Alerta no Flamengo: clube falha em meta de vendas e acende sinal vermelho na base
O Flamengo arrecadou R$ 171,6 milhões com a transferência de atletas durante a temporada de 2026, encerrando as principais janelas internacionais R$ 78,4 milhões abaixo do montante projetado pela diretoria. O orçamento oficial do clube previa a arrecadação de R$ 250 milhões em negociações esportivas para o exercício deste ano, volume financeiro equivalente ao contrato anual de patrocínio master, que também enfrenta risco de substituição.
O resultado negativo nas receitas de mercado acendeu um debate interno sobre a formação e o aproveitamento técnico das categorias de base no Ninho do Urubu. Em manifestação sobre a integração esportiva, o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) apontou descompasso entre as etapas formativas e a equipe principal. “Também é preciso olhar para a base. Não temos jogadores para subir? Hoje, quando observamos o elenco, entendemos que existe um gap entre o que temos no sub-20 do Flamengo e o futebol profissional. Isso me força a fazer algumas escolhas e trazer jogadores mais caros. Isso é sustentável no longo prazo? Não. Espero que, ao longo dos anos, tenhamos, em todas as temporadas, três, quatro, cinco, seis, oito ou 10 jogadores da base capazes de preencher esses espaços”, afirmou o mandatário.
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Ryan Roberto e João Gomes concentram receitas de vendas em 2026
A maior negociação direta do Flamengo no período ocorreu com a saída do meia-atacante Ryan Roberto para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, em transação concluída no dia 20 de junho de 2026. A equipe ucraniana desembolsou 9,5 milhões de euros, o correspondente a R$ 56,3 milhões, dos quais o Flamengo reteve R$ 39,4 milhões por deter 70% dos direitos econômicos do atleta. Destaque do elenco campeão da Copa Libertadores Sub-20, o jovem recusou oferta para renovar vínculo no Rio de Janeiro por projetar escassez de oportunidades no elenco principal.
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Outro ingresso relevante nos cofres do clube aconteceu de forma indireta na Inglaterra, na transferência do volante João Gomes do Wolverhampton para o Aston Villa pelo valor de 38 milhões de libras, anunciada oficialmente em 20 de julho de 2026. Por ter formado o meio-campista, a instituição carioca arrecadou cerca de R$ 35 milhões somando o mecanismo de solidariedade da Fifa e a cláusula de mais-valia pactuada na venda anterior.
- Ryan Roberto (Shakhtar Donetsk): R$ 39,4 milhões recebidos pelo clube por 70% dos direitos econômicos
- João Gomes (Aston Villa): R$ 35 milhões arrecadados por meio de solidariedade da Fifa e cláusula de mais-valia
- Lorran, Victor Hugo e Guilherme: R$ 22 milhões somados em transferências em definitivo para o exterior
Lucas Paquetá concentra gols de atletas da base no time principal
O rendimento esportivo das safras recentes também evidencia a baixa participação de atletas formados internamente no time profissional. Dos 110 gols anotados pela equipe ao longo de todo o ano de 2026, somente 23 contaram com participação direta de jogadores revelados no clube. O meia Lucas Paquetá, que retornou ao clube após trajetória na Europa e assumiu condição de titular absoluto, foi o responsável por 11 desses gols.
Fora Lucas Paquetá, poucos nomes revelados no Ninho do Urubu conseguiram minutos em campo ao longo da temporada. Wallace Yan, que chegou a atuar na equipe de cima, acertou sua transferência para o Red Bull Bragantino ainda no dia 15 de janeiro de 2026, enquanto o volante Evertton Araújo permaneceu entre as alternativas da comissão técnica. Atletas outrora avaliados como promessas expressivas, a exemplo de Lorran, Victor Hugo e Guilherme, deixaram o elenco somando R$ 22 milhões, cifra que a diretoria considera reduzida diante das despesas mensais da folha de pagamento do elenco.
Flamengo reestrutura categorias de base e adota captação nacional
Apesar de o time sub-20 ter conquistado títulos como as Copas Libertadores Sub-20 de 2024 e 2025 e duas edições da Copa Intercontinental Sub-20 nos mesmos anos, a cúpula rubro-negra identificou entraves na adaptação ao futebol adulto. Por determinação da gestão de Luiz Eduardo Baptista, o departamento promoveu um corte no contingente das categorias inferiores, diminuindo o quadro geral de 400 para cerca de 250 jovens e desativando a equipe Sub-20 B. A avaliação interna apontou que o método anterior privilegiava a força física para assegurar títulos na base, sem preparar tecnicamente os jovens para o patamar profissional.
“Esse não é um jogo no qual um clube brasileiro possa gastar 60 ou 70 milhões de euros todos os anos. Também é necessário vender jogadores da base. Agora, se acreditamos que eles não podem atuar no time do Flamengo no nível que gostaríamos, por que deveríamos acreditar que podem ser vendidos para gerar 60 ou 70 milhões de euros?”, declarou o presidente Luiz Eduardo Baptista ao questionar o modelo anterior.
Para remodelar o perfil dos elencos, o clube realizou investimentos diretos no mercado nacional de base, aplicando R$ 3,5 milhões para tirar o centroavante Josmar do Avaí e R$ 3 milhões na compra do volante Pedro Henrique, ex-jogador do Paysandu. O departamento de futebol também expandiu sua malha de captação fora do estado do Rio de Janeiro. A agremiação fechou convênios com o Inter de Minas, situado em Itaúna (MG), e com o Tolentino Esportes, de Itapitanga (BA), parceiros que se somam aos acordos firmados com o CEWG, de Goiás, e o Clube Trieste, de Curitiba.
Janela da Arábia Saudita segue como opção para cobrir receitas
Com os mercados do futebol brasileiro e dos principais países europeus encerrados no mês passado, o Flamengo tem apenas a janela de transferências da Arábia Saudita aberta no cenário internacional até a metade deste mês de outubro de 2026. Não há confirmação oficial sobre propostas ou negociações em andamento com equipes sauditas para negociar novos jogadores e atenuar a diferença de R$ 78,4 milhões no balanço anual.
