Nobel de Química premia Henri Kagan e Kenso Soai em Estocolmo

Réplica da Medalha do Prêmio Nobel - Wirestock Creators / Shutterstock.com Foto: Réplica da Medalha do Prêmio Nobel - Wirestock Creators / Shutterstock.com

O Prêmio Nobel de Química de 2026 foi concedido aos pesquisadores Henri B. Kagan e Kenso Soai nesta quarta-feira (7) pela Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo. Os dois cientistas foram laureados conjuntamente pela descoberta de efeitos não lineares e autocatálise na síntese orgânica assimétrica, trabalho que solucionou o mistério científico da homoquiralidade na formação molecular.

A premiação deste ano estabeleceu um valor total de 12 milhões de coroas suecas, montante que será partilhado igualmente entre o químico francês e o químico japonês. O presidente do Comitê Nobel de Química, Heiner Linke, afirmou que os dois pesquisadores decifraram uma questão que intrigava a ciência há mais de cem anos. “Henri Kagan e Kenso Soai forneceram uma solução para um mistério químico de mais de um século: como a homoquiralidade pode emergir espontaneamente. As reações químicas que eles desenvolveram são espetaculares”, declarou Linke, em tradução livre.

A homoquiralidade define a predominância natural de apenas uma forma de moléculas espelhadas na matéria viva. Moléculas quirais existem em pares que funcionam como mãos humanas direita e esquerda, chamadas enantiômeros. No corpo humano e em outros organismos, o DNA e as proteínas são estruturados a partir de uma única dessas orientações espelhadas. A descoberta tem impacto direto no setor farmacêutico, no qual versões espelhadas de uma mesma molécula podem gerar remédios eficazes ou substâncias inócuas e nocivas aos pacientes.

As pesquisas pioneiras de Henri B. Kagan, de 95 anos, começaram na Université Paris-Sud, onde ele atua como professor emérito. Já Kenso Soai, de 76 anos, desenvolveu suas análises na Universidade de Ciências de Tóquio. “Este é o dia mais emocionante da minha vida, estou muito feliz em compartilhar este prêmio com o professor Henri Kagan”, afirmou Soai, em tradução livre, logo após a divulgação oficial realizada na capital sueca.

Pesquisa sobre quiralidade molecular e impacto farmacêutico

O trabalho conjunto transformou o entendimento sobre como reações químicas conseguem favorecer em escala exponencial apenas uma das versões de moléculas espelhadas. Durante décadas, os químicos consideravam impraticável obter desvios acentuados de simetria sem a adição contínua de catalisadores assimétricos externos. O método permitiu controlar sínteses industriais complexas, viabilizando fármacos mais seguros, produção de aromas específicos e criação de compostos químicos avançados.

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Kagan identificou mecanismos para manipular as reações e alcançar excedentes enantioméricos muito acima do que a proporção do catalisador previa inicialmente. Anos mais tarde, Soai formulou uma reação química em que a molécula gerada atua como o próprio catalisador para produzir mais cópias de si mesma, processo conhecido como autocatálise assimétrica, que amplifica variações mínimas até consolidar uma única forma molecular no produto final.

Histórico de avanços da síntese assimétrica de 1986 a 2026

  • 1986 — Henri B. Kagan descobre a manipulação de reações para obter excessos enantioméricos superiores ao esperado na síntese orgânica.
  • 1995 — Kenso Soai elabora o projeto teórico e prático da reação de autocatálise assimétrica na Universidade de Ciências de Tóquio.
  • 2003 — Kenso Soai obtém em laboratório a primeira reação química autossuficiente que gera exclusivamente uma das imagens especulares sem agente externo.
  • 2026 — Real Academia Sueca de Ciências anuncia Kagan e Soai como os vencedores da premiação mundial de química em Estocolmo.

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Informações oficiais sobre o anúncio e a cerimônia de Estocolmo

  • Anúncio oficial: quarta-feira, 7 de outubro de 2026, às 11h45 no horário de verão da Europa Central (6h45 no horário de Brasília)
  • Local do anúncio: sede da Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo, na Suécia
  • Data da premiação presencial: quinta-feira, 10 de dezembro de 2026
  • Itens concedidos: diploma individual, medalha de ouro com o busto de Alfred Nobel e 12 milhões de coroas suecas divididos igualmente

Desenvolvimento das etapas decisivas da premiação de 2026

  • A Real Academia Sueca de Ciências oficializou a escolha dos nomes de Henri B. Kagan e Kenso Soai na manhã de quarta-feira.
  • O Comitê Nobel de Química detalhou como a resolução do enigma da homoquiralidade explica o funcionamento de estruturas do DNA e proteínas.
  • O anúncio confirmou o reajuste na dotação orçamentária do prêmio para 12 milhões de coroas suecas, valor que até o ciclo anterior permanecia em 11 milhões de coroas.
  • Kenso Soai concedeu entrevista à organização manifestando satisfação por dividir a conquista com o professor Henri B. Kagan.
  • A academia agendou o comparecimento presencial dos laureados na Suécia para a tradicional entrega de medalhas diplomáticas em dezembro.

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Ganhadores recentes do Nobel de Química entre 2024 e 2025

A premiação concedida a Kagan e Soai sucede outros marcos da química reconhecidos recentemente pela Real Academia Sueca de Ciências. Na edição de 2025, o prêmio foi conferido ao japonês Susumu Kitagawa, ao britânico Richard Robson e ao jordaniano Omar M. Yaghi pelo desenvolvimento das estruturas metalorgânicas, materiais porosos utilizados para armazenamento de gases e captura de substâncias industriais.

Em 2024, a honraria sueca havia sido dividida entre dois campos da biologia molecular computacional. O pesquisador David Baker venceu pela criação de métodos de design computacional de proteínas, enquanto Demis Hassabis e John Jumper foram laureados conjuntamente pela concepção do sistema de inteligência artificial AlphaFold2, ferramenta desenvolvida para prever estruturas tridimensionais complexas de proteínas a partir de sequências de aminoácidos.

A cerimônia solene de entrega das medalhas de ouro e dos diplomas da Real Academia Sueca de Ciências está marcada para quinta-feira, 10 de dezembro de 2026, data que marca a morte de Alfred Nobel, instituidor da honraria.

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