Daniel Vorcaro vendeu cotas da Steelcorp ao BRB por R$ 350 milhões após oferta de Roberto Justus
Mensagens periciadas pela Polícia Federal revelam que o empresário Roberto Justus sabia da participação de Daniel Vorcaro na Steelcorp e tentou recomprar a fatia societária por R$ 130 milhões parcelados. No mesmo período, o banqueiro fechou a venda das mesmas cotas diretamente ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 350 milhões em pagamento único, obtendo montante 170% superior à proposta apresentada pelo parceiro comercial.
- Diálogos obtidos em celulares contradizem declarações públicas sobre desconhecimento de sócios.
- Justus propôs pagar R$ 130 milhões ao longo de até cinco anos para retirar obrigações do balanço.
- Vorcaro repassou o fundo com os ativos ao BRB por R$ 350 milhões em pagamento à vista.
- Assessoria do empresário sustentou que citação a recuperação judicial serviu como tática de negociação.
Os registros telefônicos extraídos do aparelho de Daniel Vorcaro mostram negociações diretas realizadas em setembro de 2025. Em um dos diálogos sob posse dos investigadores federais, Justus cobrou a realização de uma reunião e alertou sobre o risco financeiro da empresa: “Se essa dívida continuar em meu balanço, vou ter que pedir uma RJ e daí você vai perder todo o investimento”.
Proposta de recompra da fatia da Steelcorp e impasse nas garantias
A Steelcorp, indústria de estruturas modulares voltada à construção civil, havia recebido um aporte de R$ 130 milhões de Vorcaro em julho de 2024. A operação ocorreu por meio de fundos da Reag, estruturados entre o Dynamic e o SH FIPM, que concentravam cerca de 30% do capital social da empresa de Justus.
Diante da pressão de Justus para rever a sociedade, Vorcaro consultou como o empresário pretendia estruturar a aquisição. Justus respondeu que assumiria o pagamento de R$ 130 milhões em até cinco anos, detalhando garantias contratuais. Quando o banqueiro solicitou um fluxo com liquidez garantida para o fundo, o empresário reforçou o conhecimento sobre a propriedade das cotas ao questionar: “Mas o cotista do fundo não é você?”.
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A oferta formalizada por Justus em 4 de setembro de 2025 previa desembolsos escalonados nos quatro primeiros anos e a quitação dos 50% restantes no quinto ano. Vorcaro recusou as condições finais diante da ausência de rendimentos e da extensão dos prazos: “Para começar eu não quero sair. Acredito no negócio e, mais do que isso, acredito em você. Estou topando sair sem qualquer prêmio e num prazo longuíssimo, para atender e ajudar, só por isso. Mas eu não ter ao menos o valor que aportei garantido ao longo do tempo não faz o menor sentido”.
A assessoria de Roberto Justus afirmou que a menção a recuperação judicial foi apenas uma estratégia retórica de negociação para destravar o impasse e que a conversão da dívida em participação societária nunca foi concretizada.
Negociação paralela com o BRB rendeu R$ 350 milhões à vista a Vorcaro
Em paralelo às conversas com o sócio da Steelcorp, Vorcaro buscou alternativas para transferir ativos do Banco Master, instituição financeira que enfrentava forte restrição de liquidez. O banqueiro chegou a solicitar inicialmente R$ 500 milhões ao BRB pela fatia societária da empresa de construção modular.
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O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, respondeu com uma contraproposta de R$ 250 milhões. Após as tratativas, o banco estatal formalizou em 2 de outubro de 2025 a compra do fundo SH FIPM por R$ 350 milhões, pagos integralmente à vista. A transação foi concretizada mesmo com parecer da área de risco da instituição financeira distrital apontando a falta de comprovação de que o Master constava como beneficiário formal do fundo.
Valores e fatias societárias registradas na operação com a Steelcorp
- Aporte inicial de Daniel Vorcaro: R$ 130 milhões realizados em julho de 2024.
- Proposta de recompra feita por Roberto Justus: R$ 130 milhões com quitação parcelada em até cinco anos.
- Oferta preliminar apresentada pelo BRB: R$ 250 milhões pelo conjunto de cotas.
- Preço final da aquisição pelo BRB: R$ 350 milhões quitados à vista em 2 de outubro de 2025.
- Fatia societária negociada: cerca de 30% das ações vinculadas à empresa de estruturas modulares.
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Documentos contratuais e divergências sobre o conhecimento societário
As mensagens contradizem falas públicas concedidas por Justus em janeiro de 2026. Na ocasião, o empresário declarou à imprensa e em redes sociais que desconhecia a presença de Vorcaro e do Banco Master no quadro acionário da companhia, justificando que as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) preservavam o sigilo sobre a identidade de cotistas de fundos.
Ele havia sustentado que soube do vínculo apenas após 28 de agosto de 2025, data em que foi deflagrada a Operação Carbono Oculto. No entanto, registros anexados pela defesa do advogado Daniel Monteiro em inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) revelam que minutas do distrato entre Justus e a estrutura Dynamic e SH já haviam sido redigidas para movimentar os R$ 130 milhões, incluindo contratos de garantia e cessão de crédito de seis notas comerciais emitidas pela Steelcorp.
Justus: datas das negociações financeiras entre os empresários e as instituições
- Julho de 2024 — Vorcaro injeta R$ 130 milhões na Steelcorp por meio de veículos geridos pela Reag.
- 28 de agosto de 2025 — Deflagração da Operação Carbono Oculto marca período de cobranças insistentes de reuniões.
- 4 de setembro de 2025 — Justus formaliza a proposta de parcelamento em até cinco anos para retirar o passivo da empresa.
- 2 de outubro de 2025 — BRB compra o fundo SH FIPM com os ativos da Steelcorp por R$ 350 milhões à vista.
- 3 de outubro de 2026 — Divulgação dos bastidores da transação e do ganho financeiro obtido na venda das cotas.
Fiscalização das transferências bancárias e acompanhamento no STF
As informações contidas nos laudos policiais integram apurações jurídicas sobre a higidez de ativos repassados pelo Banco Master ao BRB em substituição a carteiras de crédito anteriores.
- Público sob impacto das investigações: executivos das instituições financeiras, gestores de fundos e órgãos reguladores do sistema financeiro.
- Instâncias de controle: processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal e perícias coordenadas pela Polícia Federal.
- Montante em discussão pericial: diferença de R$ 220 milhões entre a proposta de R$ 130 milhões de Justus e a liquidação de R$ 350 milhões executada pelo BRB.
- Procedimento das apurações: confronto entre os relatórios de risco interno dos bancos públicos e as mensagens telefônicas interceptadas judicialmente.
Roberto Justus não respondeu aos pedidos de comentário enviados por canais corporativos e mensagens privadas até a publicação deste relato.
