Starship atinge órbita a 275 km e libera 26 satélites Starlink

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Foguete - Jian Fan/ Istockphoto.com

O foguete Starship alcançou pela primeira vez uma trajetória orbital sustentada ao redor da Terra nesta segunda-feira (28), após decolar das instalações da empresa SpaceX no Texas. Durante o procedimento no espaço, a nave liberou com sucesso 26 satélites de comunicação Starlink V3 a cerca de 275 quilômetros de altitude, cumprindo a etapa central do seu 14º voo de teste integrado.

“Primeiro voo orbital do Starship bem-sucedido!”, afirmou o fundador e diretor-executivo da empresa, Elon Musk, logo após a confirmação das manobras executadas pela nave Ship 41 no espaço. O porta-voz da companhia, Dan Huot, declarou durante a transmissão oficial que a operação “demorou algum tempo adicional e algum drama” para ser concluída pelos controladores da missão.

Manobra de inserção e lançamento dos satélites Starlink V3

O conjunto decolou às 9h48 pelo horário de Brasília da base Starbase, em Boca Chica, impulsionado pelo propulsor Super Heavy. O estágio superior executou a queima de inserção 25 minutos depois do lançamento para atingir a órbita baixa projetada. Todos os 13 testes anteriores do sistema haviam sido mantidos em arcos suborbitais deliberados, estratégia traçada pela equipe de engenharia para assegurar a contenção do foguete caso ocorresse perda de controle antes de autorizações regulatórias plenas.

No espaço, a abertura do compartimento de carga permitiu a liberação dos 26 satélites Starlink V3, equipamentos construídos especificamente para o diâmetro do Starship que já estabeleceram comunicação com o restante da infraestrutura espacial. A rede da companhia privada possui mais de 11.000 satélites ativos, fornecendo sinal de internet de alta velocidade e baixa latência ao redor do planeta. O modelo V3 possui dimensões superiores às versões enviadas pelos foguetes Falcon 9 e depende exclusivamente da capacidade de carga do novo lançador para sua expansão contínua em escala industrial.

Dimensões e números do 14º teste do Starship

O sistema Starship foi projetado como uma estrutura totalmente reutilizável para o transporte de cargas massivas e tripulações em viagens para a órbita da Terra e missões interplanetárias. Os números confirmados na operação registram as seguintes marcas técnicas:

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  • 120 metros de altura total do conjunto montado na plataforma
  • 275 quilômetros de altitude média na órbita baixa alcançada pelo Ship 41
  • 26 satélites de nova geração Starlink V3 colocados no espaço
  • 1 dos 33 motores do estágio Super Heavy desligado na subida inicial
  • 14 lançamentos de teste integrado realizados pelo programa espacial

Problemas em motores e encurtamento da trajetória no Pacífico

Apesar do cumprimento das metas primárias, a duração da missão precisou ser reduzida pela equipe de engenharia da empresa. Durante a fase de queima para ascensão, um dos seis motores da Starship parou de funcionar inesperadamente, o que forçou os técnicos a revisarem os parâmetros de telemetria antes de autorizarem o impulso de inserção. Como os procedimentos críticos de movimentação orbital e reentrada dependem do funcionamento de apenas um propulsor, o sistema possui redundância para operar mesmo diante de perdas isoladas de propulsão.

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O plano de voo original previa que a nave fizesse seis voltas ao redor do planeta ao longo de cerca de dez horas de duração, descendo suavemente sobre as águas do Oceano Pacífico próximas à costa do Chile. Diante da anomalia mecânica, os controladores adotaram uma postura conservadora para mitigar riscos de controle na reentrada e anteciparam as queimas de frenagem. O retorno atmosférico guiado ocorreu na região do Oceano Pacífico próxima ao arquipélago do Havaí, onde o veículo executou a descida programada sobre o mar.

Na etapa inicial de separação dos estágios, o propulsor Super Heavy realizou as queimas necessárias de desaceleração e cumpriu uma amerissagem suave nas águas do Golfo do México oito minutos após o lançamento. Nessa missão, a companhia optou por não tentar a captura física da estrutura pelos braços mecânicos da torre de lançamento, priorizando a coleta de dados de navegação marítima e controle dinâmico com os 32 motores operacionais remanescentes.

Como o voo do Starship influencia o cronograma lunar da Nasa?

A agência espacial norte-americana selecionou o veículo Starship para atuar como o módulo de pouso tripulado do programa que pretende levar astronautas de volta à superfície da Lua. O professor de astrofísica e ciência espacial da Universidade de Leicester, Martin Barstow, avaliou o alcance da missão espacial: “Este é um marco importante para a SpaceX, com a Starship alcançando a órbita com sucesso – e logo na primeira tentativa”.

Para cumprir as metas contratuais e técnicas exigidas pelas agências espaciais governamentais, o programa precisa comprovar alta frequência operacional a partir do Texas e de novas plataformas projetadas na Flórida e na Louisiana. O cronograma do programa lunar da agência norte-americana contempla as seguintes datas de planejamento e marcos técnicos:

  • 28 de setembro de 2026: execução do primeiro teste com inserção orbital bem-sucedida da Starship
  • 1 de janeiro de 2028: estimativa de lançamento da missão Artemis 4 com alunissagem tripulada
  • Ciclo 2026-2028: desenvolvimento de testes de transferência de propelente e reabastecimento em órbita
  • Validação técnica prévia: execução de uma missão de pouso na Lua sem tripulação antes do voo tripulado

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A causa exata que levou ao desligamento inesperado de um dos motores durante o processo de subida do foguete ainda não foi detalhada publicamente pelos engenheiros da empresa. A SpaceX concentra agora as análises de telemetria nos dados colhidos pelos sensores da Ship 41 para planejar o 15º teste integrado, etapa em que pretende tentar recuperar e reutilizar os dois estágios do megafoguete.