O piloto Valtteri Bottas, da equipe Cadillac de Fórmula 1, manifestou forte oposição à possibilidade de transferir o encerramento da temporada de 2026 para o circuito de Ímola, na Itália. A resistência do competidor envolve o clima rigoroso do inverno europeu no fim do ano e o avanço de investigações da polícia financeira italiana contra profissionais e escuderias estrangeiras por pendências fiscais em provas anteriores realizadas no país.
Durante as entrevistas do dia de mídia no circuito de Sepang, na Malásia, nesta quinta-feira (1), Bottas relatou que a insatisfação atinge grande parte dos competidores do grid internacional. O piloto finlandês citou as restrições práticas provocadas pelo frio e o impacto direto das notificações tributárias enviadas pelas autoridades italianas nos últimos meses.
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“Não sou um grande fã porque ouvi falar de como costuma ser o clima nessa época do ano. Neblina pela manhã, o sol se põe muito cedo, a temperatura… E também não sei se vocês ouviram falar dos impostos italianos. Nenhum piloto realmente quer correr na Itália por causa dos acontecimentos recentes”, afirmou Bottas em Sepang.
Guardia di Finanza cobra 100 milhões de euros de competidores da Fórmula 1
A Guardia di Finanza de Bolonha abriu apurações formais sobre escuderias sediadas fora da Itália e competidores estrangeiros devido à ausência de recolhimento de imposto de renda sobre premiações e rendimentos acumulados em território italiano. As autoridades fiscais fundamentam o processo na legislação nacional, que enquadra os competidores como profissionais autônomos e determina a retenção tributária obrigatória na fonte. A regra segue os padrões do Artigo 17 do modelo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), dispositivo que deixou de ser aplicado pelas organizações internacionais durante anos, provocando a abertura de notificações de cobrança com ameaça de penalidades criminais para quem não regularizar ao menos a metade do montante apontado.
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Critérios e dados da cobrança fiscal italiana contra o grid da Fórmula 1
- Aproximadamente 100 milhões de euros foram recuperados até o momento pelo fisco italiano em pagamentos atrasados e penalidades aplicadas a scuderias e pilotos estrangeiros.
- Sete anos retroativos compõem o intervalo temporal examinado pelas autoridades nas notificações formais, englobando as temporadas disputadas entre 2020 e 2025.
- Três circuitos tradicionais sediaram as corridas investigadas pelas autoridades desde abril de 2026: os traçados de Monza, Ímola e Mugello.
- Exigência mínima de recolhimento de 50% dos valores cobrados foi estipulada para os pilotos notificados, sob advertência de sanções criminais imediatas em caso de descumprimento.
Max Verstappen rebate restrições climáticas e fiscais em Ímola
Na contramão do posicionamento de Bottas, o piloto holandês Max Verstappen, tetracampeão mundial pela Red Bull Racing, minimizou os obstáculos e defendeu que as equipes possuem capacidade operacional para competir em solo italiano no mês de dezembro. Para o holandês, tanto a redução do período de luz natural quanto o clima frio são fatores administráveis pelos organizadores da categoria, enquanto as pendências tributárias não deveriam afastar o grid caso os pagamentos legais sejam cumpridos regularmente conforme exigido pelas leis do país europeu.
“Há lugares piores para estar no inverno do que Ímola. É um pouco mais frio do que no verão, escurece um pouco mais cedo, mas acho que somos todos inteligentes o suficiente para garantir que não vamos pilotar no escuro. E não há problema de imposto. Você só precisa pagar o imposto”, declarou Verstappen aos jornalistas na Malásia.
Ímola surge como plano de contingência para a temporada 2026 da Fórmula 1
A pista do circuito de Ímola emergiu nos bastidores esportivos como principal alternativa técnica caso os Grandes Prêmios programados para o Catar e Abu Dhabi sofram cancelamentos forçados por questões de segurança. A escalada de conflitos armados e a instabilidade geopolítica no Oriente Médio colocaram a organização em alerta preventivo para assegurar o encerramento do calendário de 2026, cuja última prova do ano permanece originalmente prevista para o dia 6 de dezembro de 2026 no planejamento geral da Federação Internacional de Automobilismo.
A administração da Fórmula 1 ainda não confirmou oficialmente qualquer alteração de praça ou transferência de data para a conclusão do campeonato de 2026. A categoria mantém a prioridade de disputar as etapas do Catar e de Abu Dhabi, deixando a opção pelo autódromo italiano estritamente restrita a um cenário em que a realização das provas no Oriente Médio se torne inviável.
