Vasco x Boca Juniors no Maracanã? Clube vai à Justiça para liberar o estádio
O Club de Regatas Vasco da Gama ajuizou uma ação na 2ª Vara Cível da Comarca da Capital do Rio de Janeiro para obrigar a concessionária Fla-Flu Serviços S.A. a ceder o Maracanã na semifinal da Copa Sul-Americana. O clube pede tutela de urgência com aplicação de multa diária de R$ 1.000.000,00 caso a administradora descumpra uma eventual determinação judicial de abertura da arena esportiva.
A iniciativa do departamento jurídico cruzmaltino, presidido por Pedrinho, ocorre após a recusa formal emitida pela concessionária na segunda-feira (28). Flamengo e Fluminense, gestores do consórcio, vetaram a solicitação vascaína sob a justificativa de excesso de partidas no calendário esportivo e necessidade de preservação técnica do gramado.
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Exigência da Conmebol e limitações de São Januário
O Vasco sustenta na petição inicial do processo nº 3203804-25.2026.8.19.0001 que o Estádio de São Januário não tem condições de receber o confronto internacional por conta das normas operacionais vigentes. A entidade sul-americana estipula um patamar de lotação superior ao permitido na praça esportiva própria do clube para os confrontos decisivos da fase final do torneio continental.
“São Januário não pode ser utilizado para a partida em questão porque o Manual de Clubes da Copa Sudamericana editado pela CONMEBOL estabelece capacidade mínima de 30 mil espectadores para os estádios que sediam partidas a partir das semifinais”, informou o Vasco na peça enviada ao tribunal. O documento acrescenta que “a busca pelo Maracanã, portanto, não decorre de mera preferência do VASCO por um estádio de maior capacidade, mas da necessidade de indicar uma praça esportiva que cumpra as exigências da competição para o jogo que o clube tem o direito de sediar no Rio de Janeiro”.
Rejeição ao piso sintético e parecer da Polícia Militar
A petição inicial também descarta o uso do Estádio Nilton Santos, outra praça carioca com capacidade superior ao índice estipulado pela Conmebol. O departamento jurídico argumentou que a utilização do campo alvinegro provocaria desequilíbrio na disputa esportiva pelo fato de a equipe atuar tradicionalmente em grama natural, modelo presente tanto em São Januário quanto no Maracanã.
“Entretanto, o VASCO, até o presente momento, não disputou qualquer partida da Copa Sudamericana em gramado sintético. A eventual realização da partida no Estádio Nilton Santos imporia ao clube mandante inequívoca desvantagem esportiva, na medida em que o Estádio São Januário, sua praça desportiva habitual, possui gramado natural, assim como o Estádio do Maracanã. A alteração do local da partida acarretaria a necessidade de adaptação a condições de jogo diversas daquelas regularmente enfrentadas pelo clube ao longo da competição, em evidente prejuízo ao equilíbrio esportivo da disputa”, afirmou a direção vascaína em juízo.
Para atestar a viabilidade operacional e a segurança do evento, a ação protocolada anexou parecer favorável emitido pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro autorizando o confronto entre as agremiações no Maracanã. O clube aponta ainda um Memorando de Entendimentos firmado em 2025 com Flamengo e Fluminense, que prevê a cessão do espaço em até quatro partidas oficiais por temporada em competições organizadas pela CBF, Conmebol ou Fifa.
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Vasco tem até 5 de outubro para definir estádio do jogo contra o Boca Juniors
- 5 de outubro de 2026: data limite imposta pela Conmebol para o Vasco oficializar o local da partida de volta;
- 13 de outubro de 2026: jogo de ida entre Boca Juniors e Vasco, no Estádio La Bombonera, em Buenos Aires;
- 20 de outubro de 2026, às 21h30: partida de volta entre Vasco e Boca Juniors, marcada para a capital fluminense;
- Semifinal paralela: confronto eliminatório disputado entre Atlético-MG e Montevideo City Torque.
Histórico de negativas do consórcio em 2026
O veto ao duelo diante do Boca Juniors representa a terceira recusa imposta pelo Consórcio Fla-Flu a solicitações vascaínas ao longo do ano de 2026. A concessionária já havia impedido a transferência de mando de campo do clube para o Maracanã nas partidas disputadas contra Vitória e Palmeiras, ambas válidas pela Copa do Brasil.
A disputa jurídica na esfera esportiva teve movimentações anteriores no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Na terça-feira (29), às 16h50, a juíza Georgia Vasconcellos, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Capital, indeferiu um pedido de liminar apresentado em ação popular movida por um associado. Já nesta quinta-feira (1), às 14h13, o desembargador Mauro Dickstein declarou suspeição por motivo de foro íntimo para apreciar o agravo interposto no processo popular, minutos antes de o clube ingressar com a ação direta às 14h36.
A 2ª Vara Cível da Comarca da Capital ainda não proferiu decisão a respeito da concessão ou não da tutela de urgência pleiteada pelo Vasco. Paralelamente, a Conmebol não emitiu posicionamento público sobre uma eventual flexibilização excepcional da exigência de 30 mil lugares para viabilizar o jogo em São Januário.
