Frota de eletrificados ultrapassa 1 milhão de unidades no mercado brasileiro

Avenida Paulista, rodízio carros

Avenida Paulista, rodízio carros - Hans Elmo/ Shutterstock.com

Os veículos novos movidos puramente a gasolina representaram 49% das vendas mundiais no primeiro semestre de 2026, ficando abaixo da metade do mercado internacional pela primeira vez na história. O recuo consolidou a perda de espaço dos motores tradicionais sem eletrificação, enquanto os veículos leves eletrificados atingiram a marca de 19,8% dos emplacamentos no Brasil em setembro de 2026.

No mercado brasileiro, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico registrou na terça-feira (6) a marca histórica de 1.003.310 veículos leves eletrificados emplacados desde janeiro de 2012, após somar 53.126 unidades no último mês. O presidente da entidade, Ricardo Bastos, afirmou que os números consolidam uma transformação estrutural no transporte: “É mais um recorde histórico e a prova definitiva de que já ingressamos numa nova etapa da evolução do mercado automotivo brasileiro”. Ele completou que “a eletromobilidade não é mais uma expectativa para o futuro, mas a realidade do presente”.

Foto: Carros elétricos – 3alexd/ Istockphoto.com

Números consolidados do mercado automotivo global e nacional

  • Participação mundial de veículos puramente a gasolina no primeiro semestre de 2026: 49%, com 20,25 milhões de unidades comercializadas.
  • Vendas globais de modelos híbridos convencionais de janeiro a junho de 2026: 7,27 milhões de unidades e 18% do mercado.
  • Vendas mundiais de automóveis 100% elétricos a bateria no primeiro semestre de 2026: 6,87 milhões de veículos e fatia de 17%.
  • Emplacamentos de veículos leves eletrificados no Brasil em setembro de 2026: 53.126 unidades, somando 1.003.310 automóveis desde 2012.
  • Volume total de emplacamentos de todos os segmentos no Brasil em setembro de 2026: 509.686 unidades.
  • Total acumulado de veículos novos emplacados no Brasil entre janeiro e setembro de 2026: 4.233.468 unidades.

Recuo dos modelos puramente a gasolina e avanço dos híbridos

O levantamento da consultoria Mobility Global aponta que os modelos comerciais puramente a gasolina totalizaram 20,25 milhões de unidades entregues de janeiro a junho de 2026 em escala global. O resultado representou uma queda de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em um intervalo de cinco anos, a perda acumulada foi de 24 pontos percentuais de participação em todo o planeta, despencando de 73% em 2021 para os atuais 49%.

Apesar dessa redução na compra de automóveis sem assistência elétrica, os motores a combustão interna continuam presentes na maior parte da frota em circulação e nas linhas de montagem. Ao somar os veículos puramente a gasolina, os híbridos convencionais, os híbridos com recarga externa e os modelos a diesel, aproximadamente 83% dos carros zero-quilômetro comercializados no mundo durante o semestre ainda trazem um motor térmico instalado sob o capô.

O avanço das tecnologias intermediárias permitiu que os veículos híbridos convencionais superassem os modelos totalmente elétricos na contagem global do primeiro semestre. Os híbridos registraram 7,27 milhões de unidades vendidas, anotando um crescimento anual de 10% e alcançando 18% de fatia de mercado. No mesmo período, as vendas mundiais de automóveis 100% elétricos alimentados a bateria somaram 6,87 milhões de veículos, uma alta de 12% na comparação anual, garantindo 17% do volume geral.

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Diferenças no ritmo de eletrificação entre continentes

O movimento de substituição das frotas ocorreu em ritmos divergentes entre os principais polos econômicos globais durante os seis primeiros meses do ano. Na Europa, as vendas de carros puramente a bateria avançaram 32% no semestre e superaram o volume de modelos a gasolina em 31 países do continente. Em contrapartida, as entregas de veículos elétricos nos Estados Unidos caíram 15% após a eliminação de subsídios fiscais federais promovida pelo governo do presidente Donald Trump.

Outro elemento determinante para o comportamento do consumidor internacional foi a alta nos custos dos derivados de petróleo. A escalada nas cotações da commodity no mercado financeiro internacional, impulsionada por conflitos bélicos e tensões geopolíticas no Oriente Médio, encareceu os combustíveis nos postos e acelerou a procura de motoristas por veículos com menor custo operacional por quilômetro rodado.

Expansão dos veículos leves eletrificados no Brasil

O mercado nacional acelerou a absorção das novas tecnologias de propulsão nos últimos meses. A primeira metade da marca histórica de eletrificados no Brasil, equivalente a 500 mil automóveis leves, demorou 13 anos e sete meses para ser concluída, entre janeiro de 2012 e julho de 2025. Já os 500 mil veículos seguintes precisaram de apenas 14 meses para serem emplacados, entre agosto de 2025 e setembro de 2026, totalizando mais de 1 milhão de unidades em circulação.

O balanço mensal divulgado na segunda-feira (5) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores indicou que o país atingiu 509.686 emplacamentos em setembro de 2026, somando carros de passeio, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. O resultado estabeleceu o recorde histórico para o mês de setembro, com expansão de 8,32% sobre o mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o Brasil registrou 4.233.468 veículos novos licenciados, um avanço de 14,41% na comparação com 2025.

Ao analisar o ambiente de consumo, o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, destacou o desempenho das vendas no comércio automotivo nacional: “O mercado continua demonstrando demanda por veículos novos, mesmo em um ambiente ainda complexo de crédito”. O executivo ressaltou ainda a cautela para a reta final do calendário: “Os resultados atuais nos indicam um fechamento de ano melhor do que o esperado, para a maior parte dos segmentos, mas vamos aguardar o desempenho de outubro, que pode apontar ajustes no mercado”.

O comportamento dos preços dos combustíveis segue como fator de atenção no orçamento dos motoristas, embora os relatórios de entidades setoriais nacionais e consultorias internacionais não tragam dados consolidados sobre as cotações pontuais de etanol e gasolina registradas nos postos da capital de Minas Gerais durante o período recente.

O ritmo de transição do setor automotivo depende da manutenção da demanda nos grandes mercados e da estabilidade no fornecimento de componentes, enquanto as montadoras preparam o calendário de entregas para o fechamento do quarto trimestre de 2026.