James Webb capta labirinto cósmico no aglomerado MACS J0454

Aglomerado MACS J0454 - Reprodução/YouTubeAglomerado MACS J0454 - Reprodução/YouTube

Aglomerado MACS J0454 - Reprodução/YouTube

O Telescópio Espacial James Webb capturou uma nova imagem detalhada do aglomerado de galáxias MACS J0454.1-0300, cuja gravidade extrema atua como uma lente natural no espaço profundo. A divulgação dos dados científicos ocorreu na terça-feira (29 de setembro de 2026) pela Agência Espacial Europeia, em cooperação com a Nasa e a Agência Espacial Canadense, mostrando galáxias distantes curvadas e multiplicadas em um formato comparado a uma casa de espelhos cósmica.

A força gravitacional do conjunto massivo desviou e ampliou a trajetória da luz de corpos celestes situados em segundo plano, projetando estruturas com aumento visual de mais de 300 vezes. Em comunicado oficial da missão espacial, em tradução livre, a agência explicou a dinâmica da cena: “Embora este aglomerado de galáxias seja um alvo científico valioso por si só, as verdadeiras estrelas desta imagem são as galáxias que aparecem distorcidas e esticadas, como uma pintura que foi borrada por uma mão gigante”.

Detalhamento técnico da observação astronômica de MACS J0454.1-0300

  • Objeto catalogado: aglomerado galáctico MACS J0454.1-0300
  • Instrumentos envolvidos: programas científicos 5058 e 6882 do Telescópio Espacial James Webb
  • Data oficial de divulgação do registro: 29 de setembro de 2026
  • Instituições responsáveis: Agência Espacial Europeia, Nasa e Agência Espacial Canadense
  • Fenômeno registrado: lente gravitacional com quadruplicação de imagens distantes

Efeito de lente gravitacional gera imagens multiplicadas do início do Universo

A deformação luminosa ocorre quando a enorme massa de matéria em primeiro plano distorce o próprio tecido do espaço-tempo ao redor, criando caminhos múltiplos para os feixes luminosos que viajam em direção aos instrumentos de medição. No caso de MACS J0454.1-0300, a configuração de alinhamento produziu uma formação quádrupla vista duas vezes no mesmo aglomerado, uma ocorrência rara que atinge somente entre 10% e 20% das estruturas galácticas massivas catalogadas por astrônomos.

A técnica permitiu a cientistas examinar objetos que existiam quando o Universo estava em fases primordiais. As áreas afetadas pela lente exibem um grupo de galáxias em fusão visto na forma exata em que se encontrava 2 bilhões de anos após o Big Bang, gerando intensa formação estelar, além de uma galáxia individual detectada em um estágio de apenas 800 milhões de anos depois do nascimento do cosmos. Astrônomos também localizaram aglomerados compactos brilhantes com diâmetro estimado de 5 anos-luz, revelando detalhes que permaneceriam invisíveis para qualquer telescópio em condições comuns de observação.

Diferenças entre o mapeamento do James Webb e o registro histórico do Hubble

O aglomerado MACS J0454.1-0300 já havia sido fotografado anteriormente, mas os dados inéditos revelam um salto na capacidade de detecção do cosmos primitivo. A observação realizada em 2014 pelo Telescópio Espacial Hubble apresentou o centro luminoso da formação, contudo a sensibilidade ao espectro infravermelho empregada pelo telescópio James Webb identificou centenas de galáxias adicionais de coloração avermelhada que não haviam sido captadas na imagem anterior. Essas galáxias sempre ocuparam aquela posição espacial, porém sua luz tênue e deslocada pelo tempo cósmico dependia da maior abertura e precisão térmica dos sensores atuais.

Sobre as formações que se destacam visualmente ao lado do grupo principal, a equipe da missão alertou para a distância real de cada componente. Em tradução livre, o comunicado oficial da Agência Espacial Europeia pontuou: “As galáxias alaranjadas concentradas em um dos lados do aglomerado não fazem parte dele na realidade e estão muito mais afastadas de nós”. As galáxias douradas e elípticas formam a estrutura frontal, cuja luz foi emitida quando o Universo contava cerca de 8 bilhões de anos.

Veja também: James Webb revela novo mapa da teia cósmica em escala inédita e redefine a evolução das galáxias

Evolução das observações de MACS J0454.1-0300

  • 2014 — Telescópio Espacial Hubble obtém e publica o primeiro registro de alta resolução do aglomerado MACS J0454.1-0300
  • 29 de setembro de 2026 — Agência Espacial Europeia divulga dados do Telescópio James Webb com centenas de galáxias ocultas reveladas no infravermelho
  • 30 de setembro de 2026 — Pesquisas baseadas nos dados dos programas 5058 e 6882 entram em fase de análise por equipes científicas internacionais

Modelagem de massa e próximos passos dos programas científicos

Os levantamentos observacionais foram conduzidos pelos programas científicos número 5058, voltado para a detecção de estrelas individuais no primeiro bilhão de anos do Universo, e número 6882, liderado pelo pesquisador Seiji Fujimoto para investigar a origem e a evolução das primeiras formações estelares. Em paralelo aos registros de imagem, o pesquisador Ashish Kumar Meena, do Instituto Indiano de Ciência, atua na modelagem da distribuição da massa total presente no aglomerado para mapear a presença de matéria escura invisível.

Os astrônomos analisam agora a composição química das galáxias multiplicadas em arco para determinar o ritmo exato em que novas estrelas nasciam nas regiões ampliadas em mais de 300 vezes. Os dados espectroscópicos coletados pelo telescópio devem balizar simulações computacionais sobre como os aglomerados gigantescos moldaram a estrutura cósmica observada nos dias atuais.