O mercado residencial de Tóquio assumiu a segunda colocação mundial no índice de risco de bolha imobiliária de 2026, ficando atrás somente de Zurique, na Suíça. O levantamento internacional elaborado pelo banco UBS avaliou 23 grandes cidades globais e apontou que os preços dos imóveis na capital japonesa avançaram significativamente acima do rendimento médio da população trabalhadora.
Zurique e Tóquio foram as únicas cidades do planeta classificadas na faixa de alto risco de bolha residencial entre todas as grandes cidades acompanhadas pela instituição financeira nesta temporada. Em comunicado oficial sobre o levantamento, o banco declarou, em tradução livre: “Entre as cidades analisadas no UBS Global Real Estate Bubble Index 2026, Zurique e Tóquio estão classificadas como de alto risco de bolha imobiliária. Miami, que liderou as duas últimas edições, recuou para a categoria de risco elevado, juntando-se a Dubai, Seul, Genebra e Lisboa”.
Tóquio registra pontuação de 1,54 no relatório divulgado pelo UBS
Os dados técnicos apurados na 12ª edição anual do estudo mostram que a capital japonesa marcou 1,54 ponto no indicador geral, ultrapassando o patamar de 1,5 ponto adotado pela instituição para determinar mercados com risco elevado de descolamento de fundamentos econômicos. Zurique permaneceu no topo absoluto da listagem com pontuação de 1,69, ao passo que Miami desceu para a terceira colocação geral com índice de 1,41.
- Data oficial de divulgação do relatório: 22 de setembro de 2026, às 10h pelo horário de Zurique
- Locais de apuração dos dados centrais: Zurique, na Suíça, e Tóquio, no Japão
- Instituição financeira responsável pela pesquisa: banco suíço UBS
- Grandes cidades avaliadas no estudo global: 23 centros urbanos
- Pontuação de Tóquio no índice de risco: 1,54 ponto
- Variação real dos preços residenciais em Tóquio: alta de 6,0% no período de um ano
Preços de apartamentos em Tóquio superam dez anos de renda de trabalhadores
O encarecimento das unidades residenciais em Tóquio gerou barreiras expressivas para quem depende do salário para viver próximo ao trabalho. A aquisição de um apartamento padrão de 60 metros quadrados em bairros vizinhos à região central passou a exigir o equivalente a 10 anos de remuneração média integral de um profissional qualificado atuante no setor de serviços. Esse descompasso ocorreu em um ano em que os valores residenciais na cidade cresceram 6,0% em termos reais, descontada a inflação, superando com larga folga a alta média global de 0,5% apurada no conjunto das 23 cidades pesquisadas.
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Segundo os autores do levantamento os economistas Claudio Saputelli, Matthias Holzhey e Maciej Skoczek, integrantes da divisão Global Wealth Management do UBS, além do analista Kazumasa Ishii, que atuou na cobertura local japonesa, a procura imobiliária em Tóquio continuou sustentada por fluxos de migração internacional, recomposição de poder de compra de famílias e investimento estrangeiro focado em edifícios de alto padrão. Essa concorrência fez com que muitos moradores locais fossem forçados a buscar alternativas em regiões suburbanas mais afastadas ou a migrar de forma permanente para contratos de aluguel residencial.
Metodologia do banco UBS analisa indicadores e compara capitais globais
O índice estruturado pelo UBS avalia o risco de formação de bolhas cruzando diversas variáveis econômicas de longo prazo, tais como a relação entre o preço dos imóveis e o rendimento salarial das famílias, a proporção entre valor de compra e taxa de aluguel, o ritmo de expansão do crédito hipotecário e o volume total da construção civil em comparação com médias históricas locais. Na edição anterior do relatório, publicada em 2025, Miami figurava no topo com pontuação de 1,73, época em que Zurique e Tóquio já haviam ultrapassado o limite crítico de 1,5 ponto.
Na comparação com outras capitais introduzidas na amostragem em 2026, Lisboa e Seul entraram diretamente no pelotão de risco elevado e registraram os maiores aumentos de pontuação de desequilíbrio na rodada anual de medição. No lado oposto da tabela, a cidade de São Paulo manteve-se posicionada na faixa de baixo risco de bolha residencial, figurando no mesmo patamar de estabilidade de mercados consolidados como Nova York, San Francisco, Londres e Paris.
Custo de financiamento em Tóquio pode desencadear correção nos próximos períodos
Os analistas do UBS indicaram que o ciclo prolongado de expansão imobiliária na capital japonesa apresenta sinais de aproximação de seu limite operacional. O relatório adverte que novos aumentos nas taxas de financiamento hipotecário reduziriam a atratividade do investimento imobiliário, abrindo caminho para uma possível correção nos patamares praticados no mercado.
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O estudo econômico não estabelece uma data ou prazo determinado para que uma eventual desvalorização imobiliária ocorra nas regiões avaliadas, limitando-se a registrar a vulnerabilidade estrutural das cidades frente a mudanças macroeconômicas futuras.
