Acidentes

MP apura lesão grave de visitante em montanha-russa do Hopi Hari

Hopi Hari parque temático de SP
Hopi Hari parque temático de SP - Foto: Bruno Martins Imagens / Shutterstock.com

O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito para apurar as causas dos ferimentos graves sofridos pela visitante Júlia Bossoni após andar na montanha-russa Montezum, localizada no parque Hopi Hari, em Vinhedo.

A jovem perdeu a mobilidade do lado esquerdo do corpo e apresenta dificuldades motoras severas desde o incidente ocorrido em abril.

A moradora de Londrina realizou o passeio na atração de madeira que atinge 103 km/h antes de retornar inconsciente à estação de embarque.

Internação e diagnóstico de traumatismo cranioencefálico

montanha-russa do Hopi Hari – Globo

Foto: montanha-russa do Hopi Hari – Globo

Os funcionários encaminharam a paciente para a Santa Casa de Vinhedo após os primeiros socorros prestados pela equipe interna de socorristas.

Os exames clínicos conduzidos logo após a chegada da jovem na unidade hospitalar constataram uma hemorragia intracraniana severa acompanhada por um grande edema cerebral que exigiu intervenção cirúrgica imediata da equipe chefiada pelo neurocirurgião Victor Batistela.

A equipe médica realizou craniectomia.

O laudo médico confirmou que a paciente permaneceu internada durante 57 dias em decorrência de traumatismo cranioencefálico gerado por desaceleração e movimento brusco do crânio.

A mãe da vítima, Danielle Rimolli, confirmou que a jovem foi submetida a sete procedimentos cirúrgicos e mantém rotina de fisioterapia contínua.

Investigação policial e histórico de incidentes no brinquedo

O promotor responsável pelo caso determinou a realização de perícia técnica nos trilhos e nos carrinhos operados na estrutura de 42 metros inaugurada em 1999.

Outros frequentadores registraram queixas semelhantes ligadas ao impacto sofrido durante as curvas da estrutura nos últimos anos.

A professora Nathalia Assenjo Motta colocou 12 pinos e duas hastes cervicais após passar pelo equipamento em 2018.

O motoboy Márcio perdeu os movimentos do corpo em 2014 pelo efeito chicote e faleceu em 2023 por infecção secundária.

Registros de consumidores somam pelo menos 40 relatos de fraturas e dores decorrentes da atração nos últimos dois anos.

O advogado João Erhardt acompanha os desdobramentos jurídicos relacionados às sequelas motoras diagnosticadas nos usuários.

Posicionamento da empresa e protocolos de segurança adotados

A administração do Hopi Hari informou que arcou com os custos médicos hospitalares de Júlia Bossoni e liberou apólice securitária aos familiares da jovem paranaense.

O parque declarou que a atração possui certificação expedida pelo Grupo TÜV Nord e cumpre a norma ABNT NBR 15926-2023.

Avisos sonoros e placas alertam sobre restrições para pessoas com problemas na coluna ou condições clínicas prévias antes do acesso à fila.

Um parecer do Ministério Público emitido em agosto de 2026 descartou negligência estrutural ou risco coletivo generalizado na operação do brinquedo.

Quais são as manutenções declaradas pelo parque

O estabelecimento detalhou a escala dos profissionais encarregados da conservação e fiscalização mecânica antes da abertura dos portões.

A rotina técnica de revisão preventiva envolve três áreas fundamentais:

  • Técnico em mecânica com dedicação diária média de cinco horas na estrutura;
  • Técnico em eletricidade responsável por duas horas de inspeção em sistemas;
  • Equipe composta por 12 carpinteiros dedicados por sete horas aos suportes.

O complexo tem reforma ampla programada para o fim de 2026 na estrutura da Montezum.

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