Risco de apocalipse robótico? Especialistas revelam se a IA pode ter vontade própriaPor Thiago Lemos
4 min de leitura
![]() |
Executivos do setor tecnológico ampliaram as discussões sobre os riscos operacionais da inteligência artificial em 21 de setembro de 2026. Lideranças globais divergem sobre o ritmo adequado para o desenvolvimento da tecnologia.
O debate ganhou força após a publicação de um documento assinado por Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, cuja linha de raciocínio recebeu o apoio de Sam Altman, chefe da OpenAI, de Elon Musk, responsável pela xAI e pela plataforma X, e de Demis Hassabis, principal dirigente da Google DeepMind.
Em sentido oposto, Mark Zuckerberg, diretor-executivo da Meta, e Jensen Huang, comandante da Nvidia, rejeitaram qualquer proposta de desaceleração das pesquisas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também criticou publicamente os pedidos de interrupção nas atividades do setor.
Operação dos sistemas computacionais afasta risco de rebelião consciente
O professor Edney Souza, da ESPM, esclareceu que os programas de computador apenas calculam projeções estatísticas estruturadas a partir de dados fornecidos previamente.
A infraestrutura digital requer bilhões de dados com registros textuais, imagens e arquivos em vídeo para formular saídas. Essa base orienta respostas.
“Tudo que parece comportamento estranho ou mentira é uma ideia emprestada da própria base de treinamento, ou seja, dos dados e informações usados para treinar a tecnologia”, disse Edney Souza.
O professor Diogo Cortiz, da PUC-SP, afirmou que as ferramentas não possuem estrutura biológica ou mental para articular rebeliões contra a sociedade. Segundo o pesquisador, as plataformas continuam expandindo a capacidade técnica para resolver operações cada vez mais extensas e complexas.
O docente explicou que equívocos ou determinações prejudiciais decorrem de falhas técnicas do processamento interno, sem qualquer tomada de decisão consciente contrária aos interesses da população.
A ausência de consciência não impede que as ferramentas superem habilidades humanas em atividades específicas como retenção de memória e identificação ágil de padrões. Essas plataformas já ultrapassaram o desempenho de indivíduos na produção massiva de textos e imagens.
“Em tarefa que não depende de emoção, ela vai continuar ficando superior em cada vez mais domínios, e isso é rápido”, declarou Edney Souza.
A fundadora da Nura AI, Izabela Anholett, afirmou que a tecnologia não possui capacidade para exterminar a população de maneira autônoma, embora possa gerar prejuízos coletivos severos. A especialista lembrou que agentes utilizaram sistemas virtuais para formular novos vírus biológicos em 2026.
“Mas, de novo, não é a IA por si só, mas o ser humano por trás dela para criar isso”, afirmou Izabela Anholett.
Interesses de mercado e barreiras técnicas motivam propostas de moratória
O professor Diogo Cortiz afirmou que a capacidade de executar operações complexas legitima a apreensão sobre o setor. Modelos computacionais ampliam o escopo de atuação rotineiramente.
A movimentação em favor de uma pausa mistura preocupações reais de segurança com estratégias para resguardar posições financeiras no mercado.
“Me parece ser a combinação dos dois, até porque isso ajuda a fortalecer a mística de que esse tipo de tecnologia é inevitável e deve ser desenvolvida por quem se vende como os bonzinhos da história”, disse Cortiz. O professor detalhou aspectos econômicos da disputa.
O pesquisador apontou quatro elementos decisivos para entender o cenário internacional da tecnologia:
- Energia: os Estados Unidos enfrentam restrições na infraestrutura energética e atrasos nas obras de centros de processamento de dados para suprir os novos programas.
- Retorno financeiro: a demora na recuperação do capital investido gera incertezas para novas aplicações no setor corporativo.
- Concorrência da China: ferramentas desenvolvidas por empresas chinesas ampliam mercado exterior com preços inferiores e níveis operacionais similares aos produtos dos Estados Unidos.
- Regulação: imposição de normas governamentais rígidas amplia barreiras para competidores estreantes e beneficia grupos dominantes na indústria.







