FGV registra alta de 1,50% no IGP-DI com avanço de combustíveis

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dinheiro, nota de 200, nota de 100 - Foto: rafastockbr/Shutterstock.com

O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 1,50% em setembro de 2026, acelerando o ritmo após registrar variação de 0,06% em agosto. O indicador acumula taxa de 3,72% de janeiro a setembro e elevação de 3,80% no acumulado de 12 meses, conforme balanço apresentado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro.

A taxa mensal do indicador ficou em patamar próximo da expectativa apurada pelo mercado financeiro e ligeiramente abaixo da mediana de 1,53% calculada pelo levantamento Projeções Broadcast, cujo intervalo de projeções variava entre 1,35% e 1,82%. O resultado reflete uma recomposição expressiva dos custos de produção no campo e o repasse das tarifas residenciais de eletricidade nas cidades.

Produtor rural e combustíveis elevam o IPA-DI para 1,95%

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O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), componente de maior representatividade no cálculo global com peso de 60%, avançou de 0,10% em agosto para 1,95% em setembro. Essa elevação foi determinada pela arrancada de itens agrícolas negociados em escala internacional e pela revisão de preços de derivados de petróleo nas refinarias e distribuidoras.

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A cotação de insumos agrícolas primários exerceu pressão direta sobre os custos das indústrias de transformação e dos setores de processamento de alimentos ao longo de todo o mês de setembro de 2026. As maiores contribuições positivas dentro da composição da produção partiram das variações de valor da soja, do farelo de soja e do milho, somadas aos reajustes aplicados sobre a gasolina automotiva nas etapas iniciais de circulação das mercadorias.

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O economista do FGV Ibre Matheus Dias explicou a dinâmica dos custos produtivos ao avaliar o fechamento do indicador. “A aceleração do IGP-DI em setembro foi impulsionada principalmente pelos avanços dos preços ao produtor e ao consumidor. No IPA, destacou-se a alta das commodities agrícolas, com elevações expressivas da soja, do farelo de soja e do milho, além do reajuste da gasolina automotiva”, afirmou.

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O que causou a virada no custo de vida das famílias?

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI), responsável por 30% da formação do índice geral, subiu 0,67% em setembro de 2026, revertendo o quadro de deflação de 0,37% registrado no mês de agosto. A reversão decorreu de pressões concentradas nas despesas domésticas, com ênfase no setor habitacional e na aquisição de itens de alimentação básica nas feiras e supermercados.

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A conta de luz doméstica representou o principal foco de pressão sobre o orçamento familiar após o término do período de aplicação dos descontos tarifários vinculados ao Bônus de Itaipu. Esse recurso financeiro corresponde a um crédito distribuído anualmente a milhões de unidades consumidoras residenciais e rurais, calculado a partir da apuração do saldo positivo da conta de comercialização de energia gerada pela usina hidrelétrica binacional no exercício anterior.

Além da energia, o consumo de alimentos in natura encareceu a cesta de compras cotidiana da população. Os aumentos mais acentuados no segmento de alimentação ocorreram nos preços do tomate e da batata-inglesa. A proporção de itens que apresentaram reajuste positivo se expandiu no período: o Índice de Difusão do IPC subiu de 55,16% em agosto para 59,68% em setembro. Por outro lado, o núcleo do indicador, medida calculada para filtrar oscilações pontuais e temporárias, desacelerou marginalmente de 0,27% para 0,25%.

Construção civil desacelera ritmo com mão de obra mais estável

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI), que completa a estrutura da pesquisa com peso de 10%, apresentou variação de 0,22% no nono mês do ano, desacelerando frente ao avanço de 0,66% verificado em agosto. A perda de tração no custo das obras ocorreu devido ao alívio no ritmo de reajuste dos gastos com pessoal e mão de obra nos canteiros, após um ciclo de acordos coletivos e repasses salariais mais fortes nos meses anteriores.

Em igual mês do ano passado, em setembro de 2025, o comportamento dos preços pelo cálculo do IGP-DI apontava um cenário de menor intensidade inflacionária: o indicador havia subido 0,36% no mês e mantinha expansão acumulada de 2,31% em 12 meses. O movimento recente de aceleração dos custos agrícolas e energéticos também se manifestou no Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), apurado com base em coleta encerrada no dia 20 do mês, que subiu 1,57% em setembro de 2026 após deflação de 0,22% em agosto.

Números e índices da inflação de setembro apurados pela FGV

  • Variação mensal do IGP-DI em setembro de 2026: alta de 1,50%, contra 0,06% em agosto
  • Acumulado no ano e em 12 meses do IGP-DI: 3,72% de janeiro a setembro e 3,80% no período de um ano
  • Variação mensal do IPA-DI (peso de 60%): alta de 1,95%, após marcação de 0,10% em agosto
  • Variação mensal do IPC-DI (peso de 30%): alta de 0,67%, ante deflação de 0,37% em agosto
  • Variação mensal do INCC-DI (peso de 10%): avanço de 0,22%, frente a 0,66% registrado em agosto
  • Índice de Difusão do IPC: avanço para 59,68% em setembro, comparado a 55,16% no mês anterior
  • Divulgação oficial das informações: quarta-feira, 7 de outubro de 2026, às 08h00, no Rio de Janeiro

A trajetória das cotações no atacado agrícola e as variações nas tarifas energéticas permanecem como os principais focos de observação nas próximas coletas de preços realizadas pelos pesquisadores do instituto.