A jornalista campo-grandense Stefany Roberta de Oliveira Maia, de 33 anos, mobiliza uma campanha de arrecadação financeira para obter quase R$ 6 milhões e custear a importação de um medicamento dos Estados Unidos contra um câncer raro de pulmão. Diagnosticada com a doença em estágio 4 e portadora de uma alteração genética incomum, ela tenta ter acesso ao fármaco zenocotuzumabe, substância aprovada pela agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA), mas ainda sem registro sanitário na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso comercial no Brasil.
Casada e mãe de uma menina de 3 anos, a paciente convive com a rápida evolução do tumor e metástases nas costelas, em duas vértebras da coluna e na cauda do pâncreas. “No começo de junho eu já não consegui nem dormir mais de tanta dor nas costas e peito. Eu tomava tudo que podia de remédio. As dores amenizavam mas logo voltava com força”, afirmou Stefany sobre as primeiras manifestações da enfermidade.
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Custo de importação e busca pelo zenocotuzumabe
A família realizou um orçamento formal com uma empresa especializada em comércio exterior farmacêutico e constatou que o fornecimento do zenocotuzumabe para um ciclo inicial de cinco meses atinge exatamente R$ 5.960.000,00. O montante abrange a aquisição das ampolas no mercado internacional, a logística de transporte aéreo com controle de temperatura e a tributação incidente sobre a entrada no território nacional. O esquema terapêutico desenhado prevê aplicações intravenosas com intervalo de 15 a 20 dias entre cada dose.
O zenocotuzumabe atua como um anticorpo biespecífico desenvolvido para se acoplar diretamente aos receptores HER2 e HER3 situados na superfície celular, bloqueando a transmissão de sinais químicos causados pela fusão gênica SLC3A2::NRG1. Em tumores de pulmão de não pequenas células, essa fusão molecular específica é classificada como ultrarrara pelos relatórios oncológicos e faz com que os métodos habituais de quimioterapia percam a capacidade de conter a multiplicação das células malignas em curto prazo.
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“O médico que me operou me chamou pra conversar e disse que minha situação era grave, e que o câncer já estava em estágio 4, que é o último estágio do câncer. Que eu não tinha cura, e que meu tratamento seria paliativo, apenas para ter qualidade de vida”, relatou Stefany. A paciente ressaltou a dificuldade de acesso à terapia-alvo: “Quando saiu o exame, foi constatado que a mutação que eu tinha era muito rara. Esse câncer é raro, de progressão rápida e difícil prognóstico, ou seja, com taxa de vida muito baixa. O único remédio que poderia ser direcionado a essa mutação existe apenas nos Estados Unidos, e se chama zenocotuzumabe”.
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Cronologia do diagnóstico e dos tratamentos
- 1 de fevereiro de 2025 — Stefany realiza exames de rotina nas mamas após sentir fisgadas no peito, mas os testes não apontam alterações.
- 9 de junho de 2025 — Paciente sente dor aguda no peito ao dirigir e busca socorro médico imediato sob suspeita de infarto.
- 10 de junho de 2025 — Entrada no Hospital do Pênfigo, em Campo Grande, onde tomografia revela derrame pleural e massa no tórax.
- 1 de julho de 2025 — Início do primeiro esquema de quimioterapia tradicional após confirmação diagnóstica de câncer em estágio 4.
- 30 de abril de 2026 — Período aproximado em que Stefany começa o uso de afatinibe por via oral na tentativa de conter a doença.
- 8 de setembro de 2026 — Primeira sessão de uma nova linha quimioterápica diante do avanço tumoral para as vértebras e o pâncreas.
- 15 de setembro de 2026 — Alta hospitalar após internação decorrente da queda severa nas taxas dos exames de sangue.
Recurso aos tribunais e campanha de arrecadação
O agravamento do quadro clínico fez a família ingressar com medidas judiciais e acionar a operadora do plano de assistência à saúde para exigir a cobertura financeira integral do tratamento biológico. Como o procedimento perante os órgãos de controle e a Justiça costuma demandar prazos superiores à tolerância biológica da paciente, os parentes abriram uma vaquinha online aberta à sociedade civil para antecipar a compra dos primeiros frascos.
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“Ficamos chocados com o valor. Então resolvemos fazer uma vaquinha. Estamos desesperados atrás dessa medicação, porque ela pode ser minha salvação. As quimioterapias não estão surtindo efeito”, explicou a jornalista em depoimento. Ela resumiu a urgência da mobilização em razão dos danos físicos contínuos: “Cada dia que passa eu pioro mais um pouco. Então estamos correndo contra o tempo para que eu possa viver”.
Não há manifestação pública ou decisão liminar confirmada sobre os processos judiciais e o requerimento junto à operadora de saúde para o fornecimento do medicamento. O montante arrecadado em tempo real na vaquinha não consta atualizado nos canais oficiais de acompanhamento, enquanto a defesa da jornalista aguarda as deliberações das autoridades sobre o pedido de importação em caráter emergencial.
