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Desenrola Fies renegocia R$ 7,39 bilhões em dívidas de estudantes: veja como participar

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desenrola fies - Foto: Divulgação

O Desenrola Fies 2026 atingiu a marca de 138.664 contratos renegociados em todo o território nacional, alcançando um volume total de R$ 7,39 bilhões em débitos acumulados de financiamento estudantil. A aplicação das faixas de desconto previstas nas regras federais reduziu a dívida consolidada para R$ 1,54 bilhão, o que gerou um abatimento de aproximadamente R$ 5,85 bilhões para os estudantes participantes.

Os dados constam do balanço divulgado pelo Ministério da Educação, elaborado a partir do levantamento conjunto realizado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil com data de corte em 17 de setembro de 2026. As validações imediatas dos termos de repactuação injetaram R$ 338,6 milhões nos cofres públicos a título de pagamento de parcelas de entrada.

Faixas do Desenrola Fies concentram maior volume nos atrasos longos

A maior fatia das repactuações ocorreu na modalidade voltada a beneficiários com atraso superior a 360 dias, sem enquadramento nos critérios do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal. Esse grupo, contemplado com 77% de abatimento nos valores, somou 92.828 contratos regularizados. O montante inicial de débitos correspondia a R$ 5,19 bilhões, que diminuiu para R$ 1,19 bilhão após a incidência dos benefícios financeiros calculados pelos bancos estatais.

Para os estudantes inscritos no CadÚnico que possuíam contratos em aberto com atrasos expressivos, as condições estabelecidas concederam os maiores percentuais de alívio da rodada. A faixa que fixou 92% de desconto totalizou 28.209 termos assinados em todo o país. O saldo original, que representava R$ 1,58 bilhão sob cobrança, passou para R$ 126,2 milhões a serem quitados conforme os cronogramas fixados junto às instituições operadoras.

Houve ainda um segmento específico destinado aos cadastrados no CadÚnico com histórico de inadimplência superior a cinco anos. Nessa categoria de 99% de dedução sobre os encargos e principal, foram formalizados 7.398 acordos. A dívida acumulada de R$ 394,6 milhões caiu para R$ 3,9 milhões, permitindo a regularização documental definitiva da maioria dos beneficiários atendidos por esse recorte social.

Leia também: Prazo para renegociar contratos do Fies 2026 acaba no dia 31

Regras de parcelamento e quitação do Fies 2026

O balanço oficial detalhou o comportamento de contratos com atrasos menores ou que mantinham a adimplência antes da abertura do período extraordinário de regularização promovido pelo governo federal. Nem todos os públicos tiveram direito a descontos sobre o montante principal, havendo linhas direcionadas ao alongamento de prazo e parcelamento de juros acumulados.

  • Atrasos acima de 90 dias com parcelamento sem desconto no valor principal: 4.233 contratos fechados, envolvendo R$ 175,1 milhões em dívidas e fixando saldo remanescente de R$ 171,2 milhões.
  • Estudantes adimplentes ou com atraso de até 90 dias com desconto de 12% para quitação à vista: 5.996 contratos negociados, com redução de R$ 52,5 milhões em débitos para R$ 46,3 milhões.
  • Atrasos superiores a 360 dias com desconto de 77%: 92.828 acordos, com queda de R$ 5,19 bilhões em débitos para R$ 1,19 bilhão.
  • Inscritos no CadÚnico com dívida vencida e desconto de 92%: 28.209 acordos, reduzindo a cobrança de R$ 1,58 bilhão para R$ 126,2 milhões.
  • Inscritos no CadÚnico com débitos atrasados há mais de cinco anos e desconto de 99%: 7.398 contratos renegociados, com diminuição de R$ 394,6 milhões para R$ 3,9 milhões.

Requisitos de acesso e canais de atendimento da Caixa e do Banco do Brasil

O programa estabeleceu critérios técnicos rígidos para definir quem poderia renegociar os débitos durante a vigência do calendário oficial. As regras exigiram que o contrato do Fundo de Financiamento Estudantil tivesse sido formalizado até o ano de 2017 e que a operação já estivesse formalmente na etapa de amortização em 4 de maio de 2026. O cronograma de recebimento de pedidos operou entre 13 de maio de 2026 e 31 de agosto de 2026.

Os estudantes aptos puderam realizar os procedimentos sem intermediários por meio dos canais oficiais dos agentes financeiros responsáveis pela custódia das operações. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil disponibilizaram o acesso por aplicativos para dispositivos móveis, plataformas de internet banking e presencialmente em suas agências bancárias distribuídas pelas capitais e municípios do interior do país, nas quais os interessados conferiam as simulações e emitiam o boleto correspondente à parcela de entrada exigida para homologação.

A confirmação do benefício dependia obrigatoriamente do pagamento dessa primeira parcela até a data de vencimento expressa na guia bancária gerada pelo sistema. O não recolhimento tempestivo do valor de entrada invalidava a repactuação negociada, mantendo o estudante sujeito aos valores originais e às medidas restritivas de crédito vinculadas ao contrato não saneado.

Histórico do Fies e foco nos contratos antigos

As normas operacionais do Desenrola Fies em 2026 foram desenhadas para conter o passivo decorrente de financiamentos celebrados sob o modelo anterior da política pública educacional. Contratos assinados até o encerramento do exercício de 2017 concentravam os índices mais severos de inadimplência crônica, reflexo de períodos prolongados de amortização sem amortecimento correspondente na renda de egressos do ensino superior.

A calibragem dos descontos, com alívio mais contundente direcionado às famílias em situação de vulnerabilidade inscritas no CadÚnico, visou esvaziar cobranças judiciais e extrajudiciais consideradas de difícil recuperação pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. A estratégia de exigir uma contrapartida de entrada financeira foi mantida pelas equipes econômicas federais para garantir a solvência mínima dos fundos garantidores e atestar a capacidade de adimplemento das novas parcelas pactuadas.

Com o encerramento das adesões em 31 de agosto de 2026, o Ministério da Educação e o governo federal não anunciaram se haverá uma nova prorrogação ou rodada suplementar de renegociação voltada ao Fies nos próximos meses de 2026. O cronograma operacional atual segue restrito ao processamento dos acordos já firmados e ao monitoramento dos pagamentos das parcelas que vencerão ao longo dos próximos meses nos agentes financeiros credenciados.

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