Ciência

Nasa descobre na Lua cratera recente de 222 metros

Cratera McGetchin - X.com/ NASA
Cratera McGetchin - X.com/ NASA

Pesquisadores da missão Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa, confirmaram a descoberta da cratera McGetchin na Lua, com 222 metros de diâmetro e 43 metros de profundidade. A estrutura geológica foi gerada pela queda violenta de uma rocha espacial ocorrida em 2024 e representa a maior abertura recente já documentada no Sistema Solar.

A confirmação veio com a divulgação de dois artigos científicos na revista Science Advances em 16 de setembro de 2026. A cavidade recebeu o nome de cratera McGetchin em homenagem a Thomas McGetchin, geólogo lunar e ex-diretor do Lunar and Planetary Institute. O achado foi comemorado pela comunidade astronômica devido à sua dimensão incomum na era de monitoramento contínuo por sondas orbitais.

Origem da cratera McGetchin e choque registrado em 2024

Cratera McGetchin - NASA Goddard/Intuitive Machin
Foto: Cratera McGetchin – NASA Goddard/Intuitive Machin

As análises orbitais indicam que a colisão aconteceu entre 11 de abril e 22 de maio de 2024, provocada pela queda direta de um asteroide ou fragmento de cometa com tamanho estimado entre 9 e 21 metros de largura. Esse diâmetro equivale às dimensões de um edifício de três a seis andares deslocando-se em rotação de altíssima velocidade pelo vácuo espacial. O evento gerou uma energia luminosa comparável à detonação de 15.500 toneladas de TNT.

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A identificação visual inicial ocorreu em 24 de outubro de 2025, quando Robert Wagner, especialista em processamento de imagens da empresa Intuitive Machines e membro da equipe da câmera da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, comparou mosaicos orbitais temporais captados pelo satélite. Ao perceber a alteração inédita na superfície, Wagner concentrou os esforços imediatos na verificação técnica daquela coordenada, relatando mais tarde a surpresa: “Eu simplesmente parei, larguei tudo e comecei a investigar o que era aquele ponto”, afirmou ele, em tradução livre. O especialista também comentou o padrão nítido dos sedimentos: “Foi de longe o padrão de detritos de impacto mais óbvio que já vi em uma dessas imagens”, declarou em tradução livre.

Ao lado da equipe de processamento, Nicholas Schmerr, geofísico planetário da Universidade de Maryland, analisou o alcance das alterações na topografia e definiu a magnitude da nova bacia: “É uma cratera monstruosa, pelo menos para os padrões modernos”, disse Schmerr.

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Cronologia e dados técnicos da colisão na Lua

  • 11 de abril de 2024: início do intervalo calculado para o impacto do objeto cósmico na superfície lunar.
  • 22 de maio de 2024: término da janela temporal limite na qual o corpo celeste colidiu contra o solo.
  • 24 de outubro de 2025: detecção da mancha na superfície pelo analista Robert Wagner em dados fotográficos orbitais.
  • 16 de setembro de 2026: publicação oficial dos dois estudos conclusivos sobre o choque na revista Science Advances.
  • 222 metros de diâmetro: largura máxima medida da bacia de impacto recém-formada no relevo.
  • 43 metros de profundidade: medição entre a borda superior elevada e o fundo escavado pela explosão.
  • 9 a 21 metros de diâmetro: tamanho estimado para a rocha celeste causadora do choque mecânico.
  • 132 anos: intervalo estatístico estimado para a colisão de objetos espaciais com esse potencial na Lua.

Alcance da matéria ejetada no solo lunar

O choque mecânico do objeto não se limitou a cavar o solo na área central do impacto. Os sensores espaciais registraram detritos e alterações nítidas na superfície lunar a uma distância radial de mais de 100 quilômetros da borda da bacia. Além do espalhamento massivo de regolito e fragmentos sólidos, os instrumentos registraram uma anomalia térmica de cerca de 6,4 quilômetros ao redor do ponto central. Medições feitas pelo radiômetro térmico Diviner, operado sob a liderança do cientista planetário David Paige, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, constataram que essa região específica fica aproximadamente 9 °C mais fria durante a noite local.

Conforme os modelos físicos apresentados pela pesquisadora sênior Julie Stopar, do Lunar and Planetary Institute e pesquisadora principal adjunta da equipe da câmera da sonda, a maior parte dos blocos rochosos mais pesados se concentra perto das bordas. Contudo, pedras menores arremessadas em alta velocidade varreram distâncias continentais sobre o solo lunar, criando microrrelevos em terrenos distantes.

Monitoramento orbital da missão lunar desde 2009

A sonda Lunar Reconnaissance Orbiter monitora o relevo da Lua de forma ininterrupta desde 2009 e já contabilizou mais de mil pequenas crateras recentes abertas na superfície. Ao contrário da Terra, cuja espessa camada atmosférica funciona como um escudo natural que queima fragmentos rochosos com até 9 metros antes que alcancem o nível do solo, a Lua possui uma atmosfera quase inexistente. Essa ausência total de barreira gasosa expõe o solo lunar a um bombardeio perpétuo de meteoroides de todos os portes.

A cratera McGetchin atinge um volume três vezes maior do que o recorde anterior documentado pela mesma missão orbital há dez anos. Pela escala estatística calculada pelos pesquisadores nos novos artigos, colisões provocadas por bólidos desse porte ocorrem com uma frequência secular bastante espaçada, estimada em uma ocorrência média a cada 130 ou 132 anos.

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Perigos para as bases tripuladas planejadas para 2030

As conclusões das pesquisas afetam diretamente o planejamento de segurança das futuras bases tripuladas fixas. Tanto os Estados Unidos quanto a China mantêm programas aeroespaciais avançados para instalar estruturas com presença humana prolongada e reatores de energia nuclear na região do polo sul da Lua a partir da década de 2030. Os resultados revelam que o perigo para essas instalações não decorre apenas de um golpe direto.

A ejeção em massa de projéteis rochosos cruzando o vácuo a velocidades de dezenas de milhares de quilômetros por hora coloca em risco módulos de habitação, veículos e geradores instalados a dezenas de quilômetros de distância do ponto original de queda. O físico Mark Boslough, especialista em eventos de impacto da Universidade do Novo México, destacou os desafios práticos que as equipes de engenharia espacial precisarão contornar: “Acredito, sem dúvida, que este seja um risco significativo para operações de longo prazo na Lua”, afirmou Boslough, ressaltando que projéteis de dezenas de metros são quase invisíveis para sistemas prévios de rastreamento antes da batida.

Limitações nas imagens e próximos passos científicos

Nenhum satélite espacial ou telescópio terrestre conseguiu registrar o momento exato do impacto entre abril e maio de 2024 em tempo real. O evento passou despercebido visualmente na ocasião e a colisão só pôde ser comprovada posteriormente por meio de minuciosos confrontos digitais entre bancos de imagens de épocas distintas.

Os pesquisadores da equipe orbital continuam refinando o mapeamento espectral e as leituras de radar na região afetada. O objetivo dos próximos levantamentos é detalhar o volume de massa deslocado da crosta e calibrar as probabilidades reais de novas quedas antes do início das missões tripuladas na próxima década.

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