O dólar comercial abriu as negociações a R$ 5,209 no mercado cambial brasileiro nesta quarta-feira (30), em patamar próximo da estabilidade. A variação inicial representou um recuo de 0,21% em relação ao encerramento da sessão anterior, acompanhando a divulgação de indicadores fiscais do governo federal e dados de atividade dos Estados Unidos.
O desempenho no último dia útil do mês reflete a avaliação dos operadores sobre as contas públicas nacionais, após o Banco Central registrar nova expansão no endividamento estatal, somado ao comportamento dos contratos internacionais de energia e às expectativas de desaceleração na economia norte-americana.
Dívida pública brasileira alcança R$ 9,24 trilhões sob impacto dos juros
O Banco Central informou que a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) avançou para R$ 9,24 trilhões em agosto, número equivalente a 69,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O montante representa uma elevação de 0,2 ponto percentual em relação aos 69,1% registrados em julho, quando o total somava R$ 9,16 trilhões. A autoridade monetária atribuiu a maior parte do crescimento ao impacto do acúmulo de juros nominais sobre os compromissos da administração pública.
Veja também: Banco Central muda regras do Pix em contas-salário e boletos
Simultaneamente, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), parâmetro observado com atenção por agências internacionais de classificação de risco e analistas financeiros, atingiu o patamar de R$ 11,1 trilhões no mesmo mês. Esse volume situou o indicador em 82,9% do PIB do país, mantendo pressão sobre a percepção de sustentabilidade das despesas do governo e sobre o comportamento dos ativos locais negociados no mercado financeiro.
O comportamento fiscal interno costuma influenciar diretamente a precificação das moedas estrangeiras. Quando a trajetória das contas públicas aponta crescimento contínuo de passivos, investidores exigem maiores prêmios de risco para manter recursos no país, elevando a cotação da moeda americana ante a divisa nacional ou limitando o espaço para valorização do real.
Cotação do dólar e principais indicadores da sessão de encerramento
- Cotação de abertura do dólar comercial para venda: R$ 5,209, com oscilação de -0,21%
- Dívida Líquida do Setor Público em agosto: R$ 9,24 trilhões (69,3% do PIB)
- Dívida Bruta do Governo Geral em agosto: R$ 11,1 trilhões (82,9% do PIB)
- Intervalo de negociação da moeda no mês: mínima de R$ 5,09 e máxima de R$ 5,23
- Horário de abertura das operações em São Paulo: 9h pelo horário de Brasília
Saiba mais: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em pesquisa e dólar sobe para R$ 5,13 na cotação do dia
Petróleo internacional e dados do PIB dos EUA influenciam o mercado de câmbio
No cenário externo, os investidores acompanham os preços do petróleo Brent, referência de preço no mercado global de combustíveis. O contrato futuro com entrega prevista para dezembro avançava 1,37% às 9h, cotado a US$ 97,48 o barril. A valorização da commodity ao longo das últimas semanas renovou preocupações sobre as pressões inflacionárias mundiais e os passos dos bancos centrais na condução das taxas de juros nos Estados Unidos e na Europa.
As mesas de operação monitoram ainda os dados econômicos norte-americanos, que incluem a leitura final do Produto Interno Bruto referente ao terceiro trimestre e o índice de inflação dos gastos de consumo pessoal (PCE). As projeções apontam expansão de 1,5% da atividade econômica dos Estados Unidos entre julho e setembro, o que configuraria desaceleração quando comparada ao avanço de 2,1% observado no segundo trimestre.
Ao longo de setembro de 2026, a moeda dos Estados Unidos começou o ciclo mensal negociada a R$ 5,18. Durante o período de trinta dias, a divisa operou dentro de um intervalo delimitado pela cotação mínima de R$ 5,09 e pela marca máxima de R$ 5,23. As oscilações refletiram o ajuste contínuo dos juros norte-americanos, a variação das cotações internacionais do petróleo, o corte na taxa básica Selic e as movimentações eleitorais no Brasil.
Confira também: Retirada de moeda forte faz Banco Central intervir no câmbio
Empresas realizam reestruturações financeiras e operações no mercado corporativo
No setor corporativo, a holding J&F concluiu a contratação de um empréstimo sindicalizado no valor de US$ 1,32 bilhão com um grupo formado por dez instituições bancárias. A operação tem prazo de cinco anos, com período de carência fixado em três anos e custo de juros definido pela taxa de financiamento garantida durante a noite (SOFR) acrescida de 2,60% ao ano. Segundo a empresa, os recursos captados visam alongar o perfil do endividamento sem elevar o volume total de dívidas.
A Raízen anunciou a convocação de seus acionistas para deliberar sobre a criação de ações preferenciais de Classe B, medida que integra a reestruturação dos passivos da organização. Os novos títulos manterão igualdade de condições para o recebimento de dividendos e juros sobre capital próprio, mas contarão com direito a voto restrito em temas delimitados pelo plano de recuperação extrajudicial da companhia. As ações preferenciais da empresa operavam cotadas perto de R$ 0,30 na Bolsa de Valores.
Acompanhe: Banco Central altera regras do Pix para contas e cobranças
A construtora Tenda aprovou um programa para recomprar até 5 milhões de ações ordinárias emitidas pela própria companhia. Com base no fechamento da sessão anterior, quando o papel encerrou negociado a R$ 27,33, a operação pode movimentar R$ 136,7 milhões, com o objetivo declarado de gerenciar recursos e gerar valor aos sócios. Já a GPA 2 Corretora de Seguros, controlada pelo grupo detentor do Pão de Açúcar, obteve autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para prestar serviços no país em associação com a Willis Corretores de Seguros.
Prazos e etapas pendentes nas negociações corporativas
A assembleia especial digital de acionistas convocada pela Raízen está marcada para a sexta-feira, 30 de outubro de 2026, ocasião em que será votada a criação dos papéis Classe B.
No setor de transporte aéreo, a Azul firmou financiamento de R$ 2,66 bilhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fortalecer a liquidez da empresa. A companhia aérea já recebeu metade do montante, mas os detalhes operacionais específicos sobre a liberação da fatia restante do crédito ainda não foram informados pelo banco ou pela empresa.
