Manchester City contesta punição da Premier League após condenação em 114 acusações
O Manchester City protocolou formalmente recurso contra a decisão da comissão independente da Premier League que condenou a agremiação por violações de regras financeiras. O clube foi considerado culpado em 114 das 115 acusações apresentadas pela liga inglesa após apurações sobre contratos comerciais e receitas declaradas.
A apresentação da contestação ocorreu às 19h no horário britânico de quinta-feira (1º), antes do prazo fatal fixado para 2 de outubro de 2026. A Premier League confirmou o recebimento da documentação endereçada ao presidente do Painel Judicial e comunicou que a audiência do Conselho de Apelação permanecerá sob sigilo até a liberação pública do resultado.
O que o recurso do Manchester City contesta na Premier League?
A comissão independente considerou a equipe culpada de todas as 80 acusações de infrações financeiras diretas entre as temporadas 2009/10 e 2017/18, além de 34 das 35 acusações relativas à recusa em cooperar com as apurações. As alegações foram protocoladas originalmente pela entidade organizadora do torneio em 6 de fevereiro de 2023, após anos de investigações contábeis sobre as contas apresentadas pela diretoria.
Em nota oficial, o clube declarou inocência diante do veredito desfavorável: “A posição firme do clube é que, em múltiplos fundamentos, a opinião contém erros materiais claros, de direito, de princípio e de fato, e é insegura. O clube é inocente das acusações feitas pela Premier League e um conjunto abrangente de provas irrefutáveis existe em apoio a todas as suas posições relacionadas a este caso”, informou o Manchester City, em tradução livre do inglês.
A linha defensiva apresentada pelo time argumenta que aportes de patrocínio foram financiados diretamente pelo governo de Abu Dhabi, por intermédio da Corte do Príncipe Herdeiro de Abu Dhabi, e não pelos proprietários privados do clube. A tese já havia sido debatida perante o colegiado anterior durante audiências realizadas entre 16 de setembro e 6 de dezembro de 2024, mas os julgadores rejeitaram a justificativa ao considerarem que a explicação configurou uma narrativa fabricada posteriormente para mascarar os fluxos financeiros analisados.
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Acusações de contratos simulados somam mais de 830 milhões de libras no Manchester City
O relatório emitido pela comissão independente sustentou a existência de acordos simulados com parceiros comerciais para inflar os balanços financeiros da agremiação esportiva. Segundo a apuração do tribunal esportivo, o mecanismo movimentou mais de 830 milhões de libras em financiamento disfarçado aportado pelos proprietários para cumprir artificialmente as normas de sustentabilidade financeira estabelecidas pela Premier League e pela União das Associações Europeias de Futebol (Uefa).
O histórico de disputas regulatórias do clube inclui uma punição aplicada pela Uefa em 2020, que previa suspensão de dois anos das competições continentais e multa de 30 milhões de euros. Naquela ocasião, o Manchester City reverteu o banimento e reduziu o valor para 10 milhões de euros perante o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), com base na prescrição de parte das imputações. No entanto, o regulamento vigente da liga britânica não autoriza recursos ao CAS, restringindo a tramitação a um Conselho de Apelação interno formado por três especialistas da área jurídica.
Dados do recurso do Manchester City e prazos regulamentares
- Data e horário do protocolo do recurso: 1º de outubro de 2026, às 19h no horário britânico
- Prazo limite regulamentar estipulado pela Premier League: 2 de outubro de 2026
- Volume total de financiamento disfarçado apontado pela acusação: mais de 830 milhões de libras
- Total de imputações julgadas procedentes: 114 infrações de 115 apresentadas
- Prazo regulamentar máximo para realização da nova audiência: 12 semanas
- Prazo regulamentar para publicação da decisão final após a audiência: até 30 dias
Sanções disciplinares e a posição da Football Association sobre o Manchester City
A Football Association (FA), entidade máxima responsável pela regulação do futebol no território inglês, passou a acompanhar os desdobramentos jurídicos após a condenação proferida em 29 de setembro de 2026. A instituição comunicou oficialmente avaliar o teor do processo para avaliar eventuais sanções sob sua alçada disciplinar autônoma.
“Estamos considerando cuidadosamente a decisão e suas implicações e tomaremos medidas onde for apropriado”, informou a Football Association em comunicado oficial, em tradução livre do inglês. O órgão regulador apontou que o resultado do processo acarreta implicações expressivas para a integridade da modalidade no país.
As punições desportivas cabíveis perante as regras da competição, que englobam dedução de pontuação na tabela, aplicações de sanções pecuniárias ou até expulsão do quadro de participantes da Premier League, não serão aplicadas de imediato. A definição de eventuais penalidades ocorrerá somente em uma audiência disciplinar separada, após o encerramento dos trâmites perante o Conselho de Apelação.
A data exata do início das sessões da nova audiência e os nomes dos três juristas que integrarão a banca revisora ainda não foram designados pelo presidente do Painel Judicial da Premier League.
