Arqueólogos em Adramytteion acham mosaico romano com gato e cão nomeados

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Arqueólogo - Kostyantyn Skuridin/ Shutterstock.com

Arqueólogos encontraram um mosaico romano de cerca de 1.800 anos na antiga cidade portuária de Adramytteion, na Turquia, com uma particularidade que surpreendeu os pesquisadores: em meio a dezenas de figuras da fauna e da mitologia distribuídas em 15 painéis, apenas um gato e um cão receberam inscrições nominais gravadas em grego antigo. As representações preservadas no piso identificam o felino como Zmaragdin e o cachorro como Okeanos, constituindo um raro registro visual e epigráfico da convivência humana com animais durante a Antiguidade clássica.

O piso decorado pertencia à sala de recepção principal de uma ampla residência romana do fim do século II ao século III d.C., escavada no bairro litorâneo de Ören, localizado no município de Burhaniye, província de Balıkesir. Sob consultoria científica do arqueólogo Hüseyin Murat Özgen, professor da Universidade de Belas Artes Mimar Sinan, os trabalhos de campo confirmaram que as duas figuras ocupam posições de destaque no mosaico, instaladas logo na entrada do salão norte da edificação residencial.

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Foto: arquelogia – Kostyantyn Skuridin/Shutterstock.com

Zmaragdin e Okeanos: inscrições gregas no mosaico de Adramytteion

As duas figuras de animais domésticos ladeiam o acesso ao cômodo e apresentam tratamentos artísticos distintos, refletindo comportamentos característicos de cada espécie. À esquerda da entrada, o artesão retratou um gato de pelagem clara deitado tranquilamente sobre uma almofada em tons de azul e verde. Acima da imagem do felino, as pedras coloridas formam o termo grego ΖΜΑΡΑΓΔΙΝ (Zmaragdin), vocábulo associado à palavra esmeralda. Do lado oposto, à direita da passagem, a composição mostra um cão esbelto em atitude dinâmica, representado em pleno salto ou corrida. Sobre o corpo do canino, os operários da época registraram a inscrição ΩΚΕΑΝΟΣ (Okeanos), que se traduz como oceano.

Pesquisadores ligados à missão arqueológica associam as escolhas dos nomes à realidade econômica e geográfica de Adramytteion durante o Império Romano. A denominação dada ao felino dialoga diretamente com as rotas comerciais que importavam esmeraldas e artigos suntuosos a partir do Egito romano, ao passo que a escolha do termo oceano para o cão evoca a identidade da cidade como núcleo marítimo estratégico e ponto de escoamento náutico no Golfo de Edremit, voltado para o Mar Egeu.

Estrutura da residência romana de 750 m² escavada em Ören

A estrutura habitacional onde o piso permaneceu intacto integra um conjunto arquitetônico monumental de alto padrão construtivo. Com área calculada em 750 metros quadrados, a residência organizava seus ambientes em torno de um átrio central a céu aberto, dispondo de três salões formais com pisos de mosaico, galerias de circulação e uma rede planejada de escoamento e abastecimento de água. Todo o complexo urbano em averiguação ocupa um terreno demarcado de 9 mil metros quadrados no sítio histórico de Ören, alvo de intervenções arqueológicas sistemáticas iniciadas em 2012 e ampliadas na área residencial a partir de 2025.

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O mosaico que abriga as figuras nominais tem formato retangular, com 5 metros de comprimento por 3,6 metros de largura. Sua superfície apresenta três fileiras paralelas com cinco quadros emoldurados cada uma, combinando motivos da natureza e símbolos mitológicos. Além de pássaros de várias espécies, peixes e outros felinos selvagens, o tapete geométrico inclui a efígie da górgona Medusa e a figura de um cavalo alado.

“Especialmente no salão norte, há 15 painéis com diferentes espécies de pássaros, uma figura de peixe e a figura de um cavalo alado, representada nas moedas da cidade de Adramytteion no século IV a.C. O fato de o cavalo alado aparecer como um elemento representativo da cidade em uma estrutura do período romano, cerca de 500 anos após o uso desse motivo nas moedas, é bastante importante”, declarou o arqueólogo Hüseyin Murat Özgen, em tradução livre.

Dados técnicos das escavações em Adramytteion

  • Localização do achado: Bairro de Ören, município de Burhaniye, província de Balıkesir, Turquia
  • Instituições responsáveis: Diretoria do Museu Balıkesir Kuva-yı Milliye e Ministério da Cultura e Turismo da Turquia
  • Área escavada: Lote de 9.000 metros quadrados com residência romana de 750 metros quadrados
  • Dimensões do mosaico norte: 5 metros de extensão por 3,6 metros de largura, contendo 15 quadros
  • Período de datação: Fim do século II ao século III da era cristã, com idade estimada em 1.800 anos

Papel administrativo de Adramytteion e limitações da investigação

Na época em que a moradia foi construída e decorada, Adramytteion desempenhava a função de centro administrativo regional da província da Ásia Menor sob o domínio de Roma. A circulação intensa de mercadorias no porto comercial e a presença de magistrados locais explicam a proliferação de residências sofisticadas, equipadas com revestimentos musivos e materiais refinados trazidos de diversas províncias mediterrâneas.

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Apesar da riqueza dos detalhes figurativos e das pistas epigráficas preservadas no assoalho, a equipe arqueológica ainda não conseguiu identificar o nome ou a ocupação específica do proprietário original do imóvel. As análises materiais confirmam apenas que se tratava de um integrante da elite financeira e política da colônia grego-romana. Do mesmo modo, a equipe científica ressalta que ainda não existem provas documentais conclusivas para determinar se Zmaragdin e Okeanos eram exclusivamente animais de estimação no formato afetivo contemporâneo ou se exerciam papéis protetores e simbólicos dentro da residência senhorial.

Os trabalhos de conservação no salão norte continuam sob coordenação das autoridades patrimoniais da Turquia, enquanto os especialistas em epigrafia clássica prosseguem com o inventário textual comparativo dos mosaicos residenciais de Adramytteion.