O Grupo SHC, representante oficial da montadora JAC Motors no Brasil, protocolou um novo pedido de recuperação judicial perante a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo. A petição abrange 44 empresas controladas pelo empresário Sergio Habib e relaciona R$ 239,55 milhões em compromissos financeiros sujeitos à reestruturação legal.
Cerca de 97% dos débitos submetidos à tutela do tribunal estão concentrados em bancos e fundos de investimento. O grupo empresarial informou também a existência de R$ 130,7 milhões em créditos extraconcursais, que permanecem fora da negociação coletiva judicial, o que eleva o endividamento total apurado para a faixa de R$ 370 milhões.
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Números e dados centrais da recuperação do Grupo SHC
- Data da distribuição inicial da petição: segunda-feira, 5 de outubro de 2026, às 17h23
- Local do processo: 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo
- Volume de dívidas concursais declaradas: R$ 239,55 milhões
- Obrigações extraconcursais fora da recuperação: R$ 130,7 milhões
- Total de créditos trabalhistas listados: R$ 2,7 milhões
- Empresas do grupo incluídas no pedido: 44
- Concessionárias físicas ativas da JAC Motors no Brasil: 3
Juros bancários e tributos sobre elétricos pressionaram a JAC Motors
Na petição inicial encaminhada ao tribunal paulista, a diretoria do Grupo SHC apontou que o retorno das alíquotas do imposto de importação para veículos eletrificados e o peso dos serviços da dívida desestabilizaram o caixa operacional. O pagamento de juros e encargos a instituições financeiras passou a consumir mais de 35% do faturamento regular da operação, o que inviabilizou a sustentação dos compromissos correntes sem a proteção judicial.
As negociações prévias com credores financeiros já demonstravam impasses antes da nova medida. Bancos e fundos relataram dificuldades operacionais na localização e apreensão de veículos que constavam como garantias contratuais de empréstimos, com uma única instituição bancária registrando mais de R$ 100 milhões a receber do conglomerado automotivo.
“O que define a gravidade de uma crise é a relação entre a dívida e a capacidade de gerar caixa, e é nesse ponto que os números do Grupo SHC preocupam. A questão central é saber se estamos diante de uma empresa viável com dívida mal estruturada ou de um negócio que deixou de se pagar”, afirmou o advogado Alcides Wilhelm, sócio da WLM Advogados.
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Trajetória da JAC Motors reúne expansão em 2011 e processo encerrado em 2025
A nova crise financeira ocorre pouco mais de um ano após o fim formal do processo de recuperação judicial anterior. O Grupo SHC havia recorrido à proteção da Justiça pela primeira vez em 5 de novembro de 2018, quando listou um passivo de R$ 517,7 milhões decorrente da retração do setor, exigências do programa federal Inovar-Auto e encerramento da representação da marca Citroën. O plano de pagamento aprovado em setembro de 2019 teve encerramento homologado no dia 31 de maio de 2025.
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A operação nacional da JAC Motors começou com ampla repercussão em 2011, ocasião em que Sergio Habib liderou a inauguração coordenada de 50 concessionárias em um único dia pelo território brasileiro. O plano original de investimentos previa erguer uma fábrica de R$ 1 bilhão no município de Camaçari, no estado da Bahia, unidade fabril que nunca chegou a ser construída pela companhia.
A estratégia seguinte de reposicionamento priorizou a introdução de veículos de passeio eletrificados antes da concorrência ampla. Contudo, o mercado consumidor brasileiro passou a ser amplamente dominado por outras montadoras de origem chinesa, como a BYD, que conquistou mais de 70% das vendas de veículos puramente elétricos, e a GWM, que aceleraram estruturas de escala comercial.
Queda de 51,1% nos emplacamentos acelerou encolhimento de lojas
O desempenho comercial da JAC Motors recuou no mercado brasileiro de forma contínua durante os últimos meses. Ao longo de 2025, a marca emplacou 988 unidades entre automóveis e comerciais leves no país, o que configurou uma retração de 51,1% na comparação com os 2.022 veículos comercializados em 2024. No mesmo intervalo anual, o mercado nacional total de veículos leves avançou 2,58%, somando 2,55 milhões de unidades emplacadas, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.
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A perda de espaço comercial continuou ao longo do ano de 2026. Entre janeiro e julho, a JAC Motors acumulou 346 veículos emplacados, volume que representa uma baixa de 43,8% em relação a igual período do ano anterior. O recuo dos licenciamentos levou a empresa a fechar pontos comerciais e reestruturar sua presença física, mantendo apenas três concessionárias abertas no país e priorizando a venda da picape Hunter, utilitários para transporte de carga e canais digitais.
Próximos passos da recuperação judicial na 2ª Vara de Falências
O protocolo distribuído no Tribunal de Justiça de São Paulo aguarda a deliberação inicial da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais. Caberá ao magistrado responsável pelo caso decidir sobre a aceitação formal do pedido de processamento das 44 empresas e sobre a concessão da tutela de urgência solicitada, que estabelece o período de suspensão temporária de execuções de dívidas por 180 dias.
