Exportação de carne bovina argentina ao Japão amplia vendas de áreas vacinadas

Carnes, açougue - RecCameraStock/ Shutterstock.comCarnes, açougue - RecCameraStock/ Shutterstock.com

Carnes, açougue - RecCameraStock/ Shutterstock.com

A carne bovina da Argentina recebeu autorização sanitária para entrar no mercado do Japão após duas décadas de negociações entre os dois países. O anúncio oficial foi feito pelo ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, nesta quarta-feira (30), confirmando a liberação de embarques procedentes de áreas declaradas livres de febre aftosa com vacinação.

O mercado japonês realiza anualmente compras de carne bovina de alta qualidade que movimentam mais de US$ 3 bilhões, com um consumo médio anual de importações situado em cerca de 500.000 toneladas de produtos frescos e congelados. A nova autorização sanitária modifica o fluxo comercial entre os dois países, que até o momento operava sob fortes restrições geográficas de origem.

Até a formalização do entendimento, as vendas argentinas para os compradores japoneses estavam restritas unicamente à carne originária da Patagônia. A região patagônica contava com a permissão pelo fato de ser reconhecida internacionalmente como livre de febre aftosa sem vacinação. No entanto, o comércio bilateral mantinha volumes modestos, sustentados pelas operações de apenas um frigorífico habilitado no território patagônico.

Leia também: Ministério da Justiça e Fazenda pedem a derrubada de 5.209 sites de apostas

Acordo sanitário argentino libera 90% do rebanho para o Japão

Foto: Bandeira do Japão com ienes ao fundo, conceito de taxas de câmbio e preços das ações – Ca-ssis/ Istockphoto.com

A ampliação das regras sanitárias estabelecidas pelo governo japonês atinge diretamente a maior fatia do agronegócio da Argentina. As áreas reconhecidas como livres de febre aftosa com vacinação concentram aproximadamente 90% de todo o rebanho bovino e das propriedades rurais argentinas, permitindo a inclusão das principais regiões produtoras nas escalas de exportação.

Continue lendo: Quinto dia útil de outubro de 2026 vence no dia 6 para trabalhadores com carteira assinada

Ao comunicar a conclusão do processo bilateral em mensagem publicada na rede social X, às 08h52 desta quarta-feira, Luis Caputo classificou a decisão das autoridades asiáticas como um marco para a pecuária local. “Trata-se de um acordo histórico”, declarou o ministro da Economia argentino ao confirmar a pactuação das exigências técnicas com o governo de Tóquio.

O ministro destacou ainda a relevância financeira e sanitária da medida para a atividade econômica de seu país. “Essa abertura cria novas oportunidades para a produção e as exportações argentinas. Além disso, reconhece a qualidade da nossa carne e a solidez do nosso sistema sanitário”, afirmou Caputo em sua manifestação oficial.

Avaliação de risco favorável em Tóquio destravou exportações em 2026

A decisão final anunciada pelas autoridades resulta de uma retomada direta dos contatos bilaterais promovida pela gestão argentina ao longo de 2024. Aquele período envolveu a realização de missões técnicas enviadas à capital japonesa e o recebimento de comitivas de parlamentares japoneses na Argentina para detalhar os métodos de fiscalização sanitária.

O avanço determinante na análise técnica ocorreu em 1 de fevereiro de 2026. Na ocasião, o Comitê de Sanidade Animal do Japão concluiu com parecer favorável a avaliação de risco sobre a febre aftosa aplicada à carne bovina desossada produzida nas áreas territoriais da Argentina que aplicam a vacinação do rebanho.

Apesar da publicação das diretrizes gerais do entendimento e da participação da chancelaria argentina, chefiada por Pablo Quirno, chanceler e secretário de Relações Econômicas Internacionais da Argentina, pontos logísticos continuam pendentes. Ainda não foi confirmada a data exata para o envio do primeiro carregamento comercial de carne desossada ao mercado asiático, assim como a listagem completa de plantas frigoríficas habilitadas para início imediato dos abates.

Dados do comércio de carne bovina entre Argentina e Japão

  • Tempo de duração das negociações bilaterais: 20 anos.
  • Movimentação anual do mercado japonês de carne de alta qualidade: mais de US$ 3 bilhões.
  • Demanda média total de importação anual do Japão: cerca de 500.000 toneladas de carne fresca e congelada.
  • Abrangência da pecuária argentina beneficiada pelo acordo: cerca de 90% do rebanho bovino e das propriedades rurais.
  • Data do anúncio oficial do acordo: 30 de setembro de 2026.

Brasil aguarda análise de risco do Japão para carne bovina

A liberação obtida pelos produtores argentinos ocorre enquanto o setor pecuário do Brasil também busca viabilizar a venda de carne bovina para o Japão. As autoridades brasileiras conduzem conversas e gestões técnicas com os órgãos de saúde animal japoneses há mais de duas décadas, submetendo frigoríficos e etapas de controle a auditorias recorrentes.

Em 1 de maio de 2025, o Brasil conquistou o reconhecimento sanitário internacional de território livre de febre aftosa sem vacinação. Na sequência dessa certificação, autoridades sanitárias japonesas organizaram uma missão técnica presencial, iniciada em 1 de junho de 2025, para inspecionar unidades frigoríficas e os mecanismos da defesa sanitária agropecuária brasileira.

A posse da classificação sanitária de área livre sem vacinação não garante o início automático dos embarques comerciais ao território japonês. O governo do Brasil permanece na dependência da conclusão da análise formal de riscos sanitários conduzida pelos comitês japoneses para que os termos bilaterais de exportação de carne bovina sejam definitivamente autorizados.