A fabricante de tecnologia Huawei planeja expandir de forma gradual o sistema operacional HarmonyOS para o mercado global de smartphones e computadores. A estratégia internacional foi detalhada em Shenzhen, na China, durante encontro com jornalistas, apontando o objetivo de posicionar a plataforma proprietária fora do território chinês.
O diretor executivo da Huawei, presidente do conselho de revisão de investimentos e presidente do conselho da divisão de consumo, Richard Yu, afirmou que a transição internacional não ocorrerá de maneira imediata. “Estamos considerando levar gradualmente o HarmonyOS para o mercado global no futuro. Esse é apenas o nosso plano inicial, no entanto. Faremos isso devagar, passo a passo”, declarou o executivo, em tradução livre.
Os cinco pilares de desenvolvimento técnico do HarmonyOS
A companhia concentra as atualizações da arquitetura de software em diretrizes operacionais definidas internamente para sustentar a competitividade com ecossistemas consolidados. A engenharia do sistema tem como base cinco pilares fundamentais de engenharia: fluidez, segurança, inteligência, refinamento e conectividade entre múltiplos aparelhos da marca.
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O ecossistema ocupa a terceira colocação no ranking mundial de sistemas operacionais móveis, posicionado atrás do Android e do iOS. O avanço do software resultou de aportes financeiros prolongados em pesquisa e desenvolvimento, área na qual a empresa destinou 1,8 trilhão de yuans entre os anos de 2007 e 2025.
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- Fluidez na resposta da interface
- Segurança de dados e processos
- Inteligência integrada ao sistema
- Refinamento visual e estrutural
- Conectividade entre aparelhos
Como o HarmonyOS se compara ao histórico do mercado móvel?
Ao abordar os riscos de estabelecer uma plataforma operacional independente no mercado de tecnologia, Richard Yu relembrou as barreiras enfrentadas por projetos de grande porte que tentaram romper a hegemonia de plataformas tradicionais e acabaram descontinuados pelas criadoras ao longo da última década.
O executivo mencionou nominalmente os encerramentos do Windows Phone, desenvolvido pela Microsoft, do bada OS, criado pela Samsung, e do Symbian, utilizado pela Nokia durante o início da transição para os aparelhos conectados. Em sua avaliação, essas iniciativas anteriores demonstraram a dificuldade de sustentar uma base estável de aplicativos e suporte técnico sem um ecossistema parceiro robusto.
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“Desenvolver um sistema operacional não é tarefa fácil. Houve tentativas anteriores de outras marcas como o Windows Phone da Microsoft, o bada OS da Samsung e o Symbian da Nokia. Eles não tiveram sucesso. Mesmo tendo feito isso muitos anos depois, nós conseguimos. Acho que isso é certamente incrivelmente difícil de alcançar”, declarou Richard Yu, em tradução livre.
Dimensão operacional do ecossistema HarmonyOS
A plataforma reúne números consolidados que sustentam a decisão corporativa de avançar para fora do território chinês, impulsionada pela criação de uma cadeia própria de softwares e serviços utilitários em parceria com empresas e desenvolvedores independentes.
- 90 milhões de dispositivos ativos integrados à plataforma
- 450.000 aplicativos e serviços cadastrados e disponíveis
- 11 milhões de desenvolvedores registrados no ecossistema
- 23.000 parceiros corporativos e de inovação em tecnologia
- 3º lugar em participação global entre plataformas móveis
- 1,8 trilhão de yuans investidos em pesquisa e desenvolvimento de 2007 a 2025
Trajetória do software e o papel das operadoras na Europa
O avanço acelerado no desenvolvimento do software proprietário da Huawei ganhou força após as sanções comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos em 2019, que impediram a fabricante chinesa de licenciar os serviços móveis do Google em seus produtos. Em 2024, a empresa deu um passo técnico decisivo ao lançar o HarmonyOS NEXT, versão que eliminou totalmente a compatibilidade e os vínculos com a base de código aberto do Android, conhecida pela sigla AOSP.
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Apesar da presença ampla do HarmonyOS em celulares, tablets e computadores na China, o catálogo internacional de celulares da marca vinha utilizando a interface EMUI sem os aplicativos do Google, enquanto o HarmonyOS permaneceu direcionado fora das fronteiras chinesas a produtos vestíveis, como relógios inteligentes. Para viabilizar uma retomada de relevância comercial em mercados desenvolvidos, incluindo a Europa, Richard Yu explicou que a empresa dependerá da reaproximação com as operadoras de telecomunicações para distribuir os celulares em suas redes.
A Huawei ainda não divulgou um cronograma formal com datas de lançamento ou a relação dos primeiros modelos de smartphones que receberão o sistema operacional puro no mercado ocidental.
