clínicas prévias antes do acesso à fila.
Um parecer do Ministério Público emitido em agosto de 2026 descartou negligência estrutural ou risco coletivo generalizado na operação do brinquedo.
Quais são as manutenções declaradas pelo parque
O estabelecimento detalhou a escala dos profissionais encarregados da conservação e fiscalização mecânica antes da abertura dos portões.
A rotina técnica de revisão preventiva envolve três áreas fundamentais:
- Técnico em mecânica com dedicação diária média de cinco horas na estrutura;
- Técnico em eletricidade responsável por duas horas de inspeção em sistemas;
- Equipe composta por 12 carpinteiros dedicados por sete horas aos suportes.
O complexo tem reforma ampla programada para o fim de 2026 na estrutura da Montezum.

