Henri Kagan e Kenso Soai vencem o Prêmio Nobel de Química de 2026

Henri Kagan e Kenso Soai - Divulgação

Henri Kagan e Kenso Soai - Divulgação

O Prêmio Nobel de Química de 2026 foi concedido aos pesquisadores Henri B. Kagan e Kenso Soai nesta quarta-feira (7). A Real Academia Sueca de Ciências premiou a dupla pela descoberta de efeitos não lineares e autocatálise na síntese orgânica assimétrica, trabalho que solucionou um enigma científico de mais de um século e transformou a fabricação de compostos farmacêuticos.

Os dois cientistas vão dividir de maneira igual a quantia de 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de US$ 1,2 milhão, recebendo 6 milhões de coroas cada um. O anúncio oficial ocorreu na sede da instituição em Estocolmo, na Suécia, marcando a 117ª edição da entrega da honraria na categoria de química desde a criação da premiação em 1901.

Henri Kagan e Kenso Soai decifram o enigma das moléculas espelhadas

A pesquisa laureada trata do comportamento de moléculas essenciais à vida que existem na natureza em duas formas estruturais idênticas, mas invertidas como imagens diante de um espelho, a exemplo das mãos esquerda e direita. Esse fenômeno químico, denominado quiralidade, apresenta uma particularidade biológica intrigante: os organismos vivos utilizam quase exclusivamente apenas uma dessas versões moleculares, característica chamada de homoquiralidade.

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Durante décadas, cientistas procuraram entender como esse alinhamento único surgiu de maneira espontânea e como seria possível produzir intencionalmente apenas uma das variantes moleculares em laboratório. Na indústria de remédios, a distinção é decisiva, pois um lado da molécula pode carregar propriedades curativas, enquanto o lado oposto pode não ter efeito algum ou apresentar riscos tóxicos graves ao corpo humano.

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“Henri Kagan e Kenso Soai forneceram uma solução para um mistério químico com mais de um século de existência: como a homoquiralidade pode emergir espontaneamente. As reações químicas que eles desenvolveram são espetaculares”, declarou Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química, em tradução livre das declarações feitas na cerimônia em Estocolmo.

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Peter Somfai, professor da Universidade de Lund e membro do Comitê Nobel de Química, explicou a importância direta do trabalho para o setor médico. “A versão canhota do medicamento pode ter um efeito e a versão destra pode ter outro efeito, e então precisamos de métodos para prepará-las seletivamente”, afirmou Somfai, que classificou a abordagem desenvolvida pela dupla como uma das experiências mais marcantes da química orgânica.

Efeitos não lineares e a reação de Soai na síntese farmacêutica

O químico francês Henri B. Kagan, atualmente com 95 anos e professor emérito da Universidade Paris-Saclay, iniciou essa linha de descobertas em 1986. Ele constatou a existência de efeitos não lineares na síntese assimétrica, provando que pequenos desvios ópticos em uma mistura podiam ser amplificados por processos químicos controlados, gerando uma quantidade desproporcionalmente maior de uma única forma molecular.

Anos depois, o químico japonês Kenso Soai, de 76 anos e professor da Universidade de Ciência de Tóquio, desenvolveu o mecanismo que ficou conhecido na comunidade científica internacional como a reação de Soai. O método representou o primeiro caso confirmado de autocatálise assimétrica eficiente, processo em que a própria molécula produzida atua ativamente acelerando sua própria fabricação de forma exponencial.

Ao receber a ligação com a confirmação da honraria da academia sueca, Soai relatou que estava fora de casa. “Este é o dia mais emocionante da minha vida, estou muito feliz em compartilhar este prêmio com o professor Henri Kagan”, disse o pesquisador japonês por telefone durante a coletiva de imprensa da premiação, mencionando que realizava compras nas proximidades de sua residência quando o comitê entrou em contato.

Histórico do Nobel de Química e cronograma das próximas premiações de 2026

O reconhecimento dado a Kagan e Soai sucede a premiação de 2025, ocasião em que os cientistas Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar M. Yaghi foram condecorados pelo desenvolvimento das estruturas metal-orgânicas, materiais porosos voltados a capturar gases e enfrentar desafios de recursos hídricos. Instituído pelo testamento do inventor sueco Alfred Nobel, o galardão em química segue o tradicional calendário da semana Nobel, sendo divulgado após os anúncios de medicina e física.

A Real Academia Sueca de Ciências e os comitês organizadores continuam a divulgação dos demais vencedores de 2026 nas seguintes etapas:

  • Quinta-feira, 8 de outubro de 2026: anúncio do Prêmio Nobel de Literatura em Estocolmo
  • Sexta-feira, 9 de outubro de 2026: anúncio do Prêmio Nobel da Paz em Oslo
  • Segunda-feira, 12 de outubro de 2026: anúncio do Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel
  • Quinta-feira, 10 de dezembro de 2026: cerimônia oficial de entrega das medalhas e diplomas em Estocolmo

A cerimônia de dezembro reunirá os condecorados de todas as categorias na capital da Suécia, data que marca a morte de Alfred Nobel e conclui o ciclo anual das premiações.

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