A espaçonave Starliner receberá um repasse adicional de US$ 359 milhões da Nasa para que a Boeing reformule os sistemas de propulsão e adapte a cápsula ao foguete Vulcan Centaur. O novo planejamento estabelece a realização de um voo não tripulado de carga no fim de 2026 e transfere o próximo lançamento com astronautas para meados de 2028.
O anúncio ocorreu após uma série de análises técnicas decorrentes dos problemas mecânicos enfrentados em órbita durante a missão de 2024. Com o novo aporte, o administrador da Nasa, Jared Isaacman, defendeu a continuidade da parceria. “Dado o nosso longo histórico com a Starliner e o investimento já feito pelos contribuintes, acreditamos que ela representa o caminho mais rápido para preservar um acesso tripulado confiável à órbita baixa da Terra”, afirmou Isaacman durante a apresentação oficial do plano.
Starliner e o plano de financiamento da agência espacial
O montante de US$ 359 milhões concedido pela agência espacial norte-americana será direcionado para implementar correções estruturais nos motores da cápsula e bancar a certificação da nave para operar no foguete Vulcan Centaur, desenvolvido pela United Launch Alliance (ULA). Esse repasse soma-se aos US$ 5,1 bilhões já desembolsados pela agência à Boeing dentro do contrato original de preço fixo firmado pelo Programa de Tripulação Comercial. Paralelamente às verbas governamentais, a própria fabricante já acumulou cerca de US$ 2 bilhões em prejuízos e perdas financeiras absorvidos internamente durante o ciclo de desenvolvimento do veículo espacial.
Mesmo com as dificuldades orçamentárias e operacionais, a agência exerceu formalmente as opções contratuais para as futuras missões operacionais Starliner-5 e Starliner-6. A decisão estratégica busca assegurar redundância técnica nos voos até a Estação Espacial Internacional (ISS), evitando que os Estados Unidos dependam com exclusividade de um único fornecedor para conduzir astronautas e suprimentos à órbita terrestre baixa.
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Dados do contrato e valores do programa Starliner
- Valor adicional liberado pela agência espacial: US$ 359 milhões
- Total já pago pelo contrato de preço fixo da agência à fabricante: US$ 5,1 bilhões
- Prejuízos operacionais absorvidos pela fabricante no projeto: US$ 2 bilhões
- Local do anúncio oficial: Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, Flórida
- Data e horário da conferência: segunda-feira, 28 de setembro de 2026, às 14h EDT
Substituição do foguete Atlas V pelo modelo Vulcan Centaur
A necessidade de adaptar a Starliner decorre de uma restrição logística severa na cadeia de lançadores norte-americanos. A espaçonave foi concebida para decolar no topo do foguete Atlas V, mas esse vetor teve sua produção descontinuada pela United Launch Alliance e restam apenas seis unidades disponíveis em estoque. Como esses propulsores utilizam motores de fabricação russa e têm missões prévias já contratadas, a transição para o lançador Vulcan Centaur tornou-se mandatória para que o projeto continue operando nos próximos anos.
O foguete Vulcan Centaur, no entanto, ainda não possui a homologação obrigatória para voos espaciais com tripulação humana a bordo. Por esse motivo, os novos recursos financeiros custearão tanto as baterias de testes de solo quanto os relatórios de engenharia necessários para validar os novos perfis de empuxo, vibração e acoplamento entre o lançador e a cápsula da Boeing.
Cronograma oficial estabelecido pela agência espacial
- 28 de setembro de 2026 — Conferência conjunta detalha os termos da extensão contratual e o planejamento do programa
- 1 de dezembro de 2026 — Início da janela prevista para o voo de teste não tripulado de transporte de carga para a estação espacial
- 1 de junho de 2028 — Data estimada para o lançamento da missão Starliner-2 com tripulantes humanos a bordo
- 31 de dezembro de 2030 — Prazo limite estabelecido para a desativação operacional da Estação Espacial Internacional
Recomendações técnicas e a reformulação dos sistemas da cápsula
A exigência das modificações técnicas é fruto de um relatório formal publicado em fevereiro de 2026 pela Nasa, que enquadrou o voo tripulado de teste realizado em 2024 na categoria de acidente grave de Tipo A, o nível de classificação mais crítico para falhas de missão na agência. Uma equipe investigativa emitiu exatamente 61 recomendações técnicas obrigatórias direcionadas à Boeing, exigindo o redesenho completo de válvulas, isolamento térmico e componentes dos propulsores de manobra orbital.
A gerente do Programa de Órbita Terrestre Baixa da Nasa, Dana Weigel, apontou que os diagnósticos foram concluídos de forma cooperativa entre as equipes técnicas. “Certificar a Starliner, da Boeing, é importante tanto para dar suporte à ISS quanto para futuros destinos comerciais”, declarou Weigel. Pelo lado industrial, John Mulholland, vice-presidente e gerente do Programa de Tripulação Comercial da Boeing, afirmou que a fabricante e a agência espacial compartilham metas idênticas. “A Boeing e a Nasa estão comprometidas com a Starliner como fornecedora de longo prazo de voos espaciais tripulados dos Estados Unidos para a órbita terrestre baixa”, declarou Mulholland.
Comando da missão Starliner-2 e indefinições de tripulação
O astronauta da Nasa Woody Hoburg foi designado como o comandante da futura missão Starliner-2 em 2028. Presente na conferência, ele manifestou apoio aos parâmetros técnicos acordados para a reformulação da espaçonave. “Tenho enorme confiança nas decisões que estamos anunciando hoje”, disse Hoburg.
Apesar da confirmação da liderança da missão tripulada, a agência espacial informou que a identidade dos demais tripulantes que acompanharão Hoburg no voo de 2028 ainda não foi definida, restando pendente o anúncio dos especialistas que completarão os assentos operacionais do veículo.
