Para onde ir após a aposentadoria? Os países que mais atraem brasileiros

Ponte Dom Luis I Portugal - Dmitry Rukhlenko/shutterstock.comPonte Dom Luis I Portugal - Dmitry Rukhlenko/shutterstock.com

Ponte Dom Luis I Portugal - Dmitry Rukhlenko/shutterstock.com

O Uruguai assumiu a liderança do ranking mundial de aposentadoria ao atingir a pontuação de 99,9 no levantamento 2026 Global Retirement Report & Index, divulgado nesta quarta-feira (30). O estudo internacional avaliou 46 países e colocou o Brasil na 15ª posição, com nota final de 91,4.

A pesquisa, elaborada pela consultoria Global Citizen Solutions em São Paulo, analisa a viabilidade prática de vistos para rendas passivas e aposentadorias pelo mundo. Segundo a diretora-executiva da entidade, Patricia Casaburi, a busca por fixar residência em outras nações cresce em escala internacional. “Com a população mundial de 65 anos ou mais prevista para quase dobrar, chegando a 1,6 bilhão até 2050, estamos diante de uma geração de aposentados que viverá mais, será mais numerosa e terá mais mobilidade do que nunca”, declarou a executiva.

Dados do levantamento global de aposentadoria de 2026

  • Data da publicação: 30 de setembro de 2026
  • Abrangência da pesquisa: 46 nações analisadas em cinco pilares
  • Pontuação máxima registrada: 99,9 pontos obtidos pelo Uruguai
  • Classificação brasileira: 15º lugar com nota 91,4
  • Comprovação mensal exigida no Brasil: US$ 2.000 para visto de renda passiva
Foto: Aposentadoria – Foto: brendarocha/shutterstock.com

Quais países lideram o ranking mundial de aposentadoria?

A pontuação geral ponderou cinco pilares específicos: Qualidade de Vida, Mobilidade e Cidadania, Otimização Tributária, Custos e Processo. A combinação de barreiras financeiras reduzidas e regras claras de imigração determinou a composição das primeiras colocações mundiais.

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  • 1º lugar: Uruguai (99,9 pontos)
  • 2º lugar: Ilhas Maurício
  • 3º lugar: Espanha
  • 4º lugar: Costa Rica
  • 5º lugar: Portugal

Uruguai combina isenção tributária de 11 anos e acordo do Mercosul

No topo da lista, o Uruguai obteve notas parciais expressivas, marcando 97 em Mobilidade, 96 em Custos, 84 em Processo e 78 em Qualidade de Vida. O território vizinho assegura aos aposentados brasileiros um trâmite simplificado por meio do Acordo de Residência do Mercosul, que dispensa investimentos financeiros prévios ou contrato de trabalho local.

Além da proximidade geográfica e da facilidade linguística, a legislação uruguaia oferece o regime fiscal Tax Holiday 2.0. A regra concede até 11 anos de isenção tributária sobre rendimentos de capital obtidos no exterior, garantindo proteção aos proventos de aposentadoria pagos a partir do Brasil.

Brasil atinge 4º lugar em processo mas cai para 35º em tributação

O Brasil alcançou a 15ª posição geral impulsionado pela facilidade burocrática de seu visto temporário de residência para aposentados ou pensionistas, o VITEM XIV. Nesse critério de Processo, o país conquistou o 4º lugar entre as 46 nações analisadas, além de registrar o 6º posto em Mobilidade e Cidadania.

A regulamentação brasileira exige a comprovação de renda passiva mensal de US$ 2.000, quantia equivalente a aproximadamente R$ 10 mil. O procedimento não impõe idade mínima para a solicitação nem exige a aquisição de bens imóveis no país.

O sistema fiscal nacional, no entanto, gerou forte penalização na nota final, empurrando o país para a 35ª posição em Otimização Tributária. Residentes fiscais no Brasil pagam Imposto de Renda

com alíquota progressiva de até 27,5% sobre valores recebidos em qualquer parte do planeta, e o governo não mantém acordos para evitar a dupla tributação com mercados como Estados Unidos e Reino Unido.

A pesquisadora-chefe do Global Intelligence Unit da consultoria, Laura Madrid, detalhou as particularidades do modelo nacional: “O visto VITEM XIV é um dos programas mais acessíveis das Américas — barreira de renda baixa, sem idade mínima e um caminho claro para a cidadania —, mas quem tem renda global significativa precisa avaliar com atenção a tributação sobre a renda mundial antes de decidir. A escolha certa depende menos do clima e mais das regras fiscais e de residência de cada país”, afirmou.

Portugal e Espanha exigem atenção a regras fiscais e prazos de cidadania

Tradicionais escolhas de moradia para cidadãos brasileiros, os países da Península Ibérica apresentaram resultados variados nos diferentes indicadores. Portugal alcançou 94 pontos em Qualidade de Vida e 99 em Mobilidade, com a vantagem de permitir a naturalização após sete anos de residência, mas sua política fiscal registrou avaliação de 58 pontos.

A Espanha somou 94 pontos em Qualidade de Vida e permite que naturais de países ibero-americanos façam o pedido de cidadania após dois anos de moradia legal. A pesquisadora Laura Madrid destacou os critérios analisados nessa etapa: “Em alguns países, com dois anos de residência, aquela pessoa pode iniciar um processo de naturalização e adquiri-la. A gente analisa a força do passaporte. Se, por exemplo, eu for morar na Espanha, com dois anos posso solicitar a nacionalidade espanhola. Para quantos países posso viajar sem necessitar de visto? Essa é uma questão relacionada à mobilidade”, explicou.

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Em compensação, a política tributária da Espanha marcou 50 pontos, a mais baixa entre os destinos selecionados para o público brasileiro. O território espanhol cobra tributos sobre a renda mundial dos residentes por meio de alíquotas progressivas e não adota regras de incentivo financeiro para rendimentos de aposentadoria.

Paraguai e Costa Rica surgem como opções com cobrança territorial

A Costa Rica marcou 95 pontos em Custos, 95 em Mobilidade e 88 no setor fiscal por manter um regime tributário territorial, embora tenha recebido nota 64 em Processo em razão da lentidão observada no andamento dos pedidos de residência.

O Paraguai registrou bom desempenho nos quesitos de custo e regras tributárias, favorecido pela cobrança territorial que deixa as pensões de origem brasileira fora da incidência fiscal local e pelos trâmites acelerados do Mercosul. O contraponto do território paraguaio ficou no pilar de Qualidade de Vida, no qual anotou a menor avaliação de seu perfil, com 70 pontos.