O físico belga Francis Halzen venceu o Prêmio Nobel de Física de 2026 por suas contribuições ao Observatório de Neutrinos IceCube e pela detecção de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. O anúncio oficial ocorreu em Estocolmo, na Suécia, marcando a primeira vez em 34 anos que a honraria máxima da física não é compartilhada entre dois ou mais cientistas.
Halzen tem 82 anos e atua como professor na Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, onde liderou as investigações sobre partículas subatômicas no continente antártico. Com a decisão em premiação solo, ele receberá integralmente o montante financeiro de 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de US$ 1,2 milhão, reajustado pela Fundação Nobel.
“Foi uma grande surpresa e eu obviamente não esperava por isso”, disse Francis Halzen ao comentar a escolha da academia, em tradução livre.
Francis Halzen e a detecção de partículas no gelo da Antártica
A Real Academia Sueca de Ciências fundamentou a premiação no trabalho pioneiro de Halzen com o Observatório de Neutrinos IceCube. O instrumento científico opera com um quilômetro cúbico de gelo antártico instrumentado, equipado com milhares de sensores de luz posicionados a cerca de dois quilômetros de profundidade no Polo Sul. Esses dispositivos capturam sinais luminosos diminutos emitidos quando neutrinos colidem com o gelo compacto.
Os neutrinos são partículas elementares praticamente desprovidas de massa que viajam pelo cosmos em linha reta, atravessando a matéria sem sofrer desvios por campos magnéticos. Ellen Moons, secretária-geral da Real Academia Sueca de Ciências, definiu os objetos de estudo durante o comunicado: “O prêmio deste ano trata de mensageiros fantasmagóricos do espaço”, declarou a pesquisadora, em tradução livre.
O projeto começou a tomar forma teórica em 1988, quando Francis Halzen propôs a ideia de utilizar as camadas profundas e cristalinas de gelo polar como um imenso detector natural de radiação espacial. A construção do IceCube mobilizou diversas nações até ser totalmente concluída em 2011, e a primeira detecção confirmada de neutrinos com alta energia de origem extraterrestre ocorreu em 2013, inaugurando uma nova janela de observação sobre galáxias ativas e buracos negros distantes.
Mark Pearce, presidente do Comitê Nobel de Física, afirmou que a conquista viabilizou um avanço técnico de proporções globais. “Francis Halzen liderou uma equipe internacional de pesquisadores e engenheiros que nos forneceu um instrumento fantástico. Sua tenacidade e visão científica abriram caminho para um novo tipo de astronomia”, declarou Pearce, em tradução livre, acompanhado pela integrante do comitê Eva Olsson durante a divulgação.
Histórico de premiações individuais desde Georges Charpak em 1992
A escolha de um laureado exclusivo quebra um intervalo que perdurava desde 1992, quando o polonês Georges Charpak recebeu sozinho o Prêmio Nobel de Física pela invenção e pelo desenvolvimento de detectores de partículas, como a câmara proporcional multifios. Um ano antes, em 1991, o francês Pierre-Gilles de Gennes também havia sido laureado individualmente por suas pesquisas com matérias complexas.
Nas primeiras décadas da premiação, a entrega a apenas um pesquisador era o modelo mais comum da instituição sueca. Desde o início da concessão em 1901 até o ano de 1950, somente em nove edições mais de um cientista dividiu o Nobel de Física. Em contrapartida, nos 76 anos seguintes, até 2026, registraram-se somente 11 premiações individuais na disciplina, reflexo do crescimento de grandes consórcios e equipes multidisciplinares.
Ao longo dos 120 anos de entregas do Nobel de Física, foram 48 ocasiões com premiação unitária, proporção que representa aproximadamente 40% das honrarias da categoria. Nas demais ciências naturais, prêmios individuais ocorreram com maior proximidade temporal: a Medicina reconheceu o sueco Svante Pääbo sozinho em 2022, enquanto a Química laureou o israelense Dan Shechtman de forma isolada em 2011.
Datas oficiais e calendário do Prêmio Nobel de 2026
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A temporada anual de premiações científicas segue um cronograma estabelecido pelas academias suecas a cada início de outubro, com a cerimônia solene programada para o fim do ano.
- 6 de outubro de 2026: anúncio oficial do vencedor do Prêmio Nobel de Física em Estocolmo.
- 7 de outubro de 2026: previsão de anúncio oficial dos vencedores do Prêmio Nobel de Química.
- 10 de dezembro de 2026: cerimônia oficial de entrega das medalhas, diplomas e valores monetários em Estocolmo.
A Real Academia Sueca de Ciências conclui as conferências da física e prossegue com as divulgações das demais categorias ao longo da semana, antes da condecoração presencial marcada para dezembro.
