O mercado de trabalho dos Estados Unidos registrou a abertura de 29.000 postos de trabalho não agrícolas em setembro de 2026, revelando forte desaceleração nas contratações em todo o país. O total de novas vagas ficou bem abaixo da expectativa de analistas e instituições financeiras, que projetavam a criação de aproximadamente 84.000 ocupações para o período.
Os números foram apresentados pelo Bureau of Labor Statistics, órgão governamental de estatísticas trabalhistas sediado em Washington, D.C., por meio do relatório oficial The Employment Situation nesta sexta-feira (2). Com o desempenho fraco do mês, a taxa de desemprego norte-americana subiu para 4,2%, contra os 4,1% apurados em agosto, elevando o contingente de trabalhadores sem ocupação no território americano para 7,1 milhões de pessoas.
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Criação de vagas cai após marca de 162 mil postos em agosto nos Estados Unidos
A retração no ritmo de contratações reflete uma mudança expressiva em relação ao mês anterior, quando a economia americana havia registrado a abertura líquida de 162.000 vagas não agrícolas. O recuo acentuado de agosto para setembro expôs o enfraquecimento da demanda por mão de obra em diversos setores produtivos.
Apesar da recente oscilação, o índice de desocupação geral tem mantido certa estabilidade histórica, oscilando continuamente em uma faixa estreita entre 4,1% e 4,3% desde março de 2026. A taxa de participação da população na força de trabalho ficou em 61,8% no encerramento de setembro, enquanto a razão entre o nível de emprego e o total de habitantes permaneceu calculada em 59,2%.
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Entre os segmentos sociais avaliados pela pesquisa governamental, a taxa de desemprego entre os trabalhadores negros apresentou a variação mais sensível, subindo para 7,0% em setembro. Em contrapartida, os demais recortes étnicos e grupos demográficos monitorados pelo órgão federal registraram poucas mudanças em seus índices de ocupação.
A parcela da população considerada desempregada de longa duração, grupo formado por pessoas que buscam trabalho sem sucesso há 27 semanas ou mais, permaneceu estabilizada na marca de 1,9 milhão de indivíduos. Essa categoria representa exatamente 27,1% de todas as pessoas desocupadas no mercado de trabalho
americano no momento.Inflação persistente e medidas migratórias alteram ritmo de contratações nos EUA
A perda de ritmo na economia reflete fatores combinados que incidem sobre o custo operacional das empresas e a disponibilidade de funcionários. As pressões derivadas da inflação persistente e o avanço da fiscalização sobre leis de imigração, com perda de autorizações legais de trabalho por parte de funcionários, vêm pesando diretamente sobre as decisões de recrutamento das companhias.
A analista Lauren Kaori Gurley, repórter especializada em economia e trabalho do The Washington Post, pontuou que os entraves inflacionários e as regras migratórias mais rígidas afetam diretamente setores produtivos sensíveis à flutuação de custos operacionais e contratação rápida.
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“Provavelmente veremos mais volatilidade no mercado de trabalho este ano. Há muitos fatores diferentes afetando tanto a movimentação dos trabalhadores quanto as expectativas de contratação dos empregadores, e eles estão mudando muito rapidamente”, declarou Nicole Bachaud, economista do trabalho na plataforma de recrutamento ZipRecruiter, em tradução livre.
O arrefecimento nos dados de emprego também influencia as apostas dos agentes de mercado para as próximas reuniões de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, que monitora o emprego para dosar as taxas de juros básicas.
“O ganho mais fraco de empregos e a leve alta na taxa de desemprego em setembro não são suficientes para manchar a imagem de um mercado de trabalho que, de modo geral, apresenta bom desempenho, embora possam ajudar a conter as expectativas dos investidores sobre até onde o Fed acabará apertando, voltando à nossa visão de mais dois aumentos de juros”, afirmou Bradley Saunders, economista de América do Norte da consultoria Capital Economics, em tradução livre.
Indicadores oficiais do mercado de trabalho norte-americano em setembro de 2026
- Criação líquida de postos de trabalho não agrícolas: 29.000 vagas abertas
- Taxa oficial de desemprego no país: 4,2% da força de trabalho
- Estimativa média prévia do mercado financeiro: 84.000 novas vagas
- Vagas não agrícolas criadas no mês anterior (agosto de 2026): 162.000 postos
- População total de desempregados no país: 7,1 milhões de trabalhadores
- Taxa de desocupação entre trabalhadores negros: 7,0%
- Desempregados há 27 semanas ou mais: 1,9 milhão de pessoas (27,1% dos desocupados)
- Taxa de participação na força de trabalho: 61,8%
- Razão entre emprego e população: 59,2%
Próxima divulgação de dados salariais pelo Bureau of Labor Statistics
Após a apresentação dos dados quantitativos de contratações do nono mês do ano, a rotina de levantamentos econômicos continua em Washington. O Bureau of Labor Statistics marcou a divulgação oficial do indicador de rendimentos reais dos trabalhadores, chamado Real Earnings, para o dia 14 de outubro de 2026, às 08h30 no horário da costa leste americana, equivalente às 09h30 no horário de Brasília.
O índice de rendimentos reais permitirá identificar se a evolução dos salários médios nos Estados Unidos conseguiu acompanhar ou superar as perdas causadas pelo avanço dos preços ao consumidor ao longo do mês de setembro.
