A Promotoria de Patrimônio Público e Social de São Paulo entrou na reta final de um inquérito civil sobre a administração do Corinthians e reúne elementos para avaliar a apresentação de uma ação civil pública com pedido de intervenção judicial na associação esportiva, sediada na capital paulista. A apuração analisa indícios de irregularidades e apura se as instâncias internas do clube mantêm capacidade administrativa para solucionar as crises da instituição.
O presidente do Conselho Deliberativo do clube, Romeu Tuma Júnior, admitiu o impacto direto da medida sobre a sucessão presidencial. “Sim (corre o risco de não acontecer a eleição). Tem muita situação correndo”, afirmou o dirigente, que defendeu publicamente que o presidente da diretoria executiva, Osmar Stabile, procurasse os promotores de Justiça para propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e tentar evitar o processo judicial.
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Os três eixos da apuração do Ministério Público no Corinthians
A investigação conduzida pelos promotores de Justiça Luiz Ambra Neto, André Pascoal e Silvio Antônio Marques concentra as atenções em três áreas centrais da entidade esportiva. O procedimento averigua o endividamento total de R$ 2,8 bilhões no eixo financeiro, o funcionamento dos poderes internos no eixo político-estrutural e a ocorrência de atos e contratos lesivos que resultaram em perdas patrimoniais para o clube esportivo paulista.
Com mais de 3 mil páginas acumuladas e mais de dez depoimentos já colhidos desde o início dos trabalhos, a apuração analisa se a entidade cumpre sua finalidade estatutária como associação civil sem fins lucrativos. A apuração investiga se os dirigentes tomam providências suficientes para conter prejuízos e se os órgãos fiscalizatórios internos exercem as funções previstas no estatuto social, em meio a entraves para reformas regimentais e divergências políticas entre conselheiros e a diretoria.
Cronograma eleitoral do Corinthians e prazos do inquérito
A conclusão do procedimento do Ministério Público de São Paulo pode ocorrer antes do pleito marcado para a renovação dos órgãos de comando da agremiação esportiva. O calendário do processo eleitoral para a presidência e para as vagas do Conselho Deliberativo do Corinthians estabelece as seguintes etapas:
- Abertura do prazo para registro de candidaturas e chapas: quinta-feira, 1 de outubro de 2026.
- Data limite para inscrição oficial dos candidatos: quinta-feira, 15 de outubro de 2026.
- Votação para a diretoria executiva e para o Conselho Deliberativo: sábado, 28 de novembro de 2026.
Histórico do inquérito civil no Ministério Público
A investigação teve início efetivo em maio de 2026, após tramitar e receber a respectiva autorização do Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo. Ao longo das apurações, o promotor de Justiça Silvio Antônio Marques passou a integrar a equipe ao lado de Luiz Ambra Neto e André Pascoal para acelerar a conferência documental e a tomada de testemunhos na fase decisiva.
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Antes da mobilização do órgão ministerial, associados do Corinthians haviam ajuizado uma ação na 13ª Vara Cível pedindo o afastamento da cúpula da diretoria executiva e a nomeação de um administrador provisório para a instituição. A Justiça indeferiu o pedido de liminar imediata protocolado pelos membros do quadro social naquele momento, mantendo os dirigentes nos cargos enquanto as contestações continuaram tramitando.
Decisão judicial pendente e próximos passos
O Ministério Público de São Paulo ainda não bateu o martelo formalmente sobre a propositura da ação civil pública nem sobre a abrangência de uma intervenção, pois restam documentos a serem entregues e novos depoimentos pendentes de análise técnica. Caso a petição inicial seja protocolada pelos promotores de Justiça, a determinação de afastar gestores ou nomear um interventor caberá exclusivamente a um juiz do Poder Judiciário paulista.
