Chimpanzés roubam menos alimentos de parceiros próximos segundo cientistas de Berkeley

Chimpanzés - Wirestock Creators/shutterstock.com

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Chimpanzés roubam menos comida de indivíduos com os quais mantêm laços afetivos em comparação com animais sem proximidade social, segundo uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Berkeley. A taxa de furto de pedaços de frutas caiu de 70% quando o alvo não era considerado um parceiro habitual para 61% quando a vítima mantinha um vínculo de amizade com o agressor.

Os resultados foram divulgados pela instituição norte-americana na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, com base em testes práticos e centenas de horas de monitoramento comportamental em Uganda. “Relações colaborativas são importantes para o nosso bem-estar, saúde e sobrevivência. Cada vez mais, entendemos que isso não é algo exclusivo nosso, mas que outros animais também têm amigos”, afirmou Oded Ritov, doutorando em psicologia na Universidade da Califórnia em Berkeley e primeiro autor do estudo.

Dados do experimento no Santuário de Chimpanzés da Ilha de Ngamba

O levantamento foi conduzido no continente africano com primatas que vivem sob cuidados especializados e têm interações diárias documentadas por pesquisadores internacionais. As informações estruturais do projeto reúnem medições quantitativas rigorosas sobre os testes de partilha forçada e convivência:

  • Local de realização: Santuário de Chimpanzés da Ilha de Ngamba, em Uganda.
  • Grupo avaliado: 26 chimpanzés, sendo 14 fêmeas e 12 machos, com idades entre 16 e 39 anos.
  • Tempo de observação preliminar: mais de 800 horas de monitoramento de higiene mútua e proximidade física.
  • Frequência de furtos entre não amigos: 70% dos episódios registrados no dispositivo mecânico.
  • Frequência de furtos entre parceiros próximos: 61% das ocasiões testadas, representando uma redução absoluta de 9 pontos percentuais.
  • Instituições envolvidas: Universidade da Califórnia em Berkeley e Universidade de Portsmouth.
Foto: Chimpanzés – Wirestock Creators/shutterstock.com

Como o teste mecânico mediu o roubo de abacaxis entre chimpanzés?

Para determinar o nível de inibição comportamental diante do alimento, os pesquisadores criaram uma estrutura controlada dividida em dois ambientes adjacentes. Um chimpanzé posicionado na primeira sala recebia três bandejas abastecidas com pedaços de abacaxi como recompensa, todas conectadas a cordas compridas que se estendiam até o cômodo vizinho.

O animal alocado na segunda sala tinha a opção de deixar a corda intacta ou puxá-la deliberadamente para trazer a bandeja até o seu lado da grade, configurando a tomada forçada do alimento alheio. A equipe registrou a frequência com que cada indivíduo decidia puxar o mecanismo diante de alvos com os quais passava horas de convivência e diante de animais com os quais mantinha distância social.

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Além de Oded Ritov, a investigação contou com o trabalho do pesquisador Jan M. Engelmann, do Social Origins Lab da Universidade da Califórnia em Berkeley, e da pesquisadora Esther Herrmann, da Universidade de Portsmouth, que acompanharam as reações corporais dos primatas durante todas as etapas do experimento.

Como a amizade altera as reações dos chimpanzés?

A pesquisa constatou que as respostas emocionais mudam profundamente dependendo do nível de convivência entre os dois chimpanzés envolvidos no incidente. Quando a vítima do furto era surpreendida por um amigo próximo, ela manifestava maior irritação inicial, reagindo com gritos, socos na mesa e batidas de pés no chão da instalação.

Apesar dessa explosão inicial de contrariedade, a reação estressada dessas vítimas diminuía com rapidez nas repetições seguintes do teste quando o agressor era um amigo. Em contraste, quando o furto era praticado por um indivíduo distante socialmente, a irritação da vítima permanecia constante e estável ao longo de todas as rodadas.

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O comportamento de quem cometia o roubo também se alterava conforme o laço afetivo existente com o parceiro lesado. Os chimpanzés que puxavam a corda demonstravam maior agitação motora e sinais visíveis de estresse ao retirar a fruta de um indivíduo desconhecido ou sem vínculo, o que sugere um receio imediato de hostilidade e retaliação violenta por parte de não amigos.

Estudos anteriores e a visão histórica sobre posse alimentar entre primatas

Experimentos clássicos realizados nas últimas décadas indicavam que chimpanzés raramente respeitam a posse de comida em situações competitivas e tendem a monopolizar recursos disponíveis sempre que a oportunidade física se apresenta. A visão dominante na primatologia tradicional sugeria que a presença de alimento fresco suprimia quase totalmente as considerações de convivência comunitária diante da disputa imediata.

Trabalhos científicos anteriores já haviam mapeado que os chimpanzés adotavam condutas pró-sociais seletivas apenas em tarefas cooperativas diretas, como a catação frequente de pelos e o compartilhamento deliberado de sobras vegetais com parceiros preferenciais. A capacidade dos primatas de inibir condutas antissociais ativas, no entanto, permanecia pouco documentada em ambientes controlados até a publicação divulgada em 2026.

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A análise publicada na revista Evolution and Human Behavior indica que a amizade animal envolve expectativas sobre as respostas alheias, demonstrando que primatas ajustam impulsos competitivos com base em alianças duradouras estabelecidas ao longo dos anos de convivência no bando.

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