Uruguai lidera ranking global de aposentadoria e renda passiva

Idosa, aposentadoria, poupança - Halfpoint/ shutterstock.com

Idosa, aposentadoria, poupança - Halfpoint/ shutterstock.com

O Uruguai conquistou o primeiro lugar no ranking mundial de aposentadoria e renda passiva do relatório anual 2026 Global Retirement Report & Index, divulgado pela consultoria Global Citizen Solutio. O país sul-americano atingiu 99,9 pontos de um total de 100 possíveis, ultrapassando Portugal, que ocupava o topo na edição anterior da pesquisa.

A perda de liderança de Portugal ocorreu após o endurecimento dos critérios migratórios na Europa, incluindo a ampliação do prazo de permanência mínima para naturalização de cinco para dez anos. A diretora-executiva da Global Citizen Solutions, Patricia Casaburi, destacou as transformações demográficas que pressionam essas políticas públicas internacionais. “A população mundial de 65 anos ou mais está prevista para quase dobrar, chegando a 1,6 bilhão até 2050. Os países que desenharem seus programas em torno dessa realidade moldarão a próxima década da mobilidade na aposentadoria”, afirmou.

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Critérios e dados da edição de 2026 do índice global

  • Data da publicação oficial do estudo: quarta-feira, 30 de setembro de 2026, às 08h00.
  • Locais de referência da apuração: Montevidéu, no Uruguai, e Lisboa, em Portugal.
  • Total de jurisdições e programas avaliados no mundo: 46 países.
  • Pontuação máxima do índice geral: 100 pontos.
  • Pontuação obtida pelo líder Uruguai: 99,9 pontos.
  • Pontuação registrada pelo Brasil: 91,4 pontos na 15ª posição geral.

Como o Uruguai alcançou o topo entre 46 programas avaliados?

Homem aposentado, aposentadoria – Foto: whyframestudio/ Istockphoto.com

O levantamento internacional analisou 46 programas de residência ao redor do globo com base em cinco pilares fundamentais: qualidade de vida, mobilidade e cidadania, tributação, processo administrativo e custos e investimentos. O pilar de qualidade de vida possui o maior peso na metodologia, representando 30% da nota final. De acordo com a pesquisadora-chefe do Global Intelligence Unit da consultoria, Laura Madrid, o retorno do investimento em uma mudança de domicílio está diretamente associado ao bem-estar cotidiano. “É o dividendo de qualidade de vida que ele gera”, declarou.

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A legislação uruguaia destacou-se por conceder residência permanente direta aos requerentes, sem exigir etapas temporárias prévias de autorização. Para obter o benefício, os estrangeiros precisam comprovar renda mensal estável de US$ 1.700. Além disso, o país concede a cidadania em um intervalo de três anos para pessoas casadas e de cinco anos para candidatos solteiros, oferecendo ainda a rota simplificada prevista pelo Acordo de Residência do Mercosul.

Outro diferencial competitivo do país platino reside no tratamento fiscal estabelecido para novos moradores. Por meio do mecanismo conhecido como Tax Holiday 2.0, regulamentado pela Lei 20.446, o Uruguai garante isenção sobre rendimentos de capital auferidos no exterior pelo período de 11 anos, equilibrando incentivos econômicos a padrões elevados de desenvolvimento social.

Os dez países mais bem avaliados no ranking mundial de 2026

  • 1º lugar: Uruguai (99,9 pontos)
  • 2º lugar: Ilhas Maurício
  • 3º lugar: Espanha
  • 4º lugar: Costa Rica
  • 5º lugar: Portugal
  • 6º lugar: Paraguai
  • 7º lugar: Letônia
  • 8º lugar: Andorra
  • 9º lugar: Itália
  • 10º lugar: Grécia

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Desempenho do Brasil e exigências do visto para estrangeiros

O Brasil alcançou a 15ª posição mundial no índice geral, registrando uma pontuação de 91,4 pontos. O resultado posiciona o território brasileiro como o quinto colocado entre as 17 jurisdições analisadas no continente americano. O país obteve avaliações favoráveis nos pilares de mobilidade e cidadania, onde figurou em sexto lugar, e na agilidade burocrática de tramitação, alcançando o quarto posto.

Para ingressar no território nacional sob essa categoria migratória, aposentados e detentores de rendimentos externos utilizam o visto temporário VITEM XIV, que exige a comprovação de renda mensal estável de US$ 2.000. No entanto, a pontuação brasileira sofreu forte penalização no critério de otimização tributária, no qual o país amargou o 35º lugar geral. A ausência de regimes tributários específicos para aposentados estrangeiros, a incidência da alíquota progressiva de até 27,5% para residentes e a inexistência de acordos para evitar dupla tributação com os Estados Unidos e o Reino Unido limitaram o avanço do Brasil.

O relatório ressaltou a dificuldade crônica da maioria dos governos em conciliar contas públicas atrativas e serviços essenciais de alto nível. “Os vencedores em baixa tributação raramente são os vencedores em qualidade de vida. Apenas quatro jurisdições escapam desse dilema: Uruguai, Maurício, Costa Rica e Paraguai, que, juntos, ocupam quatro das seis primeiras posições”, afirmou a pesquisadora Laura Madrid.

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Mudanças em relação à edição anterior de 2025

Na edição de 2025 do mesmo levantamento da Global Citizen Solutions, Portugal sustentava o primeiro lugar da classificação mundial, com Ilhas Maurício na segunda colocação e a Espanha em terceiro lugar. Naquele ano, o Uruguai figurava apenas no quarto posto da tabela. O avanço do país latino-americano para a liderança reflete o movimento de preservação de incentivos fiscais e de acolhimento migratório na América do Sul, em contraste direto com a retração burocrática verificada nos países europeus.