Ônibus do transporte público no Distrito Federal circulam normalmente nesta segunda-feira (28 de setembro de 2026), após os rodoviários suspenderem a greve geral convocada para o início desta semana. O encerramento da mobilização ocorreu após a categoria aceitar a proposta de recomposição salarial de 8%, além de reajuste de 10% no tíquete-refeição e no auxílio de cesta básica.
O encerramento do indicativo de paralisação foi comunicado pela liderança da categoria após reunião com o governo distrital e as concessionárias. “Em nome da diretoria, venho comunicar que através de uma reunião realizada com a secretária da Semob e representantes chegamos a um acordo de 8% de reajuste no salário, 10% no ticket e 10% na cesta. Deveremos comparecer na madrugada retornando seu trabalho nos devidos horários”, afirmou o presidente e diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Terrestres do Distrito Federal (Sinttrater-DF), João Dão.
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Reajuste salarial de 8% e garantia da função de cobrador no DF
O índice de 8% acertado entre as partes repõe as perdas financeiras acumuladas e assegura ganho real aos trabalhadores do sistema rodoviário. O cálculo toma como base a inflação acumulada de 4,11% registrada até a data-base de 1º de agosto de 2026, gerando um ganho real estimado de 1,82% sobre a folha salarial da categoria profissional em atividade nas bacias operacionais do Distrito Federal.
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Além da recomposição remuneratória direta, o termo negociado garantiu a manutenção integral dos postos de trabalho dos cobradores durante todo o período de vigência da nova convenção coletiva. As empresas concessionárias também assumiram o compromisso formal de quitar os valores retroativos devidos desde 1º de agosto de 2026 em parcela única, que será depositada diretamente na folha de pagamento referente a outubro de 2026.
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A circulação dos coletivos registrou movimentação tranquila nas primeiras horas da manhã nos terminais de integração e na Rodoviária do Plano Piloto. Usuários relataram menor tempo de espera nas paradas em comparação com dias de mobilização sindical, embora o fluxo de passageiros tenha se mostrado reduzido em razão das incertezas geradas pelo anúncio prévio da paralisação.
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Valores e prazos estabelecidos no acordo dos rodoviários do DF
Os novos índices econômicos e as regras acordadas entre a representação dos trabalhadores e as empresas prestadoras do serviço foram estruturados nos seguintes termos:
- Reajuste salarial: aumento direto de 8% sobre a remuneração dos trabalhadores rodoviários
- Benefícios de alimentação: elevação de 10% nos valores do tíquete-refeição e da cesta básica
- Pagamento retroativo: quitação integral referente à data-base de 1º de agosto de 2026 em parcela única na folha de outubro de 2026
- Empregos preservados: garantia expressa de permanência dos cobradores nos coletivos na vigência do acordo
- Ganho real: percentual de 1,82% acima da inflação apurada de 4,11% no período anual
Negociações entre Sinttrater-DF e concessionárias superaram dez reuniões
O desfecho favorável à manutenção do transporte ocorreu no fim da noite de domingo (27 de setembro de 2026), às 22h50, durante rodada extraordinária de conversas intermediada pela titular da Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF), Sandra Maria Holanda França. O encontro reuniu os representantes das concessionárias Bsbus, Piracicabana, Pioneira, Marechal e Urbi-HP, pondo fim a uma série de impasses acumulados desde julho de 2026, quando as tratativas salariais foram abertas e ultrapassaram dez reuniões formais.
Mais cedo, na manhã de domingo (27), a categoria havia aprovado a deflagração da greve por unanimidade durante assembleia geral realizada no estacionamento do Conic, no centro de Brasília. A decisão unânime ocorreu após os rodoviários rejeitarem uma contraproposta intermediária encaminhada pelas operadoras no sábado (26 de setembro de 2026), que oferecia 6% de recomposição nos vencimentos sem atender aos patamares exigidos para o tíquete e a cesta básica.
A categoria já mantinha o estado de greve desde domingo (20 de setembro de 2026), quando realizou a primeira deliberação formal sobre a falta de avanços salariais. O impasse se estendeu diante da alegação inicial das empresas sobre os custos operacionais do sistema, cenário que exigiu a intervenção direta da pasta de mobilidade urbana distrital para viabilizar um consenso tarifário e orçamentário.
Decisão do TRT da 10ª Região fixava frota mínima durante as eleições de 2026
Antes do encerramento das tratativas entre sindicato e empresas, o desembargador Dorival Borges de Souza Neto, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), havia concedido medida liminar determinando parâmetros rigorosos para o funcionamento do transporte. A decisão atendeu a uma ação ingressada pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal em nome da governadora em exercício do DF, Celina Leão, que apontava riscos de desabastecimento das linhas a poucos dias do primeiro turno eleitoral.
A determinação da Justiça do Trabalho estabelecia a obrigatoriedade de circulação de pelo menos 80% da frota de ônibus nos horários de pico e de 50% nos períodos de menor demanda. O despacho judicial também ordenava o fornecimento de 100% da frota em operação nos dias de votação de primeiro e de segundo turno das eleições gerais de 2026, com aplicação de multa horária que variava entre R$ 100 mil e R$ 200 mil em caso de descumprimento.
Homologação final das cláusulas da convenção coletiva do DF
As lideranças sindicais e os representantes das cinco empresas de ônibus realizam reuniões de acompanhamento nesta segunda-feira (28) para redigir a versão definitiva dos termos pactuados. A formalização jurídica e a homologação do documento final pela autoridade trabalhista aguardam a conclusão dessa etapa técnica, consolidando as regras que passam a vigorar para todo o sistema de transporte coletivo do Distrito Federal.
