Iniciativas de transformação digital atingem ou superam metas de negócio em apenas 48% das organizações no mundo. A taxa foi apontada por levantamento global do Gartner e motivou uma análise publicada nesta terça-feira (6) pelo executivo Rodrigo Resende, que apontou equívocos frequentes de gestão que impedem companhias de extrair retorno financeiro e operacional de investimentos tecnológicos.
O diagnóstico foi detalhado em artigo assinado por Rodrigo Resende, presidente e CEO da integradora Chaintech, em São Paulo. O executivo avaliou que a modernização corporativa tem sido tratada erroneamente como uma corrida por ferramentas. Em sua avaliação, “adotar tecnologia não é necessariamente transformar um negócio”, o que gera desperdício quando sistemas novos são sobrepostos a operações ineficientes.
Pesquisa do Gartner aponta impacto da governança conjunta
Os números do Gartner tiveram como base entrevistas com 3.186 diretores de tecnologia da informação (CIOs) e executivos de tecnologia em 88 países, além de 1.126 líderes executivos de outras áreas corporativas (CxOs). O levantamento apontou que o isolamento das decisões no departamento técnico reduz o alcance dos projetos corporativos. Quando a liderança é dividida de forma contínua entre a equipe de tecnologia e os gestores das áreas de negócios, grupo classificado pela consultoria como Vanguardistas Digitais, o índice de sucesso das iniciativas sobe para 71%.
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A divisão de responsabilidades altera a estrutura de planejamento das corporações ao evitar que sistemas sejam implementados sem objetivos práticos de mercado. Em vez de atuar apenas como área de suporte ou usuária passiva de plataformas, as diretorias de negócios passam a formular a estratégia técnica de forma conjunta com a liderança de sistemas da informação.
Os cinco mitos corporativos na visão de Rodrigo Resende
A análise estruturada pelo executivo da Chaintech identificou cinco crenças corporativas que bloqueiam o avanço das empresas. O primeiro erro consiste em iniciar o projeto pela escolha da ferramenta em vez da definição clara do gargalo operacional. O segundo ponto trata da confusão entre digitalizar burocracias e transformar rotinas. Conforme explicou Resende, “digitalizar é utilizar tecnologia para reproduzir ou automatizar uma atividade; transformar é questionar se aquela atividade, da forma como existe, ainda faz sentido”.
O terceiro mito abordado pelo especialista restringe inovação ao uso de ferramentas de inteligência artificial. O quarto problema decorre de isolar a governança digital sob a responsabilidade exclusiva do setor de tecnologia da informação. Por fim, o quinto mito reside em encarar a transformação corporativa como uma empreitada com data final pré-estabelecida, desconsiderando a necessidade de revisão contínua dos processos frente às mudanças de mercado.
Dados da McKinsey e da Deloitte sobre inteligência artificial e métricas
A discussão a respeito da eficácia digital ocorre em um momento de investimentos expressivos no setor produtivo, no qual ferramentas de inteligência artificial avançam nos orçamentos sem apresentar contrapartida financeira proporcional nos balanços. Dados da consultoria McKinsey reunidos na análise demonstram que 62% das organizações já realizam experimentos com agentes de inteligência artificial, mas quase dois terços ainda não iniciaram a escala da tecnologia na totalidade das operações, e apenas 39% registraram impacto financeiro mensurável da tecnologia no lucro operacional corporativo.
A dificuldade de medir resultados foi contraposta a conclusões de um estudo da consultoria Deloitte. O levantamento indicou que organizações que utilizam um conjunto mais amplo de indicadores de desempenho, abrangendo eficiência, satisfação do cliente e rotinas internas, têm probabilidade 22% maior de capturar valor real a partir de aportes financeiros em modernização.
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Métricas e indicadores apurados sobre a eficiência digital
- 48% das iniciativas corporativas digitais cumprem ou superam objetivos de negócio, segundo pesquisa global do Gartner com 3.186 líderes de tecnologia e 1.126 executivos de negócios.
- 71% é o índice de sucesso de projetos em empresas onde líderes de tecnologia e gestores de negócios dividem a responsabilidade pela execução das iniciativas.
- 62% das organizações declaram experimentar agentes de inteligência artificial, conforme levantamento da consultoria McKinsey.
- 39% das empresas apontam impacto efetivo da inteligência artificial sobre o lucro operacional a nível corporativo, segundo a McKinsey.
- 22% de aumento na probabilidade de obter retorno de investimentos digitais ao adotar uma gama ampla de indicadores de desempenho, de acordo com a Deloitte.
- 6 de outubro de 2026 marca a publicação da análise sobre os mitos de tecnologia corporativa elaborada por Rodrigo Resende.
Informações complementares sobre os levantamentos corporativos
A apresentação inicial das métricas do Gartner CIO and Technology Executive Survey ocorreu em 22 de outubro de 2024, durante o congresso internacional Gartner IT Symposium/Xpo. A análise divulgada por Rodrigo Resende em 6 de outubro de 2026 utilizou esses dados em conjunto com os estudos da McKinsey e da Deloitte, mas não especificou o título oficial e os anos de publicação das edições individuais dos relatórios dessas duas últimas consultorias.
