O debate presidencial da TV Globo que ocorreria na noite desta quinta-feira (1) foi cancelado pela emissora após sucessivas determinações judiciais alterarem o formato e a composição do encontro. A transmissão estava marcada para as 21h30 (horário de Brasília), nos estúdios da emissora no Rio de Janeiro, a três dias da votação do primeiro turno das eleições gerais, marcada para domingo, 4 de outubro de 2026.
A decisão de suspender o programa foi comunicada pela emissora após o recebimento de duas intimações judiciais enviadas pouco antes do início da atração. Em nota oficial, a empresa afirmou que as ordens dos tribunais criaram um quadro de insegurança jurídica e afetaram a organização editorial do confronto: “Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais. Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite.”
Decisões do TSE e STF desestruturam regras do debate presidencial
A primeira ordem judicial acolhida partiu da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em resposta a um requerimento apresentado pela coligação do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão invalidou o ponto do regulamento que previa a manutenção de um púlpito vazio com o nome de candidatos faltosos e impedia a realização de perguntas direcionadas a concorrentes ausentes. O modelo suspenso havia sido aprovado e assinado previamente em ata por representantes de todas as legendas participantes, incluindo o PT, e concedia 30 segundos para que debatedores presentes formulassem questões a quem não comparecesse.
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Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido apresentado pelo partido Solidariedade e ordenou a inclusão imediata de Renan Santos (Missão) no programa. A legislação e as instruções do tribunal eleitoral fixam o convite obrigatório apenas a postulantes cujas agremiações tenham ao menos cinco parlamentares no Congresso Nacional, patamar não atingido pelo partido Missão, que conta com apenas um representante legislativo. O jornalista César Tralli estava escalado para mediar o encontro.
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Desistências e mudanças de participantes no debate presidencial
O cenário do confronto televisivo já vinha sendo modificado desde a terça-feira, 29 de setembro de 2026, quando o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, reviu a contagem de cadeiras no parlamento e determinou que Romeu Zema (Novo) fosse integrado ao debate. Pela convocação original fundamentada no critério de bancada federal, a emissora havia chamado Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O quadro de presenças no debate presidencial sofreu alterações decisivas nas horas que antecederam o cancelamento:
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- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou na quarta-feira (30) que não compareceria aos estúdios e agendou uma entrevista ao vivo no canal Flow Podcast na mesma faixa de horário.
- Flávio Bolsonaro (PL) publicou em redes sociais a recusa em ir ao estúdio após o veto ao púlpito vazio: “Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes.”
- Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) já haviam se deslocado e chegado às instalações da emissora no Rio de Janeiro antes do anúncio oficial da suspensão.
- Renan Santos (Missão) obteve a decisão favorável no STF poucas horas antes do horário de abertura previsto na grade.
A emissora não divulgou se pretende oferecer espaço individual em formato de entrevistas para os candidatos que já estavam presentes na sede da empresa antes do cancelamento.
