Os computadores pessoais perderam a maioria absoluta do consumo mundial de memória DRAM, de acordo com levantamento da consultoria IHS iSuppli realizado em El Segundo, na Califórnia. A fatia dos equipamentos caiu para 49% no segundo trimestre de 2012, marcando a primeira vez desde o início da década de 1980 em que o setor tradicional de informática não respondeu por mais da metade da demanda global desse tipo de chip semicondutor.
O índice representa uma retração em relação ao primeiro trimestre daquele ano, quando os PCs ainda concentravam 50,2% das compras internacionais de módulos de memória dinâmica de acesso aleatório. “Os computadores não estão mais gerando o tipo de crescimento e tamanho de mercado avassalador capaz de conduzir sozinhos a demanda, os preços e as tendências de tecnologia em alguns dos principais negócios do setor”, afirmou o analista da IHS iSuppli Clifford Leimbach, em tradução livre.
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Divisão do consumo global de chips DRAM em 2012
A perda da liderança isolada dos computadores ocorreu pela redistribuição das encomendas em múltiplos segmentos da indústria eletrônica. Enquanto os computadores de mesa e notebooks ficaram com 49% do fornecimento de DRAM, os aparelhos celulares inteligentes responderam por pouco mais de 13% do volume, e os tablets representaram 2,7% da procura global. O volume restante de aproximadamente 35% ficou pulverizado entre servidores corporativos, estações de trabalho e eletrônicos de consumo.
O analista Clifford Leimbach declarou que a transformação estrutural simboliza a chamada era pós-PC. “O que a era pós-PC realmente significa é que os computadores pessoais não estão mais no centro do universo da tecnologia”, disse o pesquisador em tradução livre, ao detalhar que o consumo de memória passou a ser dividido entre aparelhos individuais móveis e infraestruturas conectadas.
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Números e projeções da consultoria técnica IHS iSuppli
- Participação dos PCs no primeiro trimestre de 2012: 50,2% da demanda mundial.
- Fatia dos PCs no segundo trimestre de 2012: 49,0% do consumo total de chips.
- Demanda de celulares no segundo trimestre de 2012: pouco mais de 13%.
- Participação de tablets no segundo trimestre de 2012: 2,7% do mercado.
- Projeção da IHS iSuppli para o quarto trimestre de 2013: 42,8% para os computadores.
Projeção de queda para os computadores pessoais
A pesquisa da IHS iSuppli calculou que a retração dos computadores na demanda de memória DRAM continuaria em ritmo constante nos trimestres seguintes. A projeção técnica apontou que a fatia dos computadores pessoais cairia para 42,8% até o quarto trimestre de 2013, à medida que a fabricação de dispositivos portáteis e o uso de sistemas em servidores aumentavam em escala global.
A perda de espaço percentual nas fábricas de chips não foi decorrência de queda na qualidade dos computadores pessoais, mas sim do ritmo acelerado de expansão dos dispositivos individuais de comunicação. Computadores costumam ser compartilhados entre integrantes de uma mesma família ou em escritórios corporativos, enquanto telefones celulares e tablets são bens de consumo individual, o que impulsionou o volume total de unidades comercializadas e dispersou o fornecimento dos componentes.
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Dados do levantamento sobre o mercado de memórias
- Data da publicação do relatório: 14 de setembro de 2012.
- Local de emissão do estudo: El Segundo, Califórnia, Estados Unidos.
- Consultoria responsável pela análise: IHS iSuppli.
- Período de referência dos dados consolidados: segundo trimestre de 2012.
O movimento registrado em 2012 antecedeu a ultrapassagem definitiva dos computadores pessoais exclusivamente pelo segmento de telefones inteligentes, consolidada em 2014, período a partir do qual a indústria de chips passou a responder a novos padrões de mobilidade e a investimentos em infraestrutura digital.

