Dívida da França atinge € 3,5 trilhões e juros de 10 anos sobem a quase 5%

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A crise fiscal na França elevou o custo dos títulos públicos do país a quase 5% ao ano na terça-feira, 6 de outubro de 2026, patamar que supera as taxas pagas por Itália e Grécia. O endividamento recorde atinge 119% do Produto Interno Bruto (PIB) enquanto o Executivo enfrenta paralisações, barricadas e bloqueios viários contra medidas de contenção orçamentária.

“A França é provavelmente grande demais para quebrar, mas não é grande demais para ser punida pelos mercados”, afirmou Pierre Moscovici, ex-ministro das Finanças e primeiro-presidente da Corte de Contas, ao comentar a disparada no spread de risco em relação à Alemanha.

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Dados econômicos e balanço da crise fiscal na França

  • Volume da dívida pública: € 3,5 trilhões, o equivalente a cerca de US$ 4 trilhões
  • Rendimento dos títulos soberanos de 10 anos: patamar próximo a 5% ao ano
  • Diferença de risco sobre títulos alemães: 1,4 ponto percentual
  • Projeção do déficit orçamentário anual: 5,4% do Produto Interno Bruto
  • Detenções acumuladas em protestos: mais de 6.500 pessoas
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Foto: euro – Viachaslau Krasnou/Shutterstock.com

Confrontos e medidas do governo Emmanuel Macron

Milhares de estudantes, professores e servidores públicos montaram bloqueios em colégios, portos e vias públicas contra o congelamento salarial e a redução de repasses para a educação e a previdência social. O confronto com as forças de segurança resultou em mais de 6.500 detidos desde o início dos atos. Diante da conflagração nas ruas, o governo liderado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma reunião de crise interministerial e suspendeu o uso de granadas de efeito moral em manifestações estudantis após um jovem de 15 anos ser mutilado durante uma intervenção policial.

Dívida francesa de € 3,5 trilhões pressiona orçamento estatal

O descompasso fiscal francês é persistente, já que a administração pública não registra um orçamento primário equilibrado desde 1974. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico projeta que o passivo pode atingir 200% do PIB até 2050 caso nenhuma trava estrutural de despesas seja implementada. Além disso, o Tesouro francês calcula que o serviço da dívida exigirá desembolsos de US$ 100 bilhões por ano a partir de 2027, momento em que o país precisará refinanciar mais de US$ 1 trilhão em compromissos com vencimento fixado até 2030, sob risco de inviabilizar investimentos públicos essenciais.

“Se não agirmos, há de fato o risco de sermos gradualmente estrangulados pelo aumento das taxas de juros”, declarou Emmanuel Moulin, governador do Banco da França. A dependência em relação a investidores privados aumentou porque o Banco Central Europeu encerrou suas compras líquidas de bônus soberanos no continente.

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Fim de mandato de Emmanuel Macron e impasse no Banco Central Europeu

“Na França, nós dizemos ‘fin de règne'”, declarou Jean-Yves Camus, cientista político da Fundação Jean Jaurès, em tradução livre “fim de reinado”. Ele completou: “O regime está no fim do seu mandato e não parece ter um plano para os próximos sete meses.” O desgaste ocorre na reta final da presidência de Emmanuel Macron antes das eleições presidenciais de 2027.

Ainda não está confirmado se o Banco Central Europeu aceitará realizar uma intervenção emergencial de liquidez para socorrer os papéis franceses. A medida permanece em discussão informal no mercado financeiro e enfrenta resistência de governos do norte da Europa.

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