Marcos Lamacchia arremata 90% da SAF do Vasco em leilão no Tribunal do Rio

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Vasco da gama - Foto: Instagram

A empresa Almirante Participações e Empreendimentos S.A., controlada pelo empresário Marcos Faria Lamacchia, venceu o leilão judicial para a compra de 90% das ações da SAF do Vasco. O resultado foi homologado na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro por volta das 14h50 desta sexta-feira (25).

A companhia atuou como compradora preferencial e acabou sendo a única a apresentar proposta formal na audiência. Logo após a definição em juízo, o empresário Mário Junqueira, sócio de Marcos Lamacchia no empreendimento, projetou as metas do grupo vascaíno: “Vai ser o maior projeto esportivo da América do Sul”.

Divisão dos investimentos e compromissos financeiros

A operação engloba um compromisso financeiro total estimado em R$ 2 bilhões, valor que compreende a assunção de passivos e os pagamentos devidos aos credores listados no processo de recuperação judicial do clube associativo. Do montante global, R$ 500 milhões serão voltados exclusivamente ao departamento de futebol profissional, divididos em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões com desembolsos previstos entre os anos de 2026 e 2030.

Além das parcelas esportivas, o consórcio vencedor estruturou aportes para infraestrutura e patrimônio do clube:

  • R$ 27 milhões em caução judicial depositada para cobrir dois anos da recuperação judicial;
  • R$ 30 milhões alocados para a modernização das categorias de base no período de dois anos;
  • R$ 120 milhões investidos nas instalações do Centro de Treinamento ao longo de 10 anos;
  • R$ 500 milhões exclusivos para o futebol em cinco cotas anuais de R$ 100 milhões de 2026 a 2030.

Presenças no fórum e ligação familiar na operação

Marcos Lamacchia, fundador da Blue Star e filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa, não compareceu pessoalmente ao fórum central da Justiça fluminense. Ele esteve representado na sessão pelo sócio Mário Junqueira e pelo advogado André Sica. Pela cúpula diretiva do Club de Regatas Vasco da Gama, compareceram o presidente Pedro Paulo de Oliveira, o Pedrinho, e o CEO da Vasco SAF, Fred Luz.

Por ser enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras e casada com José Roberto Lamacchia, a transação passou a ser alvo de apurações regulatórias. O processo tramita sob escrutínio da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) e de comissões da CBF para checar possíveis conflitos de interesse entre as agremiações esportivas. Como medida cautelar de governança e fair play financeiro, ficaram proibidas relações comerciais diretas entre Vasco e Palmeiras, transferências de atletas entre as duas equipes e contratos de patrocínio com a Crefisa.

Rompe com gestora norte-americana e leilão judicial

A convocação da concorrência pública decorreu de uma exigência legal da recuperação judicial da SAF do Vasco. O plano foi desenhado para contornar a crise financeira deflagrada após o rompimento formal com a empresa norte-americana 777 Partners, antiga compradora do controle acionário do futebol cruz-maltino. A busca por um novo investidor seguiu as etapas do processo competitivo estabelecidas pela legislação falimentar brasileira.

  • 2026 — Ruptura com a 777 Partners e entrada na recuperação judicial na Justiça fluminense;
  • 2026 — Estruturação do modelo com a Almirante Participações na posição de compradora preferencial;
  • 25 de setembro de 2026 — Homologação da vitória da empresa na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.

Trâmites internos e etapas seguintes da aquisição

A homologação pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro não encerra o rito de transferência das ações da SAF. A proposta comercial precisa ser submetida e votada pelos conselheiros no Conselho Deliberativo do Vasco e, na sequência, passar por validação dos associados reunidos em Assembleia Geral Extraordinária.

O prazo final para o parecer conclusivo da Anresf sobre conflito de interesses segue em aberto. A posse definitiva das ações e a liberação das primeiras verbas contratuais dependem tanto do desfecho dessa investigação regulatória quanto da aprovação interna dos órgãos societários do clube.