Arqueólogos acham 2,5 km de caminhos pré-hispânicos em Machu Picchu

Machu Picchu 1 - fbxx/ istockphoto.com

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Arqueólogos do Peru e da Polônia identificaram mais de 2,5 km de caminhos pré-hispânicos e terraços agrícolas ocultos sob a vegetação no setor da Muralha de Mandor, em frente a Machu Picchu. O mapeamento utilizou a tecnologia de sensoriamento remoto por laser LiDAR para detectar as passagens na encosta do monte Yanantin sem a necessidade de desmatamento.

A descoberta complementa e altera de forma relevante as hipóteses sobre o funcionamento de todo o complexo arqueológico, afirmou o diretor do Centro de Estudos Andinos da Universidade de Varsóvia, Mariusz Ziółkowski, em tradução livre. Entre os trechos cartografados pelos especialistas está um trajeto principal de 1,2 km de extensão que apresenta desenho em ziguezague característico da engenharia inca durante o período do Horizonte Tardio.

Dados do levantamento arqueológico em Machu Picchu

Foto: Arqueólogos – Microgen/ shutterstock.com
  • Local: setor da Muralha de Mandor, no Parque Arqueológico Nacional de Machu Picchu
  • Extensão total de caminhos detectados: mais de 2,5 km
  • Trecho principal em ziguezague: 1,2 km
  • Altitude da área mapeada: 2.000 a 2.700 metros acima do nível do mar
  • Instituições responsáveis: Universidade de Varsóvia, DDC Cusco e Universidade de Ciência e Tecnologia de Breslávia

Tecnologia laser revela caminhos na margem direita do rio Urubamba

O levantamento em campo e o sensoriamento remoto foram realizados em conjunto pelo Centro de Estudos Andinos da Universidade de Varsóvia e pela Direção Desconcentrada de Cultura de Cusco, órgão vinculado ao Ministério da Cultura do Peru, com apoio da Universidade de Ciência e Tecnologia de Breslávia. O líder técnico do escaneamento, Bartłomiej Ćmielewski, e o diretor do reconhecimento de campo, Jan Kłaput, coordenaram os trabalhos de detecção nas encostas florestais íngremes.

O método LiDAR emite feixes rápidos de laser a partir de instrumentos aéreos, penetra as copas fechadas das árvores e registra com precisão milimétrica a topografia do terreno rochoso. Na faixa situada entre 2.000 e 2.700 metros de altitude, onde a mata densa encobre desníveis abruptos, o equipamento registrou linhas contínuas de pedras talhadas, terraços agrícolas de contenção e plataformas que permaneciam invisíveis nas inspeções visuais terrestres convencionais.

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Ocupação territorial além do núcleo urbano de Machu Picchu

As estruturas identificadas localizam-se na margem direita do rio Urubamba, posição geográfica situada exatamente do lado oposto ao núcleo urbano monumental da cidadela de Machu Picchu, que ocupa a margem esquerda. A historiografia tradicional e as pesquisas arqueológicas anteriores concentravam as atenções acadêmicas de forma quase exclusiva nas edificações da margem esquerda, deixando as encostas orientais pouco documentadas.

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Com mais de 60 sítios arqueológicos satélites já registrados dentro dos limites do Parque Arqueológico Nacional de Machu Picchu, os dados obtidos comprovam que o planejamento territorial pré-hispânico integrava ativamente as duas margens do vale fluvial. As rotas mapeadas mostram que a margem direita abrigava conexões estruturadas, desafiando a antiga suposição de que a margem oriental do cânion representava uma barreira geográfica desprovida de passagens formais.

Hipótese sobre rota ritual e a estrutura da Muralha de Mandor

A denominação histórica Muralha de Mandor, dada a um segmento conservado de pedra que atinge entre 2 e 3 metros de altura, gerava interpretações sobre funções defensivas ou militares na área. Análises arquitetônicas recentes contestam o caráter bélico da estrutura a partir do traçado das pedras e do alinhamento visual com a topografia sagrada dos Andes.

O chefe da Coordenação de Investigações Arqueológicas de Machu Picchu da Direção Desconcentrada de Cultura de Cusco, Nino Del Solar Velarde, declarou que a grande muralha faz os pesquisadores pensarem que não se tratava de um muro defensivo, mas sim de um caminho ritual elevado, em tradução livre. O especialista apontou que a direção da estrutura aponta diretamente para um pico alto alinhado no mesmo eixo do monte Yanantin.

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Del Solar Velarde informou ainda que inexiste contexto arqueológico indicando conflitos armados no setor que justificassem a construção de muros para delimitação combativa de áreas, em tradução livre. Dessa forma, as evidências apontam para vias cerimoniais ou caminhos cerimoniais de procissão integrados às montanhas sagradas do entorno.

Escavações e etapas seguintes do projeto em Cusco

O anúncio oficial da identificação dos caminhos ocorreu em 10 de agosto de 2026 por iniciativa do Ministério da Cultura do Peru e da Direção Desconcentrada de Cultura de Cusco. A Universidade de Varsóvia detalhou os dados da cooperação bilateral em 19 de agosto de 2026, enquanto a Agência Andina reportou as análises dos alinhamentos cerimoniais em 31 de agosto de 2026.

A cronologia exata e a confirmação definitiva da filiação aos incas em toda a extensão dos 2,5 km ainda não foram concluídas pelas equipes científicas. Pesquisadores organizam escavações estratigráficas e datações em campo para verificar o estado de conservação das bases e determinar a função exata de cada trecho, mantendo as coordenadas de pontos vulneráveis em sigilo preventivo contra saqueadores de sítios históricos.