Jatos E2 da Embraer avançam no mercado e somam pedidos recordes

Aeronave comercial E95-E2 é o maior jato comercial já produzido pela Embraer - Imprensa Embraer/DivulgaçãoAeronave comercial E95-E2 é o maior jato comercial já produzido pela Embraer - Imprensa Embraer/Divulgação

Aeronave comercial E95-E2 é o maior jato comercial já produzido pela Embraer - Imprensa Embraer/Divulgação

A fabricante brasileira Embraer e a norte-americana Honeywell investigam uma instabilidade no sinal de receptores de GPS que afetou a operação de aeronaves comerciais no complexo de São José dos Campos (SP) e provocou o cancelamento de mais de 80 voos da Azul Linhas Aéreas entre terça-feira (22) e quarta-feira (23). O incidente técnico ocorre no momento em que a família de aeronaves E2 consolida uma carteira histórica de encomendas e atrai clientes internacionais pela capacidade de entrega rápida.

A linha de jatos regionais superou a marca de 500 pedidos firmes e se tornou uma alternativa comercial à lentidão das fabricantes globais de fuselagem estreita. Em comunicado técnico enviado aos operadores, a Embraer informou que a pane no receptor não afeta a segurança das viagens devido aos sistemas de redundância: “A Embraer e a Honeywell estão investigando em conjunto o evento para determinar a causa e avaliar possíveis ações corretivas. Uma sala de crise foi estabelecida, com o envolvimento da liderança sênior, para garantir uma coordenação imediata e rápida da investigação para a resolução do evento.”

Embraer E190-E2 – Imprensa Embraer/Divulgação

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Investigação sobre a falha de sinal e o impacto na malha aérea

A anomalia registrada nesta semana teve origem na recepção do sinal de posicionamento por satélite da suíte aviônica Primus Epic 2.0, fornecida pela Honeywell para as aeronaves da nova geração. A falha técnica provocou transtornos para mais de 8 mil passageiros que dependiam de conexões pelo território brasileiro, gerando atrasos em cascata que sobrecarregaram o atendimento nos terminais aeroportuários.

O diretor-executivo da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, relatou a dificuldade das equipes em lidar com os cancelamentos imprevistos. “Ontem e hoje foram alguns dos dias mais difíceis desde que fundamos a Azul, com duas contingências que impactaram diretamente a nossa operação”, declarou o executivo, mencionando que a empresa enfrentou paralelamente uma queda de energia elétrica na infraestrutura do Aeroporto Internacional de Viracopos durante a madrugada de terça-feira (22).

Diferenciais técnicos da frota fabricada em São Paulo

Desenvolvida para o mercado de aviação regional e de média distância, a família E2 é composta por três variantes de aeronaves comerciais: o E175-E2, o E190-E2 e o maior modelo já construído na história da indústria aeroespacial brasileira, o E195-E2, projetado para transportar até 146 passageiros com alcance de até 5.556 quilômetros. Todas as versões são montadas nas instalações fabris da Embraer no interior paulista.

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O engenheiro mecânico Bruno Chieregatti, especialista do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), explica que a concepção mecânica dos aviões equilibra capacidade de passageiros com economia severa de combustível. “O E2 é uma aeronave do século XXI, que reúne muitas características que fazem esse avião ser diferenciado: projeto bem feito de massa, motores de nova geração, os mais modernos possíveis, e sistemas de navegação também muito modernos”, afirmou o especialista. Segundo Chieregatti, o porte das aeronaves permite atender cidades intermediárias sem a necessidade de direcionar os passageiros para grandes aeroportos centrais.

De acordo com levantamentos da Fundação Getulio Vargas (FGV), o querosene de aviação representou entre 17% e 36% de todas as despesas operacionais das grandes companhias aéreas ao longo de 2025. Esse consumo reduzido conferiu vantagem direta ao projeto nacional diante da oscilação dos custos de operação internacionais, viabilizando trechos regulares que não comportariam aeronaves maiores com ocupação parcial.

Gargalos de fornecedores aceleram a procura pelos jatos regionais

As dificuldades na cadeia global de suprimentos, acumuladas desde a crise sanitária internacional, provocaram um represamento na produção das duas maiores concorrentes mundiais do setor, a europeia Airbus e a norte-americana Boeing. Companhias aéreas enfrentam prazos de espera que chegam a dez anos para receber aeronaves novas de corredor único de grande capacidade.

A Embraer tem aproveitado essa saturação de mercado por conseguir montar e entregar um avião da série E2 em um prazo inferior a dois anos a partir da formalização do contrato. Essa rapidez produtiva fez com que a fabricante projetasse a entrega de 255 aeronaves ao longo de todo o ano de 2026, volume superior às 141 unidades entregues em 2021.

No encerramento do segundo trimestre de 2026, a carteira de pedidos firmes da Embraer atingiu US$ 34,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 177,7 bilhões, registrando o sétimo recorde trimestral consecutivo para o caixa da companhia. Além de atender frotas nos Estados Unidos, na Finlândia, na Índia, em Luxemburgo e na África do Sul, a fabricante mantém acordos comerciais com a Gol Linhas Aéreas para o fornecimento de 20 jatos E195-E2 e com a Latam Airlines, cuja encomenda de até 74 unidades tem início de integração programado para dezembro de 2026.

Marcos de desenvolvimento e expansão comercial da aeronave

  • 2017 — Apresentação oficial dos primeiros protótipos da linha E2 com foco no mercado de 70 a 150 assentos;
  • 24 de julho de 2026 — Fabricante brasileira comunica que sua carteira de encomendas atingiu o valor recorde de US$ 34,5 bilhões no encerramento do trimestre;
  • 22 de setembro de 2026 — Instabilidade na recepção do GPS atinge sistemas da Honeywell em jatos E2 e paralisa dezenas de voos regulares no país.

As equipes de engenharia da Embraer e da Honeywell continuam mobilizadas na identificação do componente exato de software ou hardware que gerou o bloqueio transitório do posicionamento por satélite nos sistemas de bordo.