A balança comercial brasileira apurou um superávit de US$ 7,741 bilhões em setembro de 2026, resultado que representa avanço de 146,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O crescimento decorreu da expansão das vendas externas e de uma retração simultânea nas aquisições de produtos estrangeiros, segundo dados oficiais divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Apesar da forte expansão mensal, o governo federal promoveu um corte nas previsões para o resultado acumulado do comércio exterior neste ano. O ministério reduziu a estimativa de saldo positivo para o encerramento de 2026 de US$ 90,0 bilhões, cálculo estabelecido na rodada de julho, para US$ 84,4 bilhões.
Os números foram apresentados em Brasília na terça-feira (6), às 15h52, durante a divulgação da terceira revisão das projeções anuais elaboradas pela pasta federal para o comércio exterior do país.
Mdic ajusta projeção anual da balança comercial após oscilações do petróleo
O ajuste na previsão anual para US$ 84,4 bilhões reflete a acomodação dos preços internacionais das commodities ao longo do segundo semestre. O cálculo anterior incorporava a pressão de custos observada no início do ano no mercado de combustíveis e derivados.
“Tivemos a guerra entre Irã e Estados Unidos em fevereiro e isso fez com que o preço do petróleo disparasse e vários produtos alinhados ao petróleo também crescessem. E isso fez com que tanto a receita de exportação, quanto a de importação, acelerassem. Então, acredito que o modelo captou esse crescimento maior e depois esse movimento se arrefeceu, e resultou numa taxa de crescimento ainda significativa mas um pouco menor do que ele tava captando nesse primeiro semestre”, afirmou Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic.
A alteração da estimativa não altera a perspectiva de saldo robusto para o fechamento do exercício, mas adequa o fluxo de receitas e despesas cambiais à desaceleração das cotações globais de energia após os picos registrados no primeiro trimestre.
Exportações sobem 12,9% e importações recuam no comércio exterior de setembro
O desempenho de setembro foi sustentado pelas exportações brasileiras, que somaram US$ 34,418 bilhões no período. A cifra corresponde a uma alta de 12,9% em relação a setembro de 2025, impulsionando a entrada de divisas no país.
Por outro lado, os gastos com importações caíram para US$ 26,678 bilhões, valor 2,4% inferior ao contabilizado no mesmo mês do ano anterior. Essa combinação de faturamento externo em expansão com despesas de compras contidas permitiu a ampliação expressiva da folga comercial.
Com esses volumes, a corrente de comércio, indicador que reúne a soma total de exportações e importações realizadas pelo Brasil, alcançou US$ 61,096 bilhões em setembro de 2026. Em setembro de 2025, o saldo comercial positivo havia ficado em US$ 3,139 bilhões.
Dados consolidados da balança comercial brasileira em setembro de 2026
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- Superávit mensal: US$ 7,741 bilhões, avanço de 146,4% frente a setembro de 2025
- Exportações no mês: US$ 34,418 bilhões, crescimento de 12,9%
- Importações no mês: US$ 26,678 bilhões, retração de 2,4%
- Corrente de comércio: US$ 61,096 bilhões em movimentações bilaterais
- Superávit acumulado de janeiro a setembro de 2026: US$ 62,4 bilhões
- Nova projeção anual do Mdic para 2026: US$ 84,4 bilhões
- Data e local da apresentação oficial: 6 de outubro de 2026, em Brasília
Acumulado de 2026 atinge US$ 62,4 bilhões e mira patamar histórico
No intervalo de janeiro a setembro de 2026, o superávit acumulado pelo comércio exterior brasileiro atingiu US$ 62,4 bilhões. O montante já se aproxima do resultado fechado de todo o ano de 2025, quando o saldo positivo encerrou o período em US$ 68,1 bilhões.
O resultado mensal de US$ 7,741 bilhões figura como o segundo melhor desempenho da história para meses de setembro. A marca fica atrás apenas de setembro de 2023, período em que o saldo comercial do país atingiu US$ 9,18 bilhões.
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Caso a nova estimativa governamental de US$ 84,4 bilhões se confirme até dezembro, o país registrará o segundo maior superávit anual de toda a série histórica do comércio exterior. O recorde permanente pertence a 2023, quando a balança comercial encerrou o calendário com sobra de US$ 98,9 bilhões.
A quarta e última revisão das projeções anuais da balança comercial será calculada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços nos meses finais do ano civil de 2026.
