O Observatório Neil Gehrels Swift, da NASA, caminha para uma reentrada destrutiva na atmosfera da Terra até o fim de 2026, após o fracasso de uma missão robótica pioneira projetada para impulsionar sua órbita. A perda progressiva de sustentação forçará o encerramento definitivo das operações científicas assim que o satélite de 1.452 quilos descer abaixo da marca crítica de 300 quilômetros de altitude em relação à superfície do planeta.
A tentativa comercial de resgate dependia da espaçonave LINK, fabricada pela Katalyst Space Technologies por meio de um contrato de US$ 30 milhões firmado com a agência espacial norte-americana. O plano original previa acoplar o veículo robótico à estrutura do telescópio para elevar sua trajetória, mas problemas contínuos de orientação consumiram todo o combustível da sonda em manobras corretivas no espaço, inviabilizando a manobra principal de ancoragem.
Missão LINK encerra testes a 12 quilômetros do telescópio e reentra na atmosfera
A sonda comercial encerrou formalmente suas operações em órbita em 25 de setembro de 2026, às 09h00 no fuso EDT, quando realizou uma descida controlada e desintegrou-se na atmosfera após 85 dias em missão. Lançada em 3 de julho de 2026 por um foguete Pegasus XL a partir do Atol de Kwajalein, a espaçonave enfrentou oscilações mecânicas logo após alcançar a órbita terrestre baixa, o que obrigou os engenheiros a reescrever protocolos de voo enquanto tentavam estabilizar o veículo.
Embora a queima excessiva de propelente tenha eliminado a possibilidade de capturar o telescópio, a equipe técnica da empresa, baseada em Broomfield, no Colorado, e em Flagstaff, no Arizona, converteu a operação em um teste tecnológico autônomo. O robô espacial aproximou-se a uma distância entre 12 e 15 quilômetros do Swift na primeira semana de setembro de 2026, momento em que acionou com sucesso seus três propulsores elétricos e estendeu os três braços mecânicos concebidos para manobras de acoplamento em órbita.
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“Desde o início, esta foi uma missão de alto risco e alto retorno. Sem intervenção, o Swift reentraria na atmosfera até o fim do ano”, disse Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica na sede da NASA, em tradução livre. O diretor-executivo da Katalyst Space Technologies, Ghonhee Lee, declarou que o projeto servirá de base técnica para novas sondas: “O futuro do espaço exigirá naves espaciais que possam fazer mais quando chegarem lá. Estamos construindo em direção a esse futuro”.
Reativação do Burst Alert Telescope acelera a perda de altitude do observatório
Com o fim da missão de resgate e a certeza de que a estrutura não receberá suporte externo, a equipe científica decidiu extrair o máximo de rendimento dos sensores restantes antes da queima atmosférica. Os pesquisadores confirmaram a recalibração e reativação do Burst Alert Telescope em 18 de setembro de 2026, instrumento especializado na captação inicial de erupções cósmicas de alta energia que havia sido mantido desligado para economizar os sistemas de bordo.
Em 21 de setembro de 2026, o satélite voltou a executar manobras de apontamento automático para registrar explosões de raios gama pelo universo. Essa movimentação contínua dos painéis e dos instrumentos científicos na direção de alvos astronômicos transitórios aumentou a área de superfície exposta às partículas das camadas mais altas do planeta. O atrito aerodinâmico resultante elevou o arrasto sobre a estrutura, acelerando o ritmo natural de queda do telescópio, que se encontrava a cerca de 325 quilômetros de altitude no fim de setembro de 2026.
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A equipe do Centro de Voos Espaciais Goddard estima que o satélite cruzará a barreira dos 300 quilômetros em 15 de outubro de 2026. A partir desse ponto, o arrasto do ar rarefeito tornará impossível estabilizar os giroscópios e apontar os sistemas de imagem com precisão astronômica, determinando a interrupção irrevogável de qualquer coleta de dados científicos.
Ciclo solar de 2024 encurtou a trajetória de duas décadas do satélite
Lançado originalmente pela NASA em 20 de novembro de 2004, o observatório espacial operou de forma ininterrupta por quase 22 anos. Desenvolvido primariamente para rastrear explosões de raios gama, o projeto evoluiu para um observatório multifuncional capaz de registrar informações simultâneas em comprimentos de onda de raios gama, raios X, luz visível e ultravioleta, auxiliando no monitoramento de buracos negros, estrelas de nêutrons, cometas e asteroides.
A perda de sustentação orbital foi intensificada pelo ciclo solar de 11 anos, que atingiu seu pico de atividade máxima ao longo de 2024. As erupções solares frequentes e as ejeções de massa coronal emitidas pelo Sol aqueceram e expandiram termicamente a termosfera terrestre, multiplicando a densidade dos gases nas altitudes em que o telescópio orbitava. Sem propulsores próprios para corrigir sua órbita periodicamente, a nave espacial começou a afundar de maneira gradual nas camadas gasosas densas.
O desenho original do Swift também aumentou a dificuldade de qualquer operação de socorro, já que a estrutura física construída nos anos 2000 nunca recebeu placas padronizadas de encaixe ou mecanismos de reabastecimento. S. Bradley Cenko, pesquisador principal do projeto no Centro Goddard, lembrou a herança do cientista Neil Gehrels, responsável pelo projeto original do instrumento e que deu nome póstumo ao satélite: “Ele teria celebrado o fato de que esse esforço de lançamento fazia parte do legado do Swift, permitindo que a NASA tentasse algo novo e ousado, mesmo que o resultado não fosse garantido”.
LeoLabs estima probabilidade remota de danos estruturais na Terra
A empresa especializada em rastreamento orbital LeoLabs informou que a possibilidade de a queda de detritos espaciais atingir seres humanos ou causar destruição patrimonial relevante é insignificante. Grande parte dos componentes de metal leve, cabos e sensores ópticos do telescópio deve se desintegrar completamente em decorrência do atrito térmico gerado a milhares de quilômetros por hora durante a penetração nas camadas densas do ar.
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“Embora seja possível que alguns componentes da espaçonave Swift sobrevivam à reentrada devido ao seu tamanho, a probabilidade de detritos causarem danos materiais significativos ou danos físicos a qualquer pessoa é muito pequena”, divulgou a LeoLabs. A corporação destacou que os fragmentos metálicos mais resistentes que resistirem à queima têm como destino estatístico provável o leito oceânico ou extensões continentais desabitadas.
Dados técnicos e cronologia do Observatório Neil Gehrels Swift
- Massa total do satélite em órbita: 1.452 quilogramas
- Altitude operacional no final de setembro de 2026: aproximadamente 325 quilômetros
- Altitude limite para corte das operações científicas: 300 quilômetros
- Tempo de atividade científica no espaço: 22 anos, desde o lançamento em 20 de novembro de 2004
- Duração da missão robótica LINK até a reentrada: 85 dias, de 3 de julho a 25 de setembro de 2026
- Valor do contrato da missão comercial com a Katalyst Space: US$ 30 milhões
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O local exato da queda e o minuto preciso em que a carcaça do observatório cruzará a barreira atmosférica final continuam indeterminados. Agências internacionais de vigilância aeroespacial monitoram as flutuações da densidade atmosférica e o clima espacial para recalcular os modelos de trajetória até o encerramento das transmissões, previsto para ocorrer após 15 de outubro de 2026.
