Chuveiro elétrico brasileiro surgiu em Jaú nos anos 1930 a partir de ferro de passar roupas
O chuveiro elétrico nasceu da adaptação da resistência de um ferro de passar roupas pelo inventor autodidata Francisco Canhos, em Jaú, no interior de São Paulo. A tecnologia desenvolvida na década de 1930 transformou a infraestrutura sanitária do país e hoje atende a mais de 90% dos domicílios da Região Sul.
A motivação para o experimento partiu de uma necessidade doméstica: aliviar as dores do reumatismo do pai de Canhos, que precisava de banhos mornos sem a demora do aquecimento em panelas. “Depois de abrir o ferro, ele ligou a resistência, observou que ficava incandescente e começou a fazer experiências. Colocou a resistência na água e percebeu que ela aquecia rapidamente, como acontece com um ebulidor. Daí, começou a desenvolver a ideia. Colocou dentro de um tubo por onde passava a água e foi aperfeiçoando o sistema”, afirmou Heraldo Leonelli, genro do inventor e guardião de seu acervo familiar.
Funcionamento do modelo Robô e a fundação da Eletrometalúrgica Jauense em 1943
O primeiro protótipo montado por Canhos exigia uma operação manual dividida em dois passos. O usuário precisava abrir o registro da tubulação de água e, em seguida, ligar um interruptor elétrico instalado na parede do banheiro. O sistema exigia atenção contínua para evitar que a resistência operasse a seco, o que queimaria o filamento metálico instantaneamente.
Em 1 de janeiro de 1943, Canhos aperfeiçoou o mecanismo ao desenvolver o primeiro chuveiro elétrico automático. A inovação utilizava um diafragma interno acionado diretamente pela pressão da água, que fechava os contatos elétricos apenas quando o fluxo começava a correr. Batizado comercialmente de Robô, o aparelho era produzido em alumínio fundido e impulsionou a abertura da fábrica Eletrometalúrgica Jauense em Jaú. A carcaça metálica oferecia alta resistência mecânica, permitindo que as unidades funcionassem por anos com substituições pontuais da resistência.
Dados históricos e especificações do chuveiro elétrico Robô
- Inventor responsável: Francisco Canhos, nascido em 19 de outubro de 1914 e falecido em 27 de maio de 1988 aos 73 anos.
- Local de desenvolvimento e produção: município de Jaú, no estado de São Paulo.
- Ano de lançamento do modelo automático Robô: 1943, marcando a criação da Eletrometalúrgica Jauense.
- Material da estrutura original: alumínio fundido com resistência metálica interna imersa em fluxo de água contínuo.
- Modo de ativação: acionamento automático dos contatos elétricos pela pressão mecânica do fluxo hidráulico.
- Penetração regional atual: presença superior a 90% no Sul, 74% no Sudeste e 68% no Centro-Oeste, segundo levantamento do Procel.
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Transição para o plástico e presença do chuveiro elétrico nas residências
A patente concedida a Francisco Canhos permaneceu em vigor até a década de 1950. Após a expiração da exclusividade industrial, grandes fabricantes do setor de eletrodomésticos adotaram o princípio do aquecimento por imersão para iniciar a produção em larga escala no país.
A principal mudança na fabricação industrial foi a substituição do alumínio pelo plástico de engenharia. Essa alteração reduziu o custo final de montagem e eliminou o risco de choques elétricos provocados pelo contato acidental com a carcaça de metal.
Dados da Pesquisa de Posse e Hábitos de Uso de Equipamentos Elétricos na Classe Residencial, elaborada pelo Procel, mostram a consolidação do aparelho no território nacional. O dispositivo elétrico está instalado em 74% das casas do Sudeste, supera 90% de presença na Região Sul e atinge cerca de 68% dos domicílios no Centro-Oeste brasileiro. Na engenharia elétrica, as normas técnicas determinam que as unidades residenciais utilizem disjuntor Diferencial Residual (DR) e conexão a cabo de aterramento para conter fugas de corrente.
Banho aquecido antes da rede elétrica residencial no Brasil
Antes da difusão dos aparelhos criados por Canhos, o aquecimento de água nas residências brasileiras dependia de métodos manuais e combustão de lenha. A maioria das famílias esquentava água em panelas sobre fogões a lenha ou em caldeiras externas antes de transportá-la em baldes para o banho diário.
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As tubulações de gás encanado eram praticamente inexistentes na malha urbana da época, limitadas a trechos centrais de poucas capitais. A expansão da rede elétrica pelo interior paulista abriu espaço para que soluções compactas conectadas à rede hidráulica substituíssem as caldeiras e os reservatórios de aquecimento demorado.
Outras patentes de Canhos e a interlocução com a Gurgel Motores
Para contornar a queda acentuada na venda de chuveiros durante os meses de verão, Canhos usou sua fábrica em Jaú para desenvolver outros eletrodomésticos. O inventor desenhou e patenteou modelos de ventiladores, fornos elétricos de bancada e torradeiras, mantendo a linha de produção ativa ao longo de todo o ano.
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O total exato de patentes registradas por Canhos não é confirmado por certidão unificada do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), embora relatos orais de familiares mencionem cerca de 200 invenções ao longo de sua vida profissional.
Nos últimos anos de carreira, o inventor dedicou seus estudos a um motor rotativo para veículos automotores. O projeto gerou reuniões e trocas de informações técnicas com o engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, fundador da fabricante de automóveis Gurgel Motores, antes da morte de Canhos em 27 de maio de 1988, aos 73 anos.
