Ministério da Saúde prevê canetas emagrecedoras no SUS com custo de R$ 1,5 bi

Canetas emagrecedoras - Varlay/ istockphoto.comCanetas emagrecedoras - Varlay/ istockphoto.com

Canetas emagrecedoras - Varlay/ istockphoto.com

O Ministério da Saúde calcula que a incorporação de canetas emagrecedoras ao Sistema Único de Saúde terá orçamento anual de cerca de R$ 1,5 bilhão. A projeção da pasta é alcançar um abatimento de 80% a 90% nos valores de compra junto aos laboratórios, apoiando-se no volume das aquisições públicas e no avanço da fabricação dos medicamentos no mercado brasileiro.

Os descontos previstos incidem diretamente sobre a despesa do governo federal na compra em larga escala, mantendo a entrega totalmente gratuita para os pacientes que tiverem prescrição médica na rede pública. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a estratégia de barateamento começou a ser montada no ano anterior, com estímulos regulatórios à produção local e o fim da exclusividade de fórmulas no país.

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Alexandre Padilha detalha planos de compra e produção de canetas emagrecedoras

Foto: Canetas emagrecedoras – Foto: Caroline Ruda/Shutterstock.com

“Fizemos uma série de ações que favorecem um novo cenário. Barramos a tentativa de prorrogação da patente, viabilizamos a produção nacional e chamamos fabricantes a registrar novos produtos no país. Conseguimos ampliar o acesso. Deixou de ser só para ricos”, declarou Padilha. Segundo ele, o impacto das medidas já provocou reflexos no comércio farmacêutico tradicional e abre espaço para valores ainda menores nas licitações governamentais.

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“Na farmácia, o preço já está 70% mais barato. Quando você pensa na escala de compras do SUS, com produção local, isso nos traz a possibilidade de uma redução de 80% a 90% do preço. Estamos projetando que, a um custo de R$ 1,5 bilhão ao ano, a gente consegue trazer esses produtos e incorporar no SUS”, complementou o ministro, ao ressaltar que os fármacos devem atuar integrados a cuidados nutricionais e prática de exercícios físicos.

O titular da pasta enfatizou a finalidade terapêutica da medida, voltada ao tratamento de um agravo crônico de saúde pública que avança sobre a população. “Não estamos falando de incorporar um milagre estético, mas uma medicação que, combinada com outras ações de alimentação, atividade física, certamente poderá ter um impacto muito positivo, inclusive de custos para o sistema de saúde”, disse Padilha.

Como funciona a análise da Conitec para a semaglutida e a liraglutida?

A oferta gratuita depende da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, órgão responsável por avaliar segurança clínica, custo-efetividade e impacto nas contas da União. O Ministério da Saúde protocolou a solicitação técnica de análise em 24 de setembro de 2026, englobando as substâncias ativas semaglutida e liraglutida, que atuam como agonistas do receptor de GLP-1, substância biológica que auxilia no controle da saciedade e dos níveis de glicose no sangue.

O processo regulatório dentro da comissão segue ritos determinados pela legislação sanitária, exigindo consultas com a sociedade e avaliação detalhada de desfechos em saúde antes de qualquer compra centralizada:

  • Prazo inicial de análise técnica de até 180 dias após a abertura do protocolo;
  • Prorrogação regimental permitida por mais 90 dias caso haja necessidade de novos estudos;
  • Abertura de consulta pública para receber contribuições de cidadãos, médicos e entidades;
  • Emissão de relatório final conclusivo para homologação do secretário de Ciência e Tecnologia.

Mercado nacional e estatísticas do tratamento com agonistas de GLP-1

A estratégia do governo ocorre em um período de forte crescimento na procura por medicamentos da classe GLP-1 em território nacional. Relatórios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária registram que o contingente de indivíduos que utilizam esses tratamentos mensalmente no país saltou de 400 mil para mais de 750 mil, sustentado pela entrada de opções genéricas e similares nas drogarias particulares ao longo dos últimos meses.

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No recorte epidemiológico, levantamentos oficiais indicam que o índice de obesidade entre a população adulta no Brasil chegou a 25,7% em 2024, patamar representativamente superior aos 11,8% diagnosticados em 2006. Em escala global, a Organização Mundial da Saúde publicou diretriz no encerramento de 2025 aconselhando governos a ampliarem o acesso equitativo a terapias com GLP-1 para mitigar agravos como diabetes tipo 2 e problemas cardíacos.

Os principais números que fundamentam o processo de análise e a estrutura de mercado incluem:

  • R$ 1,5 bilhão: estimativa anual de gastos do Ministério da Saúde para o fornecimento no SUS;
  • 80% a 90%: percentual estimado de desconto governamental obtido nas compras em grande quantidade;
  • 70%: redução observada no valor dos medicamentos no varejo privado após o aumento de concorrentes;
  • 16: novos produtos genéricos e similares autorizados pela Anvisa em 2026, sendo 4 com fabricação nacional;
  • R$ 6,8 bilhões em 5 anos: montante orçamentário calculado pela Conitec em agosto de 2025 ao indeferir solicitação prévia da farmacêutica Novo Nordisk.

Cronograma, testes preliminares e etapas pendentes no sistema público

A intenção de fornecer o remédio na rede básica foi citada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 17 de setembro de 2026, durante agenda oficial em Montes Claros, em Minas Gerais, na fábrica da farmacêutica Eurofarma. Em paralelo aos trâmites da Conitec, o governo federal mantém em andamento um projeto-piloto com 250 pessoas em acompanhamento clínico regular para medir a resposta terapêutica e conferir eventuais reduções em internações, procedimentos bariátricos e eventos cardiovasculares agudos.

Apesar da tramitação da proposta, o Ministério da Saúde ainda não publicou o protocolo clínico definitivo que regerá os atendimentos nos postos. Seguem pendentes de definição formal a data de início da dispensação nas unidades básicas, as apresentações e marcas específicas que vencerão os certames de compras e a delimitação do público prioritário a ser atendido primeiro.