Justiça manda Corinthians suspender patrocínio de plataforma de conteúdo adulto
A Justiça de São Paulo determinou a suspensão imediata da exibição, divulgação e promoção da marca Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto por assinatura, em todas as propriedades oficiais do Corinthians. A decisão em caráter liminar, assinada na Vara da Infância e da Juventude do Foro Regional do Tatuapé nesta quinta-feira (1), estabelece um prazo de 15 dias para que o clube retire ou cubra totalmente o logotipo da empresa de seus uniformes de jogo, centros de treinamento, instalações esportivas e canais digitais, além de desativar eventuais links de redirecionamento para o site.
O processo decorre de uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que apontou risco concreto ao público infantojuvenil em decorrência da grande visibilidade da torcida alvinegra. O magistrado responsável acolheu os argumentos da promotoria ao identificar perigo de dano à integridade emocional, à dignidade e ao desenvolvimento sadio de crianças e adolescentes. A ordem judicial também obriga a empresa a implementar mecanismos eficazes de verificação de idade para bloquear o ingresso de menores na plataforma. A tramitação corre sob segredo de justiça no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
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Valores e cláusulas da parceria entre Corinthians e Fatal Fans
O vínculo comercial com a plataforma adulta foi estabelecido com cifras expressivas e possibilidade de extensão no Parque São Jorge, mas agora depende de desdobramentos jurídicos nos tribunais.
- R$ 22 milhões: valor total previsto no contrato original com validade estipulada até dezembro de 2027.
- R$ 31 milhões: montante financeiro total que o acordo atingiria se exercida a cláusula de renovação por mais 12 meses.
- 15 dias: prazo limite estabelecido pelo tribunal paulista para a retirada integral da marca e de links correlatos.
- 28 de junho de 2026: data em que ocorreu a assinatura inicial da parceria entre o clube e a marca.
- 1 de setembro de 2026: momento em que o Ministério Público abriu o inquérito civil para apurar a exposição da marca a jovens.
Posicionamento da empresa e situação institucional do Corinthians
A Fatal Fans sustentou publicamente que atua conforme as leis brasileiras de proteção a menores e que soube do parecer judicial apenas por notícias veiculadas na imprensa. Em nota oficial, a empresa afirmou: “O Fatal Fans tomou conhecimento pela imprensa, na tarde desta quinta-feira (1º), da decisão liminar que determina a suspensão temporária da divulgação do patrocínio à equipe do Corinthians. Nossa equipe jurídica já está analisando o teor do documento para tomar as medidas cabíveis.” A marca pertence à desenvolvedora Atlas Technologies e ao grupo Fatal Model.
No mesmo comunicado, a patrocinadora defendeu a licitude de seus procedimentos técnicos e de seu espaço comercial: “Temos profundo respeito pelas instituições, pelas famílias e, sobretudo, com a proteção integral de crianças e adolescentes. Por essa razão, operamos em total conformidade com o ECA Digital e mantemos rigorosos controles de verificação de idade em nossa plataforma, garantindo um ambiente seguro e restrito.” A nota complementou: “Reiteramos que a presença da marca no Corinthians possui caráter estritamente institucional. Trata-se do apoio ao clube por meio da exibição do nosso logotipo nos calções e materiais – sem qualquer veiculação de imagens, links ou conteúdos inadequados para menores de idade”.
O Corinthians, presidido por Osmar Stabile, informou que ainda não havia recebido notificação oficial da decisão judicial até o momento da divulgação dos relatos. Ainda não se sabe se o Corinthians irá recorrer da decisão por meio de agravo de instrumento assim que for intimado oficialmente pelos oficiais de justiça.
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Histórico do patrocínio da Fatal Fans e atritos comerciais
A parceria gerou debates internos no clube desde os primeiros momentos da negociação, envolvendo outros departamentos esportivos e parceiros comerciais. No time masculino de futebol profissional, a marca começou a ser estampada nos calções de jogo, mas precisou mudar de posição em setembro de 2026. A alteração ocorreu após queixa formal da fornecedora esportiva Nike, que recusou estampar o seu logotipo no mesmo lado ocupado pela empresa de conteúdo adulto, forçando a transferência da marca da Fatal Fans para a perna direita do calção, logo acima do escudo do clube. A marca também passou a constar nos uniformes das equipes de futsal e basquete.
Já no futebol feminino do Corinthians, a estrutura da divulgação foi desenhada de maneira distinta da equipe masculina para evitar atritos com a audiência. O patrocínio da Fatal Fans não estampava o nome comercial de seus produtos nas camisas das atletas, veiculando campanhas sociais de conscientização e combate à violência contra a mulher. A empresa também assumiu o pagamento dos salários da atacante Gisela Robledo após a prorrogação contratual da jogadora colombiana com o clube paulista até 31 de agosto de 2027.
O executivo de negócios da Atlas Technologies, Samuel Ongaratto, e o departamento jurídico da companhia realizam a análise dos autos para tentar reverter a decisão liminar nos próximos dias.
