Lua oculta Vênus em alinhamento de quatro horas pelo céu

Conjunção Lua e Vênus - Patryk_Kosmider/ istockphoto.comConjunção Lua e Vênus - Patryk_Kosmider/ istockphoto.com

Conjunção Lua e Vênus - Patryk_Kosmider/ istockphoto.com

O planeta Vênus foi ocultado pela Lua em um fenômeno astronômico global que durou 4 horas e 16 minutos em 14 de setembro de 2026. A passagem do satélite natural diretamente à frente do planeta na linha de visão terrestre pôde ser acompanhada em faixas da Europa, África e Ásia, enquanto observadores no Brasil contemplaram uma aproximação visual estreita entre os dois corpos celestes logo após o pôr do sol.

O fenômeno completo transcorreu entre 06h26 e 10h42 pelo horário de Brasília, intervalo correspondente ao período das 09h26 às 13h42 pelo Horário Universal Coordenado. Pela perspectiva brasileira, a proximidade angular permitiu acompanhar a dupla lado a lado no firmamento a oeste, com ambos os astros localizados na constelação de Virgem durante o alinhamento.

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Registros astronômicos da ocultação de Vênus pela Lua

As informações apuradas pelo astrônomo Dominic Ford, fundador da plataforma astronômica In-The-Sky.org, e divulgadas pela jornalista Flávia Correia detalham as características técnicas da trajetória dos corpos celestes durante a segunda ocultação do ano de 2026.

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  • Data da ocorrência: 14 de setembro de 2026
  • Horário global do bloqueio: das 06h26 às 10h42 pelo horário de Brasília
  • Duração total do evento: 4 horas e 16 minutos
  • Distância angular mínima: 28,8 minutos de arco entre os centros dos corpos celestes
  • Magnitude aparente no alinhamento: -10.3 para a Lua e -4.5 para Vênus
  • Regiões de cobertura total: partes da Europa, África, Oriente Médio e Ásia
  • Posicionamento estelar: constelação de Virgem
Lua crescente e Vênus -muratart/shutterstock.com

Aproximação entre a Lua e Vênus no horizonte do Brasil

Embora a faixa de bloqueio visual total não tenha cruzado o território brasileiro, o público pôde acompanhar a aproximação angular dos corpos celestes logo no início da noite. Na cidade de São Paulo, o intervalo de observação estendeu-se das 18h08 às 20h52, momento em que os astros desapareceram no horizonte. A separação mínima registrada entre os centros dos corpos celestes atingiu 28,8 minutos de arco, o que equivale a menos de meio grau de distância no firmamento. Essa distância reduzida permitiu o enquadramento conjunto em instrumentos ópticos como telescópios e a observação nítida a olho nu ou com binóculos a cerca de 36 graus acima da linha oeste.

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O brilho aparente dos objetos celestes durante o encontro seguiu a escala astronômica de magnitude, na qual valores numéricos menores ou negativos indicam objetos de luminosidade mais intensa. A Lua apresentou magnitude de -10.3, enquanto Vênus alcançou índice de -4.5. Em comparação, o Sol exibe magnitude aparente de -27, mantendo-se como o objeto mais luminoso visível a partir da superfície terrestre.

Efeito da paralaxe lunar na trajetória visual de Vênus

A restrição geográfica que impediu o público brasileiro de testemunhar o desaparecimento total de Vênus decorre da paralaxe lunar, fenômeno provocado pela relativa proximidade do satélite em relação à Terra, situada a cerca de 384 mil quilômetros. Por estar consideravelmente mais perto do que os planetas do Sistema Solar, a posição aparente da Lua varia no céu segundo a localização exata de quem realiza a observação. Esse deslocamento aparente atinge até dois graus de arco entre observadores instalados em pontos opostos do planeta, extensão equivalente a quatro vezes o diâmetro da lua cheia.

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Esse comportamento faz com que uma ocultação lunar atue como um eclipse de dimensões planetárias. Quando a órbita lunar se sobrepõe perfeitamente à visão de um astro a partir de uma zona do globo, ela se projeta deslocada em até dois graus de separação do mesmo astro para observadores situados no lado oposto do planeta Terra.

Calendário dos alinhamentos de Vênus com a Lua em 2026

O evento observado em setembro compõe uma sequência de três passagens da Lua em frente ao planeta vizinho registradas ao longo do ano de 2026, com áreas de visibilidade distintas em razão dos movimentos orbitais dos corpos celestes.

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  • 17 de junho de 2026 — Primeira ocultação lunar de Vênus no ano, observada a partir de regiões da América do Norte e de pontos da América do Sul.
  • 14 de setembro de 2026 — Segunda ocultação lunar de Vênus no ano, visível na Europa, África e Ásia, com registro de conjunção angular no território brasileiro.
  • 7 de novembro de 2026 — Terceira ocultação lunar de Vênus no ano, projetada para cobrir localidades situadas na faixa sul da América do Sul.

Próxima ocultação de Vênus na América do Sul

O encerramento do ciclo anual de ocultações do planeta ocorrerá em 7 de novembro de 2026. Nessa ocasião, a zona geográfica prioritária para acompanhar a passagem da borda lunar à frente de Vênus ficará concentrada no extremo sul do continente sul-americano.